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Abandono do preservativo pode estar associado aos avanços no combate ao HIV. Coluna ainda fala de Parada Gay, Vaticano x homossexualidade e mais

As pesquisas seguem avançando, mas parece que a galera ainda continua sem se proteger. Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde ( OMS ), baseado em dados de 2016, mais de 1 milhão de pessoas contraem doenças sexualmente transmissíveis por dia no mundo. E não estamos falando só do HIV .

camisinhas simulam vírus e bactérias
Lekolav/Flickr
Casos de clamídia, gonorreia e sífilis aumentaram com a diminuição do uso dos preservativos

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Entre homens e mulheres de 15 a 49 anos, a maior incidência são novos casos de  clamídia  (127 milhões), seguidos de  gonorreia  (87 milhões),  sífilis  (6,3 milhões) e  triconomíase  (156 milhões), só em 2016. A maioria delas é de fácil cura, talvez por isso as pessoas tenham relaxado nos cuidados.

Mas algumas, como o caso da gonorreia, estão cada vez mais difíceis de serem tratadas, mesmo com antibióticos, medicamentos que vem se mostrando menos eficientes devido à resistência das superbactérias. O estudo da OMS mostra ainda que uma escassez recente no suprimento global de benzilpenicilina benzatina dificultou o controle da sífilis.

Muita gente é contra o largo uso do PREP/PEP (mais conhecido como Truvada, aí no Brasil), principalmente pela comunidade LGBT. De fato, ele dá uma falsa segurança a quem mantém relações sem o uso do preservativo, já que ele inibe o contágio do HIV, mas deixa a janela aberta para todas as  ISTs . Aqui na Tailândia, por exemplo, o tratamento de 3 meses custa pouco mais de R$ 100, enquanto no Brasil pode custar R$ 600 por mês.

Na Ásia, esse medicamento foi a solução encontrada por muitos governos para parar o avanço da Aids - e de fato conseguiu. Mas, em contrapartida, o continente vem enfrentando outros problemas, como a super-sífilis vinda da Europa. Em festivais como o que aconteceu no último fim de semana no litoral tailandês, praticamente não vi campanhas de uso de preservativos , enquanto o PREP/PEP é amplamente divulgado.

 Manifestantes em Londres carregam cartazes em defesa do uso do Prep
Jason/Flickr
Em países europeus e asiáricos, o uso do PREP (Truvada) é amplamente incentivado


Eu sou adepto do PREP/PEP , mas também não deixo a camisinha de lado, já que ele não previne contra nenhuma das outras ISTs. Acredito, sim, que o medicamento é muito importante para a comunidade LGBT hoje, mas é preciso saber usá-lo. Se a gente consegue combater de um lado, parece que o outro fica desprotegido, sem o uso do preservativo.

Mas vocês aí no Brasil acreditam que as pessoas usariam menos a camisinha se o Prep fosse de mais fácil acesso do que em outras partes do mundo? Ao meu ver, o  Ministério da Saúde  faz altas campanhas de conscientização pelo uso e distribuição do preservativo. Mas na hora H, a galera deixa de lado "pelo prazer" ou "confiança no parceiro". Essa discussão ainda tem muito pano para manga...  

Protesto em Roma

Roma foi uma das primeiras grandes cidades a realizar a  Parada do Orgulho LGBT , no fim de semana passado. Na marcha, os ativistas criticaram o ministro italiano do Interior e vice-presidente italiano, o ultradireitista Matteo Salvini, que tem repetido insistentemente que famílias são apenas as formadas por pai e mãe, e não casais homoafetivos.

Desde 2016, quando entrou em vigor a lei que libera a união entre pessoas do mesmo sexo, a Itália registrou mais de 10 mil  casamentos homoafetivos .

Já no Vaticano 

Representante do alto escalão do Vaticano, o cardeal italiano Angelo Becciu disse em entrevista que "um homem gay pode ser um bom padre": "Ser gay não é um pecado. Porém muito mais que uma aprovação do mundo gay, se trata de respeito. É possível ser gay e viver como um bom sacerdote. O importante é respeitar o voto de castidade".

