Tamanho do texto

Fausto Fardado comanda a coluna Masmorra do Fausto no iGay. Por aqui ele fala sobre Leather, BDSM e outros fetiches

Uma primeira sessão BDSM gay geralmente é um acontecimento muito marcante para a pessoa que nunca teve contato com as práticas de Dominação e Submissão . Vale a pena salientar que, como em qualquer relação, inclusive eróticas e sexuais, é difícil para alguém que nunca vivenciou esta prática saber exatamente como se portar e se todo o processo vai ocorrer a contento para ambas os lados.

Leia também: BDSM, Leather e fetiche: isso é estilo de vida ou estética? Quais as diferenças?

Primeira vez na Dominação é envolvida por extrema ansiedade, principalmente por parte do candidato a Submisso
Mestre Guto Lemos – www.mestregutolemos.com
Primeira vez na Dominação é envolvida por extrema ansiedade, principalmente por parte do candidato a Submisso

Geralmente, o acontecimento é envolvido por extrema ansiedade, principalmente por parte do candidato a Submisso, certo grau de medo, tensão e tesão, por muitas fantasias e expectativas, além de muitas dúvidas que valem a pena aqui serem sanadas. É sobre Dominação e Submissão que vamos falar hoje.

Do primeiro Contato à Sessão

Afinal, como se conhece um Mestre/Dominador e como se marca a primeira sessão? Existem hoje alguns meios onde o contato entre as partes interessadas pode acontecer. A internet, obviamente, é o mais comum deles. Existem aplicativos de relacionamentos gays e redes sociais aonde os respectivos interesses de cada usuário são apresentados em seus perfis. Neles podem se encontrar praticantes de BDSM e fetiches em geral. Outros locais de contato são festas do meio que se realizam periodicamente.

Outra dúvida frequente é sobre a primeira conversa. Quais as regras? Para um primeiro contato não existem protocolos definidos, sendo que, geralmente, o Dominador dá o tom da conversa e o diálogo pode variar de acordo com o perfil do Dominador.

Alguns Dominadores podem ser mais litúrgicos, ou seja, podem seguir formas de diálogo mais rígidas, disciplinadoras e hierarquizadas, outros mais didáticos, mais reservados ou calados e que não seguem modelos pré-estabelecidos de diálogo. Alguns são mais ríspidos verbalmente, outros menos, por isso é importante estabelecer bem o perfil do Dom com quem se deseja estabelecer algum tipo de comunicação, e para isso é necessário existir tesão pela forma de comunicação proposta pelo Dom.

Vale lembrar que comunicar não é apenas trocar informações, mas estabelecer vínculos. Sendo assim, é de bom grado que o candidato a Submisso queira, antes de mais nada, saber quais são as práticas e a forma como o Dominador em questão executa e gosta.

É importante lembrarmos aqui também que, assim como nas relações convencionais, no BDSM é muito comum encontrarmos candidatos a Sub que, ao procurarem um Dominador, estão interessados apenas para satisfazer as suas próprias vontades, sem se preocupar com o outro.

Isso, se não for ingenuidade – compreensível, mas desnecessária –, se chama egoísmo e está longe de ser Submissão, mesmo que teatralizada.

Leia também: A fotografia homoerótica e a estética LGBT

Essa atitude, muitas vezes mais ou menos consciente, já de antemão inviabiliza uma relação de entrega, submissão e troca. Sendo assim, é mais fácil e honesto, por parte do iniciante, buscar informações sobre as práticas específicas do Dominar ao qual pretende conhecer e averiguar se as mesmas são compatíveis com os seus desejos.

Não faz muito sentido um indivíduo que se propõe a ser submisso, querer adequar à força, o Dominador aos seus anseios e este tipo de relação como qualquer outra, deve agradar aos dois lados.

É possível expor os próprios sentimentos e anseios ao Dom?

A resposta é sim! Deve! Um diálogo franco é sempre bem-vindo, ele demonstra sabedoria e maturidade de ambas as partes, sendo um direito do Submisso fazer perguntas ao Dominador para sanar suas dúvidas principalmente no que diz respeito à sua própria segurança, antes da entrega efetiva. Para isso, como disse, vale a pena certo grau de bom senso, respeito, ética e responsabilidade.

Muitas vezes, é necessário um tempo para que ambas as partes se conheçam pessoalmente e se afinem. Esse tempo pode variar de acordo com o casal, mas deve ser entendido como algo necessário para que construa uma relação de confiança e cumplicidade. Vale também lembramos aos candidatos que o Dominador também tem família, trabalho, vida pessoal e horário de descanso, então o primeiro encontro às vezes pode demorar um pouco.

E não estranhem se mesmo depois de tudo isso na hora “H” a insegurança bater! É perfeitamente compreensível, natural e pode acontecer com qualquer pessoa. De qualquer forma, vale a pena tentar. Afinal, o que vale é o autoconhecimento!

Para saber mais sobre fetiche, BDSM, Dominação e Submissão, Leather e temas relacionacionados a esse universo, clique aqui e acompanhe a coluna Masmorra do Fausto no iGay .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.