Fê Maidel comanda a coluna "O T da Questão" aqui no iGay e mostra que falar sobre gênero vai muito além da temática da transexualidade

A expressão da diversidade , apesar de sempre haver existido, é uma importante faceta de nossa sociedade atual. As pessoas têm descoberto que, ao manifestar sua individualidade, são diferentes dos outros e diferenças marcantes surgem e recaem sobre questões de gênero e sexualidade .

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Gênero e sexualidade: a expressão da diversidade
Fe Maidel
Gênero e sexualidade: a expressão da diversidade

Diferente do passado, hoje as pessoas querem se conhecer, explorar, trocar experiências e passaram a criticar os rótulos impostos pela “normalidade”. Entender a demanda de cada um, explorar o seu significado, os sentimentos que cada um nutre a respeito e a profundidade de cada um é a base de meu trabalho. As pessoas que trazem questões relacionadas a gênero não necessariamente relacionam isso exclusivamente à temática “trans”. Falar de gênero e sexualidade também significa falar de separação, de carreira, de trabalho, criação de filhos.

Libertários x conservadores

Pessoas conservadoras estão presas a conceitos que salvaguardam seu status quo. O mesmo se aplica a qualquer pessoa que atue como libertária, já que esta propõe a substituição dos valores vigentes por outros (os dela), e provavelmente lutará para que estes se mantenham, ignorando um fato importante: é mais relevante, em se tratando de princípios, que eles estejam em discussão e crítica todo o tempo.

Nossas escolhas

Partindo destes pontos, devemos constantemente rever nossos passos e escolhas, reavaliar se ainda fazem sentido num dado momento, questionando se as mesmas seriam feitas no aqui/agora. A forma como cada pessoa percebe a realidade influencia-a radicalmente e estes contextos podem mudar de acordo com o momento vivido por cada um.

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Vem à tona a questão: se nossas escolhas variam sob as influências que sofremos, como garantir que fazemos as melhores escolhas? Simples: não há como garantir. Sempre escolhemos nossos caminhos baseados em premissas que nos dão segurança, retorno, que respondem a princípios caros que dizem respeito a cada um. Essas premissas, valores e crenças são reavaliadas e questionadas por cada um, o que nos atualiza todo o tempo.

Da mesma forma que as Grandes Guerras fizeram com que o comportamento e as vestimentas mudassem, os movimentos estudantis e feministas também tiveram seu papel em nossas vidas. Posso afirmar que o mesmo acontece agora, ao se tratar da questão transgênera. Ser transgênero é oscilar, em maior ou menor grau, entre maneiras “masculinas” ou “ femininas” de se expressar e que, ao acontecerem, são rotuladas. A “cartilha” do masculino reza que o indivíduo deve ser de uma certa forma, com um certo traquejo. Já a do feminino afirma que a mulher deve ser desta ou daquela forma, e qualquer forma de expressão diferente do convencionado recebe rótulos que desautorizam estas formas de expressão.

Este, talvez, seja o cerne da questão: conseguir a expressão individual do que se é, independentemente do gênero e sexualidade. Clique aqui para acompanhar a coluna " O T da Questão" e falar sobre transexualidade

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