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Lista de site especializado apontou "Moonlight" como a melhor produção dos últimos 10 anos e celebrou outras boas produções de temática LGBT

"'Moonlight' é eleito o melhor filme da década". Vocês já devem ter lido essa manchete na internet nos últimos dias. A lista foi elaborada pelo site internacional especializado em entretenimento IndieWire e chama a atenção por ter outros títulos oficialmente chamados LGBTs figurando no ranking.

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Pôsteres e cenas dos filmes Moonlight, Carol, Me chame pelo seu nome e Tangerine arrow-options
Divulgação/A24/ Studio Canal/ Sony/ Magnolia Pictures
Moonlight, Carol, Me chame pelo seu nome e Tangerine estão entre os destaques


Além do vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2017, aparecem na lista "Carol" (7º), "Me chame pelo seu nome" (18º) e "Tangerine" (57º). O que mais me anima em ver esses filmes sendo lembrados é pelo fato deles mostrarem LGBTs como gente de verdade, gente como a gente.

Deixa eu me expressar melhor. Há 17 anos, quando me assumi, as pouquíssimas referências que eu tinha como personagens LGBTs no cinema eram aqueles coadjuvantes que entravam em cena apenas para dar alívio cômico às comédias românticas. Nenhum deles tinha uma história forte ou era denso o suficiente para levar o público a pensar na vida de um gay.

Cena do drama Orações para Bobby arrow-options
Divulgação/Lifetime
Filmes de temática LGBT não precisam ser sempre trágicos, como Orações para Bobby

Depois, tudo que eu via eram LGBTs com finais trágicos - sendo vítimas de violência LGBTfóbica, depressão, suicídio ou Aids. Quem aí não lembra de "O segredo de Brokeback Mountain", "As horas", "Meninos não choram" ou "Orações para Bobby"? E quando não éramos vítimas de melodramas, acabávamos sempre com aquelas produções bobas sobre saída do armário.

Essa nova safra do cinema mais recente chegou para mostrar que LGBTs têm vidas como qualquer hétero. Também nos apaixonamos, sofremos por amor, perdemos amizades, lutamos contra as dificuldades financeiras. E essas produções citadas na lista apresentam esses personagens de uma maneira que toda a sociedade pode se identificar, não apenas os LGBTQI+.

Por exemplo, "Carol" - de longe, meu filme favorito de "temática LGBT". E eu uso aspas porque não é preciso ser lésbica para se identificar com a descoberta da paixão e o sofrimento de estar preso em um relacionamento que não te faz feliz, como acontece com as protagonistas do drama dirigido por Todd Haynes e estrelado pela diva Cate Blanchett.

Do mesmo jeito que o garoto de "Me chame pelo seu nome" que sofre ao se descobrir apaixonado por um homem mais velho e esse cara não poder corresponder e não deixar o menino se envolver tanto pela diferença de idade. Até "Tangerine," que mesmo mergulhando de maneira divertida no submundo das travestis e prostitutas dos Estados Unidos é uma brilhante crônica a respeito da amizade.

A Coreia do Sul não é um país lá tão tolerante entre os LGBTs, mas aparece também na lista do IndieWire com "A criada" (The Handmaiden, na 72ª posição), um suspense com personagens bissexuais não tão boazinhas assim.

cena do filme A Criada arrow-options
Divulgação/Mares Filmes
Personagens LGBT ganham papéis de destaque até nos cinemas de países mais conservadores, como A criada, da Coreia do Sul

Grande destaque dessa lista da década, "Moonlight" é brilhante por tratar de temas delicados e atuais como o racismo, a diferença de classes e a LGBTfobia . O mais forte, para mim, é como ele trata as dificuldades emocionais de ser um afro-americano no subúrbio. O fato do protagonista ser gay é apenas um adicional, não um peso.

Comédias bobas sobre saída do armário ("Com amor, Simon") ainda são necessárias. Claro! E também tem público para isso. Mas precisamos, sim, de mais filmes como os exaltados nesta lista, com protagonistas LGBTs fortes que causem empatia no público como um todo e sem aqueles finais trágicos que nos pintem de coitadinhos. O mundo mudou muito nos últimos 30 anos e, acredito, que é assim que queremos ser vistos.

Você pode conferir a lista completa do IndieWire

Vitória de homem trans no Pará

O paraense Rafael Carmo, homem trans de 26 anos, conseguiu através da Justiça uma liminar em caráter de urgência, para fazer a cirurgia de mastectomia  (retirada dos seios) por meio de um plano de saúde privado. O plano alegava que o processo era “meramente estético” e que, por isso, não estaria incluso no pacote contratado.

A Defensoria Pública afirmou que os documentos apresentados por Rafael preenchiam os requisitos do SUS, que exige que os transexuais brasileiros passem por um tratamento multidisciplinar, entre outros procedimentos pré e pós-operatórios, de modo a estar apto para o procedimento.

Enquanto isso, na Espanha... 

Com iniciativas cada vez mais progressistas, o Tribunal Constitucional da Espanha autorizou que menores trans “com suficiente maturidade” estejam aptos a se registrarem legalmente para mudança de gênero sem esperar completar 18 anos. Lá, pessoas transexuais de até 16 anos podem iniciar tratamentos hormonais sem permissão de seus pais.

Enquanto isso, em Cuba...

Em fato inédito em Cuba, um casal de transexuais sacramentou matrimônio civil em Havana. O problema é que tiveram que firmar a união com seus gêneros registrados legalmente em seus documentos. Na ilha caribenha, os LGBTs sofreram perseguição, principalmente nos anos depois da vitória da revolução, fato pelo qual o ex-presidente Fidel Castro pediu perdão.

