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Em tempos de discussão sobre a Amazônia, estudo mostra como a masculinidade frágil pode ser tóxica para o meio ambiente

Nas últimas semanas, a destruição da Amazônia tem sido o principal assunto no Brasil e no mundo. Enquanto o querido (soqn) presidente Jair Bolsonaro continua dando soluções sem pé e nem cabeça para o problema e só irritando ainda mais os ânimos da comunidade internacional, o meio ambiente segue em chamas, mas não só no Brasil.

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Vocês acreditam que parte da degradação do planeta pode ser resultado do comportamento machista de boa parte dos homens? É isso que mostra uma pesquisa recente realizada pela Sex Roles e publicada no periódico britânico The Independent. Segundo o estudo, existem muitos homens (com masculinidade frágil) que evitam ter atitudes ecologicamente corretas, por medo de "parecerem muito gays ".

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Greenpeace/Reprodução
Preocupações como separar o lixo são consideradas "muito femininas" para boa parte dos homens. Fazê-las pode dar um sentimento de que eles são gays


Enquanto parte do mundo faz campanhas para evitar o uso de sacolas plásticas, a pesquisa mostrou que muitos caras deixam as sacolas reutilizáveis (ecobags) de lado porque, pelos olhos dos outros, isso pode parecer uma preocupação um tanto quanto feminina demais. É como se a gente ainda vivesse naquele tempo das cavernas, quando homem para ser macho tinha que arrotar, coçar o saco e bater em mulher.

Preocupação em separar e reciclar o lixo ? Nem pensar! Se eu tiver esse cuidado com o aquecimento global, meus vizinhos vão achar que eu sou homossexual. (?!?) Pode parecer bizarro, meus caros, mas é isso que pensam os quase 1 mil homens que participaram da pesquisa.

Ao jornal The Independent, a psicóloga Janet K. Swim comentou o resultado do estudo dizendo que "existem padrões de gênero bobos com consequências terríveis  como essa. Pessoas que evitam algumas atitudes pela impressão que os outros terão deles. Se ser visto como homem e heterossexual é importante para essa pessoa, ela pode chegar a evitar comportamentos pró-ambientais que não se adequam à expectativa de seu gênero".

Isso me fez lembrar daquela época em que o número de casos de câncer de próstata aumentou no Brasil porque os ditos cujos não admitiam que os médicos fizessem o exame retal (ou o famoso dedo no ânus), pois isso os fariam "menos homens". Pobres vítimas da masculinidade tóxica. E, neste caso agora da natureza, tóxica de verdade.

Depois de ler sobre a pesquisa, fui pensar melhor se isso de fato se aplica. Para minha surpresa, não precisei pensar muito. Andando pelas ruas de Bangkok - a cosmopolita capital da Tailândia, onde moro há quase 4 anos -, é chocante perceber que em bairros onde os moradores vêm de uma tradição mais machista (como os indianos e muçulmanos), os mercados ainda utilizam muito plástico e o lixo é espalhado de qualquer jeito pelas ruas.

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GQ/Divulgação
Machos com masculinidade frágil preferem usar sacolas de plástico, por considerarem ecobags "muito gays".


Enquanto isso, em bairros de maioria tailandesa - sociedade que respeita as diferenças de gêneros e onde a homossexualidade não é vista como algo nocivo -, é comum ver homens realizando atividades de limpeza nas calçadas, separando o lixo e até mesmo indo às compras com sacolas de algodão reutilizáveis.

É triste que até quando se trata do meio ambiente esses papéis de gênero sejam uma barreira em potencial. Até quando o machismo - e todos os comportamentos nocivos que resultam dele - vai continuar a destruir a sociedade?

Lutemos pela Amazônia, claro! E, se for o caso, seja um hétero com "atitudes mais femininas" e lute também pelo meio ambiente e pela sustentabilidade. Afinal, se isso é associado a um " comportamento gay ", mais um motivo para nossa imensa lista de orgulhos por sermos LGBTs.

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FILME SOBRE TRANS PREMIADO EM GRAMADO

O curta-metragem Marie - dirigido pelo pernambucano Leo Tabosa e protagonizado pela atriz trans Wallie Ruy - levou quatro prêmios no Festival de Cinema de Gramado, a mais importante premiação do país.

O filme mostra a história de uma mulher trans que, depois de 15 anos, precisa voltar à sua cidade natal para enterrar seu pai. Em seu discurso de agradecimento, Wallie alertou para a violência contra a comunidade trans no Brasil. Assista:

ROSTO DA CHANEL TAMBÉM É TRANS

Depois da Victoria’s Secret com a brasileira Valentina Sampaio, foi a vez da Chanel assinar seu primeiro contrato com uma modelo trans, a norte-americana Teddy Quinlivan , que ficou conhecida em 2017 após se assumir em resposta ao governo Trump, que é contrário aos direitos da comunidade transgênero nos Estados Unidos.

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Chanel/divulgação
Teddy ficou conhecida ao bater de frente com o governo Trump.


ATORES DE BANANAS DE PIJAMAS ERAM UM CASAL GAY

Pouca gente sabia, mas uma das séries mais importantes dos anos 1990 foi protagonizada por um casal homoafetivo. Mark Short e Ashley - que interpretavam os protagonistas B1 e B2 no seriado  Bananas de Pijama , revelaram à imprensa esta semana que são um casal há mais de 26 anos. Eles contaram que se conheceram nas gravações e não se desgrudaram mais desde então.

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Youtube/Reprodução
Casal se conheceu nas gravações do programa, há 26 anos, e estão juntos desde então.


TAYLOR LEVA A MELHOR COM HINO LGBT

Autora do hino LGBT do ano, a cantora Taylor Swift surpreendeu no Video Music Awards (VMA), com uma forte mensagem contra a LGBTfobia durante sua performance com You need to calm down, na abertura da premiação da MTV. A canção fala sobre pessoas que praticam bullying na internet contra grupos marginalizados, especialmente a comunidade LGBT.

Iluminada com um imenso arco-íris, a apresentação teve a participação do cantor Todrick Hall, amigo e um dos principais responsáveis pela atual postura da cantora sobre os direitos LGBTs. You need to calm down faturou os prêmios de "Clipe do ano" e "Vídeo por uma boa causa".

Taylor projetou ainda uma chamada para que as pessoas apoiassem a aprovação do “Equality Act”, votação na Suprema Corte dos EUA, que irá analisar se a orientação sexual e identidade de gênero poderão ser enquadradas na Lei de Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação no local de trabalho.

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