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Agressores de rapaz homossexual em Goiânia podem pegar de um a cinco anos de prisão. Caso deve ser o primeiro enquadrado após a decisão do STF

Ao que tudo indica, a  agressão  sofrida por um rapaz de 24 anos em Goiânia (GO), no início do mês, deve ser o primeiro caso de  LGBTfobia  a ser enquadrado no crime de racismo no Brasil, após a lei aprovada pelo Superior Tribunal Federal (STF). A polícia identificou e prendeu os agressores, após populares os identificarem através de imagens divulgadas.

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 Imagem da câmera de segurança mostra vítima sendo perseguida pelos agressores arrow-options
Polícia de Goiânia/Reprodução
Vítima homossexual foi insultada e perseguida na rua, antes de receber soco no rosto

No último dia 6 de julho, Antônio de Oliveira Filho (24), caminhava em direção ao seu trabalho, por volta das 7h, quando foi abordado por três homens que começaram a insultá-lo. As imagens de câmeras de segurança mostram que a vítima tenta fugir, mas é alcançada por dois deles e ainda recebe um soco no rosto.

Em entrevista a veículos de imprensa locais, Antônio disse que por vários minutos foi xingado de "viado" e "bicha". "Falaram que eu tinha que morrer porque não é certo ser ‘viado’. Que eu era ‘viado’ porque eu não apanhei o suficiente quando eu era criança. Que eles iam me ensinar a ser homem na porrada", relatou a vítima.

A polícia inicialmente registrou o ocorrido como injúria e lesão corporal. Mas depois do depoimento da vítima e o exame de corpo e delito, o crime será alterado para se enquadrar na  Lei de Racismo . Caso seja provado que a motivação da agressão foi por discriminação pela orientação sexual da vítima, os dois rapazes (ambos de 20 anos) podem ser condenados de um a cinco anos de prisão.

O advogado dos agressores declarou que seus clientes "não são homofóbicos", pois "até têm amigos homossexuais". Quem aí não já está cansado de ouvir essa desculpa absurda como maneira de amenizar comportamentos machistas e preconceituosos? Eu só dou risada quando escuto uma dessas...

Assista as imagens da câmera de segurança:

O advogado ainda afirma que eles são "pessoas de boa índole, que convivem em sociedade em perfeita harmonia”. E por isso perseguem gente no meio da rua e as socam no rosto, não é? Felizmente, está tudo registrado nas imagens.

Caso na Inglaterra

Ryan Williams, antes e depois da agressão arrow-options
Facebook/Reprodução
Rapaz de 22 anos ficou inconsciente após receber chutes na cabeça ao sair do McDonald´s

Infelizmente, um caso semelhante aconteceu na Inglaterra no último fim de semana. Morador da cidade de Preston, Ryan Williams (22 anos), foi levado inconsciente para o hospital, após ser espancado com chutes na cabeça e no rosto depois de ter ouvido insultos por ser gay do lado de fora de uma lanchonete do McDonald´s. Um porta-voz da polícia local afirmou que o caso está sendo investigado como crime de ódio .

Já consciente, o rapaz fez um desabafo em seu Facebook: "Eu nunca pensei em minha vida que seria espancado por ser gay! Eu quero que as pessoas entendam que ser gay não é uma escolha e eu não posso evitar, eu sinto muito que você não possa lidar com isso, mas não precisa bater em alguém por causa disso!", escreveu o jovem.

O que mais me chamou atenção neste caso (confesso que até dei uma risadinha irônica) é que, vivendo na Inglaterra, Ryan escreveu que "nunca pensou que seria espancado por ser gay". Enquanto ele nunca pensou, milhares de brasileiros seguem se escondendo pelo constante medo de serem agredidos ou até mortos. Infelizmente, essa é a realidade dura e crua do país. Lembrando que o Brasil ainda é o país que mais mata LGBTs no mundo.

Por isso, é bom que este caso de Goiânia e outros venham a público para mostrar que a lei de criminalização da LGBTfobia não pode ficar apenas no papel. É mais uma ferramenta de apoio e segurança à comunidade LGBT no Brasil, para dar coragem às vítimas a denunciarem seus agressores. Esses crimes de ódio não podem e não vão ficar impunes.

