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Documentário Seahorse abocanha prêmios mostrando um jornalista que parou de tomar hormônios para realizar seu sonho de ser pai

Vocês sabem que no universo dos cavalos-marinhos é o macho que "engravida", não é? Não por acaso, Seahorse (cavalo-marinho, em inglês) foi o nome escolhido para o documentário que vem dando o que falar no mundo afora e levando prêmios por onde passa - como festivais de cinema de São Francisco, Tribeca, Vancouver, Portland e Melbourne -, com a história real de um homem trans durante o processo de gestação.

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Youtube/Reprodução
Protagonista decidiu parar com o tratamento de hormônios para engravidar de seu filho biológico.


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O "cavalo-marinho" do título é Freddy McConnel, jornalista do periódico britânico The Guardian, que sempre teve o sonho de ser pai. Por sorte, já pude conferir a produção, que derruba o mito de que um homem trans se torna infértil apenas por conta dos hormônios que toma. Afinal, porque uma pessoa trans não pode ter esse direito?

Como teve uma gravidez planejada o protagonista decidiu parar com o tratamento de hormonização para facilitar a fecundação e, assim, conseguir engravidar. O documentário mergulha fundo nos efeitos (psicológicos, emocionais e físicos) que a interrupção do tratamento traz para a vida de McConnel, mas que a vontade de gerar seu filho biológico era muito maior que esses obstáculos.

Opinião unânime da crítica especializada é que a mãe do jornalista, Esme McConnel, é papel importante no longa, dando a ele todo o apoio durante o processo. As semanas passam, os enjoos e outros sintomas da gravidez começam a aparecer ao mesmo tempo que Freddy reflete sobre ser um homem transgênero passando por tudo aquilo. Acho que muita gente vai passar quase todo a duração da película se perguntando "por que?".

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The Guardian/ Reprodução
Ao longo da produção, jornalista do The Guardian reflete sobre seu papel de homem trans e pai.


Em parte do documentário, ele desabafa: "Me sinto um homem da mesma forma que sempre, só que agora fazendo algo totalmente estranho. Meio um alien". Em entrevistas, a diretora Jeanie Finlay destacou que o filme é, acima de tudo, uma história de família, de amor e sobre todo tipo de relacionamento.

Ainda sem previsão de estreia no Brasil (onde deve ser exibido apenas em festivais ou no "circuito de arte"), Seahorse chega aos cinemas britânicos no dia 30 de agosto. Confiram o trailer emocionante do documentário:

 LGBTQI+ NO MERCADO DE TRABALHO

A jornalista Maíra Reis é a criadora de uma startup criada para ajudar os LGBTQI+ a se inserirem no mercado de trabalho. O Camaleao.co é um banco de talentos gratuito para acesso a empresas preocupadas em incluir diversidade em seu quadro de funcionários. Basta preencher um formulário com seus dados e experiências profissionais que seu currículo já fica automaticamente disponível.

Em entrevista recente, Maíra contou que deve lançar até o fim desde ano um aplicativo com o intuito de atender melhor a comunidade trans e ampliar o serviço em cidades do interior, onde as oportunidades de emprego são menores. Acesse pelo https://camaleao.co/

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monster.com/Reprodução
Startup gratuita propõe formar banco de dados para empresas que queiram investir na diversidade.


LGBTFOBIA LONGE DE ACABAR

Parece que a criminalização da LGBTfobia não inibe agressores no Brasil. Na noite da última terça-feira, uma garota de 19 anos foi espancada por dois homens em Praia Grande (SP). Conforme relatos no Facebook, Yanca Rodrigues foi abordada por dois homens que a agrediram e a colocaram dentro de um veículo.

“Ele disse que se eu quisesse ser igual um menino eu ia apanhar igual um menino", disse a vítima. A garota teve ferimentos no rosto, na costela e nas pernas. Ela passou por atendimento num hospital da região e está em recuperação. O caso segue sob investigação.

VOCÊS PRECISAM SE ACALMAR

Um dos hinos da comunidade LGBTQI+ da atualidade, o hit You need to calm down, da cantora Taylor Swift foi usado num grande protesto contra a política anti-LGBT que tem ganhado cada vez mais força na Polônia. O clipe criado por ativistas conta com algumas personalidades do país, como o vice-prefeito da capital (Varsóvia), Paweł Rabiej e o top model Radek Pestka.

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A situação na Polônia está tão complicada que um jornal do governo começou a divulgar e distribuir adesivos para marcar lugares onde "LGBTs não são permitidos". Só para se ter uma ideia, desde a Segunda Guerra Mundial a Europa não tinha zona criadas especificamente para proibir a circulação de grupos minoritários. Assista ao clipe: