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Seriam esses gigantes da mídia a última fronteira para consolidação de comportamentos? Essa é a discussão da semana da coluna de Vicente Negrão

Há muitos anos costumo dizer, em rodas de conversas entre amigos, que quando um tema é tratado por um desenho da Disney, sinaliza uma mudança de comportamento já sedimentada na sociedade. Pelo menos de alguma forma.

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Vejamos na linha do tempo : Ariel foi a primeira princesinha da Disne y que contrariou o pai e correu atrás do boy que queria. Mulan se vestiu de homem pra ir à guerra no lugar do pai. O pequeno inventor Lewis, de "A Família do Futuro", aprendeu com suas viagens no tempo, que o amor está na família que o escolheu e a dele era bem absurda!

E assim chegamos a 2017 e ao primeiro beijo gay em uma animação da casa, no desenho Star vs As Forças do Mal. A cena é fofa: num show onde a banda favorita dos personagens toca a música "Just Friend", vários casais aparecem se beijando. Entre eles garotos com garotos e garotas com garotas. Ufa!!

Não sem antes passar por Le Fou, do longa-metragem "A Bela e a Fera", francamente apaixonado pelo seu chefe Gastón.

Cena de 'A Bela e a Fera', filme da Disney
Divulgação
Cena de 'A Bela e a Fera', filme da Disney


Significa?

É um enorme alívio para qualquer ser humano, em qualquer condição de minoria e não apenas LGBT+, se ver retratado com amor e dignidade numa obra. E estas são obras para o público infantil então sua importância como formadora de opinião, rumo à naturalidade de aceitação à qualquer diferença, é maior.

Com a Globo não foi diferente ao exibir o primeiro beijo gay na emissora, depois de tantos e tantos anos mostrando gays em suas novelas, pena que na grande maioria ainda retratados de forma bem caricata.

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Mas antes deles eu poderia listar alguns personagens das animações que, como diria um amigo, "se não são gays estão com a vaga garantida assim que morrer um".

Só pra citar alguns,em "Rei Leão" tanto o vilão Scar, num tom meio "bicha enrustida" quanto Timão e Puba, que são praticamente um casal e ainda pais adotivos do pequeno Simba, entram na lista. Na mesma linha "vilã" está Haddes, de "Hercules", que é chegado a um piti.
Tem a macaca amiga de Tarzan, Terkina, que não dá a menor bola pros macacos e Merida, de "Valente", que foge do casamento como o diabo da Cruz.

O que importa em tudo isso, com Disney ou Rede Globo, é que, mesmo devagar e aos trancos e barrancos, caminhamos para uma representatividade mais natural e presente na grande janela da mídia. Se quiser fazer comentários ou falar comigo estou em vicente@vicentenegrao.com. Clique aqui a acompanhe a coluna Arco no iGay

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