Vestibular para trans é gongado

Alegria de LGBT dura pouco no Brasil. Depois de comemorarmos o anúncio do vestibular específico para pessoas transexuais e intersexo, o nosso querido presidente Bolsonaro anunciou em suas redes sociais (com direito a erros de português) que o Ministério da Educação suspendeu o projeto na Universidade de Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), de verba federal.

A inédita iniciativa iria oferecer 120 vagas para 15 cursos presenciais nos seus três campi da universidade, distribuídos no Ceará e na Bahia. Segundo o MEC, a "Lei de Cotas não prevê vagas específicas para o público alvo do citado vestibular" e disse que "a universidade não apresentou parecer com base legal para elaboração da política afirmativa de cotas".

Leia também: Bolsonaro reclama e MEC veta vestibular para transexuais em universidade federal

Pode não ter sido agora, mas o debate de cotas para a população trans é algo que deve ser levado à frente. Pesquisas apontam que menos de 10% dos transgêneros terminam o ensino básico no Brasil. Parte dessa realidade se deve ao bullying que sofrem nas escolas e ao despreparo do corpo docente de lidar com a situação. Como esperar que eles consigam competir igualmente para entrar num curso superior?

Enquanto isso, na França...

Imagem mostra enfermeira segurando bolsas de sangue com as cores do arco-íris arrow-options
Blood Donnors/Divulgação
LGBTs no Brasil ainda são proibidos de doar sangue

O período de abstinência sexual para que pessoas LGBT possam doar sangue na França diminuiu de 12 para quatro meses. O Ministério da Saúde francês, a medida vai entrar em vigor em fevereiro de 2020. Até 2016, era proibido que homossexuais doassem sangue no país. Aqui no Brasil, mesmo com os bancos de sangue em desfalque, ainda não é permitida a doação de LGBTs.

Constrangimento no Uber

Mesmo a Uber sempre apoiando as prides no Brasil e mundo afora e afirmando fazer treinamentos com seus motoristas, vez ou outra vemos casos de agressão e desrespeito sendo relatados na web. O mais recente foi a drag queen Penelopy Jean - conhecida como a cover da Lady Gaga no Brasil.

Depois do motorista errar o caminho, ele a chamou de "imbecil" e disse pra ela "ficar quieto" e descer do carro, pois ele tinha "uma nota maravilhosa" no aplicativo. Depois do ocorrido, Penelopy postou o vídeo do momento da agressão nas redes sociais. A Uber logo entrou em contato com a drag, pedindo desculpas e pedindo informações para identificar o agressor. Centenas de seguidores aproveitaram o post para relatar casos semelhantes.

Enquanto isso, no mundo das bundas...

pabllo vittar arrow-options
Blood Donnors/Divulgação
Organizador do Miss Bumbum mundial deu prêmio de bumbum trans para a drag

O criador do evento Miss Bumbum World provou que não entende nada do universo LGBT . Rasgando elogios à drag queen Pabllo Vittar , deu a ela um título honorário de "Miss Bumbum Transex". A diva não demorou a responder: "Todo mundo sabe que sou um homem de peruca, um viado doido", comentou Pabllo no Instagram. "Vocês já viram a bunda da Urias, da Mel Gonçalves, da Kiara? Vão dá prêmio para as bonitas".

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Emmy Colorido

Diversas produções e artistas LGBT estão entre os indicados à 71ª  edição do Emmy Awars, considerado o Oscar das produções televisivas. O reality RuPaul's Drag Race concorre em 14 categorias, entre elas Melhor Programa de Competição, Melhor Elenco de Reality e Melhor Apresentador.

A queridinha Laverne Cox (Orange is the new black) foi indicada como Atriz Convidada em Drama. Em seu primeiro ano, Pose concorre em sete, entre Melhor Série Dramática e Ator de Drama (Billy Potter). Já o fabuloso Queer Eye disputará em seis categorias. O Emmy acontecerá em 22 de setembro, nos EUA.

Veja acima o vídeo com os melhores momentos da temporada passada de Queer Eye.