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Decisão foi tomada após consulta pública. Nação mais progressista da Ásia tem aulas anti-discriminação nas escolas

Enquanto no Brasil certos políticos ainda perdem tempo discutindo se menino só pode usar azul e menina cor de rosa, em  Taiwan  - a progressista ilha asiática - um colégio autorizou oficialmente que os alunos do gênero masculino usem  saia  caso queiram. A decisão sobre os novos uniformes da Escola Banqiao, em Taipei, foi tomada após consultas com os próprios alunos, pais e uma espécie de "julgamento" com o corpo docente.

meninos usam saia em colégio em Taiwan arrow-options
Reprodução/Facebook
Imagens de garotos usando saia viralizaram e resultaram no debate público

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Um funcionário da escola disse a veículos locais que o comprimento das saias para os meninos gerou mais discussão do que o fato delas serem permitidas ou não. Segundo as novas diretrizes do colégio, elas não devem passar de 10 centímetros acima dos joelhos.

Garotos que estudavam na escola já usavam saias em eventos específicos, como as festas de aniversário e algumas datas comemorativas. Eles faziam isso justamente para chamar a atenção para a quebra de estereótipos de gênero e levantar a bandeira da liberdade individual de cada um poder usar o que lhe faz bem.

Os estudantes postaram fotos desses eventos nas redes sociais, que acabaram viralizando, o que levou ao início do debate público sobre o uso das saias. Desde 2004, nos colégios de Taiwan se discute questões de gênero e em alguns há aulas anti-discriminação. Olha só que sociedade dos sonhos!

A nova política de uniformes já passará a ser adotada no próximo ano acadêmico e foi elogiada por representantes do Ministério da Educação e do próprio presidente, Tsai Ing-wen, sempre lembrado por ser um grande defensor dos direitos LGBTQI+ : "Se as meninas podem fazer, os meninos também. Os escoceses não usam saias?", questionou.

A Tailândia, o país onde moro, também é um exemplo de respeito à diversidade. Mas ainda está a anos de distância de Taiwan, reconhecido internacionalmente como o país mais progressista da Ásia, por isso frequentemente é assunto aqui na coluna.

Pesquisas já apontaram que a ilha é o melhor para se viver sendo LGBT no continente. Fora que em maio deste ano, foi o primeiro lugar da Ásia a permitir o casamento homoafetivo. Taiwan é modelo para o Brasil, aula de como educar e respeitar a diversidade.

Mudando de assunto... 

Suécia nega asilo a gay iraniano

Iraniano Mehdi (Christian) com amiga em parada do Orgulho de Estocolmo arrow-options
Reprodução/Instagram
Christian virou ativista LGBT na Suécia, mas terá que voltar ao Irã, onde ser gay é crime

Outro caso que ganhou destaque nas redes sociais esta semana foi o que a Suécia rejeitou o pedido de asilo de um jovem gay iraniano . Mehdi Khoda (também chamado de Christian), de 19 anos, agora teme ser executado em seu país, onde ser homossexual é crime. Se ele não sair por conta própria, pode ser deportado a qualquer momento.

Depois que sua irmã trans fugiu para Estocolmo e conseguiu asilo há alguns anos, Christian a seguiu em 2017, na esperança de receber a mesma proteção. Lá virou ativista LGBT e conheceu o namorado, um italiano de 23 anos, com quem está junto há um ano e meio. Ao Gay Star News, ele desabafou: “Não posso viver como gay no Irã. Eles não vão entender. Vão me matar!“.

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Para todos os gêneros

O ativista Harvey Milk foi o primeiro LGBTQI+ no mundo a ser escolhido para batizar o terminal de um  aeroporto , que foi inaugurado nesta semana em São Francisco (EUA). O mais bacana é que o local é o primeiro num aeroporto do país a ter banheiros sem distinção de gêneros. O Harvey Milk teve um investimento de quase R$ 9 bilhões e ainda conta com quarto de descanso para pets.

Ativistas russos com medo 

Depois da morte de Yelena Grigorieva , defensora dos direitos LGBT na Rússia, no último domingo, outros ativistas pediram maior proteção da polícia. É que, assim como Yelena, eles sofreram ameaças de morte recentemente e aparecem numa lista de um site de grupos que incitam a violência contra a comunidade LGBT. Chocante imaginar que isso ainda acontece e o governo não faça nada.

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Para o ódio dos LGBTfóbicos 

ator Rafael Infante arrow-options
Divulgação/Globo
Rafael Infante viverá um gay enrustido pelo medo de atrapalhar sua carreira de galã de TV


Vai ter muita gente seguidora da bancada opressora gritando boicote à Globo novamente a partir desta segunda-feira, quando estreia a nova trama das 19h,  Bom sucesso . É que a novela vai contar com quatro personagens LGBTs. Rafael Infante (conhecido pelo canal Porta dos Fundos) será um gay enrustido , com medo de atrapalhar sua carreira como galã de TV.

Shirley Cruz vai viver uma lésbica negra e ativista contra o preconceito. Diego Montez será um estiloso diretor de marketing homossexual. Enquanto a atriz trans Gabrielle Joie viverá uma adolescente transexual durante o conflito da transição.

Fechando os olhos

Numa época em que o mundo todo se junta para discutir cada vez mais o combate ao HIV/Aids , o governo do presidente Jair Bolsonaro encerrou esta semana, os perfis do Departamento de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), Aids e Hepatites Virais nas redes sociais, principais meios de informação sobre o assunto. Agora, todas informações serão divulgadas através do perfil do Ministério da Saúde.

Diva Pan 

 Atriz Bella Thorne arrow-options
Reprodução/Instagram
Bella Thorne afirma que já havia perdido papéis quando tinha se assumido bissexual

Meses depois de assumir publicamente ser bissexual e viver uma relação poliamor, a atriz  Bella Thorne  - que ficou famosa com produções da Disney - revelou, em entrevista ao "Good Morning America", que na verdade é uma pessoa pansexual . "Eu não sabia disso", disse, explicando que não tem nenhum tipo de preferência sexual em relação à pessoa com que se envolve.

“Você gosta de pessoas. Não precisa ser um menino, uma menina, alguém não-binário, isso ou aquilo", afirmou. Bella já havia comentado na imprensa que teria perdido diversos trabalhos como atriz após ter assumido publicamente que era bissexual.

Drag no Congresso

Maebe A. Girl pode ser a primeira  drag queen  a chegar ao Congresso dos Estados Unidos. Ela tem ganhado destaque da mídia por disputar o cargo montada. "É claro que poderia concorrer sem estar em drag. Mas minha voz ganha mais força. As pessoas não conseguem te ignorar. A ironia nisso tudo é que, para a sociedade, nós somos completamente ignorados”, comentou à revista People, destacando a luta pelos direitos LGBTQI+.


Novos conflitos 

A galera do canal "Deu Merda" está prestes a lançar a segunda temporada da web-série "Você é o melhor de mim" - que narra conflitos sexuais e sociais de jovens LGBTs na periferia do Rio de Janeiro - no YouTube. O primeiro episódio do novo ano será exibido no dia 28 de julho na Casa de Cultura de Nova Iguaçu e chega na plataforma de vídeos no dia 30.

Confira um teaser: