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Fausto Fardado comanda a coluna Masmorra do Fausto, aqui no iGay, e hoje traz um bate papo com o ganhador do título Mr. Rubber Internacional

Preston “wexx” So é americano, tem fetiche por látex – Rubber - e foi vencedor dos concursos Mr. International Rubber XX (2017) e Mr. New England Rubber 2016. Além de ser o primeiro detentor de título internacional de fetiche de descendência asiática, tem a honra de trazer o título MIR de volta à Nova Inglaterra e aos Rubber Men da Nova Inglaterra. Anteriormente, Preston foi o especialista de fetiches materiais na Harvard College Munch, a associação estudantil de BDSM , onde educou outros membros sobre couro, látex, spandex e outros fetiches relacionados em uma época em que o grupo foi caluniado por Bill O’Reilly na Fox News (uma rede conservadora estadunidense) como um “clube de sexo” patrocinado pela universidade.  

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Preston “wexx” So tem fetiche por látex e foi o primeiro Mr. International Rubber asiático
Kirk Lorenzo
Preston “wexx” So tem fetiche por látex e foi o primeiro Mr. International Rubber asiático


Preston está difundindo o fetiche por látex no Brasil este mês e aceitou dar uma entrevista para a coluna. Confira o bate papo: 

Fauto Fardado: Qual o histórico breve da cena rubber e como você encara a cena atual pelo mundo?

Preston “wexx” So: A cena gay de rubber começou a partir dos anos 70 e 80 e foi influenciada pela comunidade de couro. Inicialmente, o fetiche envolveu roupas menos apertadas, por exemplo capas de chuva (mackintosh) e drysuits. Nas últimas duas décadas, o número de produtores de roupas de látex aumentou, principalmente na América do Norte e na Europa, e atualmente a comunidade mundial está crescendo na América Latina e na Europa Oriental. 

Tenho viajado pelo mundo todo este ano para conhecer as comunidades de rubber de vários países. Cada comunidade tem características distintas, seja na Polônia, na Austrália, ou no Brasil. Porém, o que mais distingue a cena mundial é a entrada de milênios que estão introduzindo uma evolução do fetiche. Há também um renascimento na cena rubber de forma mais inclusiva, por exemplo concursos para mulheres e a presença de pessoas de várias raças.

 Fausto Fardado: O que é o concurso Mr Rubber Internacional e qual a sua importância?

Preston “wexx” So: O Mr. Rubber Internacional é o concurso mais importante na cena rubber e é considerado o análogo do International Mr. Leather. Os dois acontecem em Chicago, a capital de sadomasoquismo e fetiche gay nos Estados Unidos. Em 1992 foi criado o concurso Mr. Vulcan Rubber em Boston, na Nova Inglaterra, e aqueles primeiros anos deixaram um legado indelével na cena fetiche e na comunidade gay.

Em 1996 o concurso se mudou para Chicago e foi renomeado Mr. International Rubber. Sou o vigésimo detentor do título e competi com mais oito pessoas de várias regiões do mundo, entre elas o Reino Unido, a Holanda, a Austrália, a Espanha, e os Estados Unidos.

Fausto Fardado: Qual a sua relação com o Brasil e com a cena fetichista aqui?

Preston “wexx” So: Morei no Brasil, principalmente em Minas Gerais, onde fiz intercâmbio, e na cidade de São Paulo, onde ensinei inglês. Porém, não sabia que existia uma cena fetichista tão forte aqui que cresceu com muita rapidez nos últimos anos. Já tinha conhecido algumas pessoas espalhadas pelo Brasil em várias cidades como Fortaleza e São Paulo. E tive noção que existia algumas lojas a festas.

Após o concurso internacional, resolvi visitar o Brasil por conta da minha relação próxima com o País. Entrei em contato com o pessoal do Eagle São Paulo e o Dom Barbudo, Mr. Leather Brasil, para me disponibilizar para um evento de rubber aqui em São Paulo.

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Fausto Fardado: Você pretende expandir o concurso Mr Rubber para o Brasil? Vê potencial

Preston “wexx” So: Antes da minha vinda, a percepção de algumas pessoas com quem entrei em contato era que a cena de rubber não tinha amadurecido suficientemente para sustentar um concurso Mr. Rubber Brasil anual. Afinal das contas, o concurso Mr. Leather Brasil deste ano foi o primeiro concurso de fetiche que já aconteceu neste país. 

Entretanto, fiquei muito surpreendido ao saber que algumas pessoas viajaram de Campinas e até de Vitória para participar do evento só por conta da oportunidade de conhecer um pessoal de rubber brasileiro. Isso foi muito empolgante para mim, e me dá certeza de que há uma estrutura que conseguirá organizar um concurso nos próximos anos. Quanto mais ligamos diversas regiões pelo Brasil todo, mais a comunidade se fortalece. 

Estou muito ansioso para colaborar com os rubberistas brasileiros na realização de um concurso Mr. Rubber Brasil ano que vem. 

Fausto Fardado: Como você começou a se interessar por Rubber? Qual o caminho?

Mais um exemplo de fetiche por látex
cortesia Estúdio Brenno Furrier/www.brennofurrier.com
Mais um exemplo de fetiche por látex

Preston “wexx” So: Todo mundo tem uma história diferente, mas similar. Na maioria deles, como a minha, acontece que umas fotos de atletas vestidas de roupa apertada ou umas imagens de bondage e “total enclosure” nos fazem reagir de forma sexual, sem entendermos o porquê. Aos doze anos, me apaixonei pelos wetsuits e pelas roupas de speedskating e ciclismo. Poucos anos depois, comecei a ver fotos de homens vestidos de látex e entrei formalmente na comunidade ao me matricular na faculdade. Agora faço parte de várias comunidades mundiais, todas unidas pela paixão pelo látex.

Fausto Fardado: Existe hoje uma separação nos concursos gays e hétero fetichistas. Como você encara isso? O que pensa?

Preston “wexx” So: Estamos lidando com esse problema nos Estados Unidos há muitos anos, e já está surgindo uma bifurcação preocupante entre os eventos gays e héteros. Conheço vários fetichistas gays que nem sequer entraria em um evento onde haja mulheres ou transsexuais, o que me irrita muito. Dentro do universo do fetiche, essa atitude já separou a comunidade de látex em duas partes culturais: uma de gay e uma de hétero. A minha opinião é que precisamos nos unir para que consigamos enfrentar os preconceitos que a sociedade tem em relação aos fetichistas.

Para saber mais sobre fetiche, clique aqui e acompanhe a coluna do Fausto Fardado no iGay

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