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Enquanto isso, no Equador...

Um casal de lésbicas - Alexandra Chávez, de 41 anos, e Michelle Avilés, de 23 - foi o primeiro a oficializar um casamento entre pessoas do mesmo sexo no Equador. Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Uruguai e algumas partes do México já autorizam o casamento civil entre LGBTs.

Enquanto isso, na Rússia....

Christina Aguilera e casal gay na Rússia arrow-options
Reprodução/Youtube
Christina Aguilera deu a bênção a casal gay de fãs


Sempre defensora dos LGBTs,  Christina Aguilera  desafiou as autoridades russas ao dar sua bênção à união de um casal gay de fãs no meet & greet de sua turnê que passava por Moscou. Se vocês lembram, em 2013, Lady Gaga quase foi presa ao falar de direitos LGBTs durante show que fazia na Rússia, país declaradamente LGBTfóbico.

Enquanto isso, no Japão...

Ainda bastante conservador, o Japão elegeu esta semana o seu primeiro político gay para o parlamento nacional. O ativista LGBTQI+ Taiga Ishikawa ganhou uma cadeira para a principal oposição do Partido Democrático Constitucional do Japão (CDPJ) na Câmara. O país ainda não permite o casamento entre pessoas do mesmo gênero e suas leis também não contemplam proteções a cidadãos LGBTs contra discriminação.

Mais ataques homofóbicos no Brasil

Um morador da cidade de Urupês foi vítima de um ataque homofóbico na segunda-feira. Segundo a vítima, de 29 anos, um homem começou a xingá-lo e depois partiu para a agressão, com chutes e socos, fugindo logo em seguida. O rapaz foi socorrido e passa bem, mas o agressor ainda não foi identificado pela polícia. Já em Belo Horizonte, um cabeleireiro gay foi atacado pelo vizinho com um golpe de barra de ferro na cabeça.

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Paga caro por homofobia 

Galli e Bolsonaro em meio a jornalistas arrow-options
Reprodução/Galli.com
Ex-assessor do presidente vai ter que pagar mais de R$ 100 mil por danos coletivos

Homofóbicos, fiquem de olho! Victório Galli, ex-assessor do presidente Jair Bolsonaro, foi condenado pela juíza Celia Regina Vidotti a pagar cerca de R$ 104 mil de indenização por danos morais coletivos após declarações de alto teor discriminativo contra a comunidade LGBTQI+ e fazer política marginalizando homossexuais. Em uma das declarações, Galli disse que o Mickey e outros personagens Disney promoviam o “homossexualismo” (sic) entre as crianças.

Enquanto isso, na Polônia...

Se parte do mundo caminha a favor dos LGBTs, em nações como a Polônia campanhas contra a diversidade ganham cada vez mais força. No último fim de semana, extremistas agrediram participantes da primeira edição da Parada do Orgulho na cidade de Bialystok. Além de bater em ativistas, os agressores queimaram bandeiras do movimento. Cerca de 15 pessoas foram presas.

Ativista LGBT assinada na Rússia

A ativista LGBT russa Yelena Grigorieva foi encontrada morta perto de sua casa em São Petersburgo com várias facadas. Ativistas e a própria polícia local afirmaram que a vítima já havia feito diversas denúncias de que estava sendo ameaçada de morte, mas nada foi feito. Amigos reclamam da falta de ação da polícia no caso.

Todos contra o HIV 

Cientistas chineses vão testar uma nova  vacina contra o HIV em 160 voluntários. Esta será a segunda fase de testes do grupo e deve ser concluída em 2021. Caso se demonstre eficaz no estímulo da imunização, será testada em milhares de pessoas ainda no mesmo ano.

Já a Inglaterra vai ganhar uma comissão especial de combate ao HIV/Aids, que terá o apoio do governo inglês e deve avaliar novas formas de lutar contra a doença. A meta é que não haja novas transmissões do vírus até o ano de 2030.

Bem-vindo ao Vale

Um brasileiro é o novo amor do cantor Ducan James, que ficou famoso nos anos 2000 como integrante da boyband Blue. O romance foi anunciado pelo próprio artista, que tem 41 anos, no seu Instagram. “Uma pessoa linda por dentro e por fora. Obrigado por me fazer sorrir”, escreveu. Ele afirmou ainda que o namorado Rodrigo Reis o deu força para falar de sua sexualidade publicamente.


Nossa senhora das travestis censuradas

Após ter a apresentação da performance Coroação a Nossa Senhora das Travestis proibida pelo prefeito Alexandre Kalil na Virada Cultural de BH e ser bastante criticada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, a Academia TransLiterária soltou uma nota classificando o ato como censura e que não houve ao menos um diálogo antes do cancelamento.

"(...) Coroação de Nossa Senhora das Travestis: um atraque literário é uma celebração da potência que vive em cada travesti. Mas é também um encontro com todas as outras potências de todas as outras pessoas ali presentes, sejam trans, cis, hétero, homo, não binárias, intersexo ou como se identificam e seguem suas existências. Não queremos propor e nem mudar nenhuma religião. Não se trata de religião (...)".

A Academia encerra a nota dizendo estar aberta ao diálogo e que repudiam qualquer tipo de censura as artes no Brasil. Ainda ressaltaram que a apresentação seria importante por Minas Gerais ser um dos lugares que mais mata travestis e pessoas trans no mundo. "Mas, nós seguimos na luta! E vamos vencer no amor!"