Tamanho do texto

Uma das primeiras iniciativas no mundo no sentido de abarcar a arte em todas as suas manifestações e intersecções com o universo LBGT, o Museu da Diversidade Sexual está no centro da Coluna ARCO desta semana

Desde a primeira coluna aqui no iGay já tinha em mente escrever sobre o Museu da Diversidade Sexual aqui de SP. Pois, se estamos falando de arte e dos seus diálogos com a comunidade LGBT, nada mais bacana que contar um pouco sobre o local que, por nome, sobrenome e vocação, abriga esse leque de produção artística. Ainda mais quando estamos na semana chave para esta questão.

Leia também: A fotografia homoerótica e a estética LGBT

Museu da Diversidade Mostra Diversa - Artista Weio
Divulgação
Museu da Diversidade Mostra Diversa - Artista Weio


O museu é “coração de mãe”, pequeno em espaço físico, mas enorme na abrangência e na diversidade de sua curadoria. Além de tudo está encravado no meio da Estação República do Metrô e, como todo coração, tem um fluxo gigante no seu entorno.

O local existe desde 2012 e já abrigou exposições geniais como a lindíssima “Caio Mon Amour”, curadoria de Paula Dip em 2016, sobre a obra de Caio Fernando Abreu, um dos meus prediletos. Ou a superpop “Todos podem ser Frida”, em 2014, projeto de Camila Fontenele de Miranda, onde os frequentadores podiam se transformar rapidamente na pintora usando uma tiara de flores , um chalé colorido, passando um batom e fazendo uma ‘monocelha’ de maquiagem. Eu mesmo fiz uma foto muito divertida caracterizado como Frida Kahlo, na época da exposição.

Para além de um olhar apurado e de um espaço que abraça com verdade a produção LGBT, o fato de termos um espaço como este, num local de grande visibilidade, já é em si um marco nas conquistas tão necessárias para a comunidade. Foi o primeiro deste gênero na América Latina, o terceiro no mundo e está vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, administrado pela organização social de cultura APAA.

Leia também: Arte LGBT, isso lá existe?

A importância de uma instituição pública para a arte LGTB

A missão do Museu da Diversidade Sexual é “preservar o patrimônio sócio, político e cultural da comunidade LGBT brasileira por meio da pesquisa, salvaguarda e comunicação de referências materiais e imateriais, com vistas à valorização e visibilidade da diversidade sexual, contribuindo para a educação e promoção da cidadania plena e de uma cultura em direitos humanos”. Um avanço gigante para tirar da invisibilidade todo um conjunto de expressões artísticas.

Nesse momento, e até o final de setembro de 2017, o local recebe a bienal Mostra Diversa, que tem como objetivo abrir espaço para novos artistas, novas propostas e experiências relacionadas à diversidade sexual e traçar um panorama da produção artística sobre a temática. Fazem parte dessa segunda edição o questionamento do binarismo de gênero, a discriminação e violência sofrida pela população LGBT, a transexualidade, a montação e o questionamento dos padrões excludentes da sexualidade. 

Se você ainda não esteve por lá, recomendo de coração. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, na Estação República do Metrô de São Paulo. com entrada gratuita. Para comentários, sugestões ou críticas, estou no vicente@vicentenegrao.com . Para saber mais sobre arte, clique aqui e acompanhe a coluna ARCO no iGay

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.