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Vicente Negrão comanda coluna ARCO e propõe uma conversa sobre arte. E seja na música, na TV ou nas telas da pintura, o universo LGBT está presente

Arte de Francisco Hurtz - Exposição Ecce Homo
Divulgação
Arte de Francisco Hurtz - Exposição Ecce Homo

Desde os primórdios, a arte dialoga com o universo LGBT . Muito antes das siglas ou dos compartimentos, a multiplicidade de amores e afetos já estava representada em jarros, murais, quadros, paredes ou até com mais rudeza, em portas de banheiros. Na dança, na música, no teatro e em tantas outras manifestações artísticas, homens com homens e mulheres com mulheres sempre contrariaram a máxima de Tim Maia e dançaram juntos, se amaram e foram representados por elas. Os corpos e os desejos sempre andaram de mãos dadas em um eterno romance com as artes.

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Esse vai ser o norte da coluna ARCO que passo a assinar hoje e que se renova a cada quinta-feira aqui no portal iG: olhar, observar e falar sobre expressões artísticas que estabeleçam diálogo com a cultura LGBT. Ou não, como diria Caetano Veloso. Sim, porque não sou crítico de arte ou acadêmico. Sou uma pessoa como você que gosta do assunto.

O que tem pra hoje 

Tá bom, de volta ao timeline, lá na Grécia antiga a gente já está careca de saber que todo mundo pegava todo mundo e que isso tudo ia parar nas artes. Mas em um momento que nossa civilização abraça o conservadorismo e engata um retrocesso no pensamento libertário, onde é que essas representações cabem?

Em exatamente todos os lugares. Nos museus , nas galerias de arte , nas ruas, nos palcos e nas festas. Sim, pois nunca se viu e ouviu tanta conversa, tanta discussão e também tanta “espuma” sobre a liberdade de expressão artística e/ou sexual.  Nunca as margens do gênero foram tão borradas a ponto de ganharem espaço como conflito de personagem de novela da Globo. Shows de artistas conectados ao segmento LGBT como “As Bahias e a Cozinha Mineira”, “Liniker e os Caramelows”, “Filipe Catto”, “Lineker” (são diferentes), “Mc Linn da Quebrada”, “Jaloo” e “Johnny Hooker”, apenas para citar poucos exemplos, lotam as casas de espetáculo pelo Brasil em um sucesso que não se repetia desde “Dzi Croquettes” ou “Secos e Molhados”.

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Trazendo para o microcosmo da cidade de São Paulo, neste momento mesmo algumas exposições colocam mais lenha nesta flamejante fogueira como a coletiva “Ecce Homo”, que leva à Verve Galeria uma série de representações sobre a figura, o universo masculino e a construção da sua identidade através de obras de autores nacionais e contemporâneos como de Hudinilson Jr, Alex Flemming, Leonilson, Florian Raiss ou mais jovens como Francisco Hurtz (apresentado na imagem deste texto) e que permanece na casa até julho, assim como a exposição “Dark Room”, parte do Festival “Pop Porn”, transitando com sucesso nos tênues limites entre erotismo e pornografia, que fica na Galeria Tato no mesmo período.

 Enfim, a arte é muito maior que um rótulo ou do que uma gaveta e nosso interesse por ela também. Se quiser falar comigo estou aqui e adoro uma conversa: vicente@vicentenegrao.com. Para saber mais sobre esse tema, acompanha a coluna ARCO, de Vicente Negrão , aqui no iGay. 

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