Fê Maidel comanda coluna "O T da Questão" e fala sobre transição de gênero, busca pelo que se é neste mundo e sentimentos que envolvem o tema

Transicionar: a existência não se sustenta sobre a efemeridade
Fe Maidel
Transicionar: a existência não se sustenta sobre a efemeridade

Transicionar implica em, constantemente, rever os próprios passos e escolhas e reavaliar se, depois de feitas e consolidadas, essas escolhas ainda seriam um caminho a seguir.

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Quando se dispõe a transicionar , por mais claro que lhe pareça o caminho, a pessoa parte em uma jornada na qual deve lidar com seus vazios, com as coisas as quais deve abdicar e com os riscos que pode correr.

Mudar implica em encarar, também, o vácuo que surge no íntimo e na vida, ao qual juntam-se outros que não estão sob o controle de quem vive o processo que vêm como resposta do mundo ao movimento de transição. E são tantos, que se torna impossível tratar genericamente do assunto. Assim, cada transição torna-se única, e nunca passa despercebida ou incólume.

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Quem se dispõe à transição, se vê impulsionado por sentimentos e emoções difíceis de lidar, levando possivelmente a uma menor clareza da situação, que pode levar a situações de real perigo e danos. Quanto mais radical e rápido o processo, maior e mais potente a resposta do mundo. A ansiedade pela realização do sonho implica em um aumento considerável de risco.

Em algum momento da vida, estamos sujeitos a viver momentos de solidão ou passar por uma sensação de abandono, sentindo-nos sem rumo, direção, objetivo. Às vezes, invade uma sensação de não pertencimento, como se estivéssemos apenas de passagem. Sentir-se assim é, creio, parte da existência. Temos que sentir o vazio para valorar a plenitude. Sem um, o outro esvazia-se de significado. Apesar disso, persistir nesse sentimento de abandono pode levar o indivíduo a uma sensação de permanência que eterniza o vazio. Esses sentimentos que às vezes invadem devem servir como balizamento para trazer consciência dos limites, do potencial, do existir.

A existência não se sustenta sobre a efemeridade. Parecer ser não é o mesmo que ser. O ato de transicionar serve principalmente para dar forma a algo que existe no íntimo da pessoa e que não encontra eco, espaço, lugar no mundo. É uma luta do indivíduo consigo mesmo, procurando conseguir conciliar a essência e a existência. Para saber mais sobre transição, clique aqui e acompanhe a coluna "O T da Questão" no iGay

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