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Fausto Fardado comanda a coluna Masmorra do Fausto, que estreia nesta sexta-feira no iGay. Por aqui ele fala sobre Leather, BDSM e outros fetiches

Temas como erotização, cultura e estética Bdsm e Leather vêm crescendo nos últimos anos e ganhando curiosos e adeptos. Mas afinal, apesar de serem cada vez mais populares, o que significam os respectivos termos e quais as suas peculiaridades?

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Para começarmos a nossa coluna, creio que aqui valem algumas definições e diferenciações sobre estes assuntos polêmicos, como BDSM e outros fetiches, que geram bastante discussão justamente por mexer com a fantasia de muitos de nós.

Então vamos lá:

BDSM

BDSM envolve diversas práticas e pode incluir roupas e acessórios especiais
Arquivo pessoal
BDSM envolve diversas práticas e pode incluir roupas e acessórios especiais

É um anacronismo para Bondage, Disciplina e Sadomasoquismo. Trata-se mais especificamente de práticas eróticas (ou seja, são práticas entre casais, que são geralmente estéticas, e geram certo grau de tensão e ansiedade  e que compõem as preliminares de uma relação) que podem ou não envolver Bondage (técnicas de imobilização como algemas, cordas, sacos de couro, camisas de força, vendas, entre outros acessórios), Disciplina (onde na erotização de uma relação, os membros envolvidos na prática respeitam protocolos, hierarquias de Dominação e Submissão e práticas codificadas e ritualizadas), e Sadomasoquismo (práticas que envolvem algum tipo de dor e prazer ou estímulo físico ou psicológico relacionados à submissão, humilhação ou objetificação).

Legal deixarmos claro aqui que essas práticas são sempre consensuais , seguidas da sigla SSC (São, Seguro e Consensual), e nem sempre são seguidas de relações sexuais propriamente ditas.

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Cultura do Couro

Exemplo de visual de adepto da cultura Leather
Cortesia Rogério Leather
Exemplo de visual de adepto da cultura Leather

Já a cultura Leather  é um tipo de (Sub)cultura e comportamento geralmente mais encontrado nos meios homossexuais, onde seus membros são adeptos da utilização de roupas e acessórios de couro, geralmente sendo essa estética relacionada às culturas Biker (motoqueiros), Militar, Cowboy ou Gladiador.

Esse tipo de comportamento se firmou nos anos pós segunda Guerra Mundial e estava intimamente ligado aos gays que queriam se firmar socialmente como másculos mediante sua orientação sexual, que no período era vista ainda por muitos como unicamente ligada a uma feminilização do indivíduo.

É muito importante lembrarmos que as Culturas BDSM e Leather são culturas diferentes que podem ou não estar relacionadas, ou seja, muitos praticantes de uma também são membros da outra cultura e vice versa, mas isso não é uma regra. 

Comportamento fetichista

Mas o assunto fetichismo é mais amplo e envolve outras práticas e ideias, que também podem ou não ter relação umas com as outras; veja mais detalhes:

Por fetichismo  podemos entender preferências ou práticas eróticas, onde a libido é focada para um objeto, um acessório, uma parte do corpo específica, ou uma conduta específica na relação. Os exemplos são muitos: fetiche por pés, luvas, botas, arreios de couro, capacetes e por aí vai.

Neste sentido, praticantes de BDSM e Leather Boys podem ou não ser fetichistas, tudo depende de seu vínculo erótico com objetos e acessórios na hora de uma prática efetiva.

Qual o ponto em comum?

Dadas as definições, é possível notar que a estética é algo comum entre todos os exemplos apresentados. Todos os grupos são formados, em maior ou menor grau, por estetas. Geralmente são pessoas sensíveis e que têm por necessidade afetiva e psíquica elaborar com o parceiro suas relações de forma mais performática e artística.

Sendo assim, esta coluna terá como finalidade nas próximas semanas apresentar ao público os respectivos universos acima, suas curiosidades, práticas, histórico e origens, vivências de praticantes, relações com a arte e a cultura, comportamento e tendências para assim desmistificar e contribuir para com aqueles que buscam entender, conhecer, se aproximar dos respectivos meios.

Compreender estas respectivas existências e seus estilos, pode contribuir para o exercício do autoconhecimento, da construção de identidade e da liberdade individual.

Para saber mais sobre fetiche, BDSM, Leather e temas relacionacionados a esse universo, clique aqui e acompanhe a coluna Masmorra do Fausto no iGay

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