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Enquanto o mundo se posiciona sobre a destruição da natureza, o presidente está mais preocupado com o muro que constrói ao redor dos LGBTS

Enquanto o mundo está em alerta para a Amazônia se acabando em chamas, eis que me choco ao ler as notícias aí no Brasil e ver que o governo do senhor Jair Bolsonaro continua mais preocupado em levantar o muro ao redor da comunidade LGBT . A última foi que o edital para financiar séries temáticas para TVs públicas foi suspenso depois que o presidente criticou os projetos LGBTs que estavam pré-selecionados.

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Cena do filme Afronte arrow-options
Afronte/Divulgação
Uma das produções criticadas por Bolsonaro, Afronte mostra a vida de LGBTs negros em Brasília

As obras escolhidas para o concurso seriam bancadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). O edital foi aberto em março  com previsão de R$ 70 milhões - desses, produções das categorias "diversidade de gênero" e "sexualidade" levariam R$ 400 mil caso selecionadas. A suspensão foi assinada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, e publicada no Diário Oficial desta quarta-feira.

Na semana passada, em uma live, Bolsonaro criticou os projetos da Ancine e exibiu uma lista de produções LGBTs e sobre minorias que seriam financiadas pela agência. "Conseguimos abortar essa missão", afirmou ele na ocasião. As obras citadas pelo presidente no vídeo são Afronte, Transversais, Religare queer e Sexo reverso.

Em entrevista a um jornal do Rio na semana passada, o diretor de Transversais - que narra a história de cinco transgêneros no Ceará -, Émerson Maranhão, condenou a fala de Bolsonaro, taxando o ato como censura à cultura LGBT.

Quem também não ficou calado foi o dramaturgo Aguinaldo Silva, famoso autor de novelas, como O sétimo Guardião. Em seu Facebook, ele comparou a situação atual aos momentos difíceis que passou durante a ditadura militar, temendo que a nova geração dos LGBTs brasileiros corra o risco de viver o mesmo.

"Pelo andar da carruagem, em breve, os gays terão que se esconder nos guetos ou fugir da polícia de novo, como acontecia nas décadas de 60/70. Já vou começar a exercitar minhas pernas”, comentou Aguinaldo, que sofreu bullyng por ser gay quando era criança.

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LGBTs na TV asiática

ator Mark Siwat em cena do drama gay Love by Chance arrow-options
Reprodução/Youtube
Mark Siwat (esquerda) é estrela de vários dramas gays na Tailândia e visitará fãs no Brasil em outubro

Em contrapartida, aqui na Ásia as produções de temática LGBT só vêm ganhando mais espaço nas grades de programação. Só na Tailândia, país onde eu moro, temos a nossa própria versão de Ru Paul Drag Race, programas semanais de namoro para LGBTs, novelas e seriados especialmente para esse público, alguns em horário nobre.

As chamadas produções "BL" (sigla para Boys love) podem variar entre ter apenas casais homossexuais ou mixar entre homos e héteros, mas tendo sempre o drama do relacionamento como foco principal. Andei pesquisando que algumas são tão famosas aí no Brasil que o astro teen Mark Siwat (do drama gay Love by Chance) tem um evento marcado com fãs em São Paulo no mês de outubro.

Enquanto Bolsonaro corta, a Netflix investe. Depois de várias produções de sucesso voltadas para esse público (Sense 8, Crônicas de São Francisco, entre outras), o serviço de streaming vai lançar em breve uma nova série tailandesa, chamada The Stranded, que também contará com a participação de Mark Siwat.

Ficou curioso para conferir outras produções (de qualidade) voltadas para os LGBTs aqui na Tailândia, mas que já fazem sucesso mundo afora - e podem ser encontradas facilmente no YouTube, com legendas em português? Podem fazer uma busca por 2 Moons, Sotus e Bad Romance. Essa última fez tanto sucesso por aqui que ganhou um spin-off só com um casal de personagens secundários: Together with me.

Torcida para todos

casal gay de torcedores do Flamengo se beija no estádio arrow-options
Reprodução/Facebook
Torcida do Vasco quis difamar, Flamengo respondeu com respeito

E não é que o (antes) machista universo do futebol está abrindo espaço cada vez mais para a discussão a respeito da diversidade? Em uma postagem na semana passada, a torcida do Vasco da Gama mostrava uma imagem de dois torcedores com camisas do Flamengo se beijando no estádio. A reação da torcida do Flamengo foi louvável, em comunicado oficial:

“A torcida do Vasco está divulgando esta imagem para tentar ofender a torcida do Flamengo… Então resolvemos nós mesmos postarmos esta foto e dizer… NOSSA TORCIDA É DE TODOS! Não à homofobia, não ao preconceito!”.

Beijo gay nos emirados árabes

O vocalista da banda The 1975, Matty Healy, desafiou a legislação homofóbica de Dubai, nos Emirados Árabes, ao beijar um fã durante um show que fazia na cidade, que além de ter uma política contra propaganda LGBT, pune a homossexualidade como crime com até 10 anos de prisão.

Mesmo se afirmando hétero, Healy disse não se arrepender do ato e que faria tudo de novo. Felizmente, ele não foi punido, mas acredita que não voltará a fazer show nos Emirados novamente. Em março, a girlband Little Mix também deu o que falar ao exibir uma bandeira LGBT num telão durante apresentação em Dubai.

Andando sobre o arco-íris

Cartaz da campanha e líderes de Lamberth, em Londres, na faixa de pedestres do orgulho LGBT arrow-options
Reprodução/Twitter
Prefeitura do Distrito de Lamberth, em Londres, fez até campanha para promover a primeira faixa de pedestres permanente com as cores do arco-íris nas redes sociais

Boa parte das cidades que abraçam as campanhas do Mês do Orgulho pintam faixas de pedestres com as cores do arco-íris temporariamente, para homenagear a luta dos LGBTs. Mas Londres acaba de ganhar uma faixa permanente, em Lamberth, no sul da capital britânica, distrito conhecido pelo respeito e inclusãp da comunidade LGBTQI+ . A prefeitura local fez até uma campanha (Walk the rainbow) para convidar as pessoas a compartilharem imagens cruzando a faixa em suas redes sociais. 

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A história de dandara em livro

O assassinato da transexual Dandara dos Santos, no Ceará, em fevereiro de 2017, chocou o Brasil após as imagens brutais do espancamento acabarem viralizando na internet. A história dela acaba de virar livro, lançado nesta quarta-feira, na Bienal do Livro do Ceará. O casulo Dandara foi escrito por Vitória Holanda, amiga de infância da travesti que acabou virando mais um símbolo da luta contra a LGBTfobia no país.  

A diaba urias

No último ano, a cantora trans Urias tem mostrado que merece ser conhecida muito além do que "a amiga de Pabllo Vittar". Depois de alguns covers e um feat no último álbum da diva drag, Urias acaba de lançar Diaba, primeiro single de seu aguardado primeiro EP, que deve ser lançado ainda neste ano. Tanto a voz quanto a letra são poderosas e merecem o clique abaixo!