Becciu é um dos nomes de confiança do  papa Francisco . Embora defenda o dogma do casamento entre homem e mulher, o papa prega a abertura a homossexuais e divorciados e sua integração à vida da Igreja, o que já lhe rendeu acusações de heresia por parte de ultraconservadores.

Enquanto isso, em Londres

olho de uma das vítimas agredida em Londres
Reprodução/Twitter
Casal de lésbicas foi agredido por grupo de adolescentes em ônibus

A polícia de Londres deteve quatro suspeitos de participarem do ataque a um  casal lésbico  em um ônibus, no mês passado. Melania Geymonat e sua namorada foram agredidas por um grupo de adolescentes.

Na ocasião, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que ”foi um ataque doentio": "Ninguém jamais deve esconder quem é ou quem ama e devemos trabalhar juntos para erradicar a violência inaceitável contra a comunidade LGBT”.

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Nas embaixadas

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, proibiu as embaixadas do país de hastearem a  bandeira arco-íris para assinalar o  Mês do Orgulho Gay . A imprensa internacional noticiou que várias missões diplomáticas dos Estados Unidos que queriam hastear o símbolo LBTG, como tinham já feito em anos anteriores, se depararam com a recusa de Washington.

Democratas, como o senador Ed Markey, consideraram o ato “um ataque flagrante contra os direitos da comunidade LGBT", apelando ao presidente Donald Trump para que explique o porquê de tanto ódio e revogue a decisão. O departamento de Estado tinha já sido criticado por ter decidido não atribuir vistos norte-americanos aos parceiros dos diplomatas estrangeiros homossexuais que se instalem nos EUA.

Close errado

Ativistas do mundo inteiro criticaram a postura da polícia de Detroit , nos EUA, que compareceu à Parada do Orgulho LGBT da cidade para fazer uma espécie de escolta a um grupo de neonazistas que apareceu durante o protesto com uniformes bandeiras e faixas contra o movimento LGBT. "Como como eles são protegidos e nós não somos?”, questionavam manifestantes durante o desfile.

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Solidariedade 

Ativistas em frente à Casa Aurora, em Salvador
Casa Aurora/Divulgação
Vakinha online foi aberta para ajudar nova casa de apoio a LGBTs em Salvador

Primeiro centro de acolhimento LGBTQ+ de Salvador, a Casa Aurora foi inaugurada no fim de maio e abriu uma vakinha online para auxiliar na estrutura do projeto. O financiamento coletivo tem o objetivo de equipar as áreas de convivência e pagar contas de manutenção destinados ao acolhimento de pessoas LGBTQI+, em situação de risco e vulnerabilidade social. O espaço ainda pretende promover atividades socioeducativas e culturais.

Para contribuir, acesse:  http://vaka.me/590271

Recado a Bolsonaro

Quem levou os paulistas ao delírio no último domingo foi a cantora  Lilly Allen . Principal atração do Cultura Inglesa Festival, a britânica dedicou a faixa Fuck you ao presidente Jair Bolsonaro no fim do show. A letra da música, lançada em 2009, fala sobre as pessoas que exaltam o ódio e não sabem lidar com a diferença.

“Essa música eu escrevi há muitos anos para George W. Bush, que eu pensei que era o pior que poderia acontecer. Uma década depois, eu dedico a Donald Trump, mas como estamos no Brasil e é o mês do Orgulho LGBT, resolvi dedicar ao seu presidente. Espero não ser presa quando voltar ao Brasil. Fuck you, Bolsonaro”, disse a cantora.

Assista:


 Festão

A 23ª Parada do Orgulho de São Paulo - marcada para 23 de junho - será palco para a oficialização da união de cinco casais homoafetivos, antes do início do desfile. Após o casamento no civil, os casais seguirão o ato num trio elétrico, junto às 3 milhões de pessoas esperadas para o evento na Avenida Paulista.

"Mascote hétero"

Sempre que pode,  Brad Pitt  é um aliado da causa LGBTQ+. E agora não poderia ser diferente. Sem sua permissão, organizadores da (piada) Parada do Orgulho Hétero dos EUA estavam usando a imagem do ator para promover o evento. O astro logo ameaçou processar a organização, caso suas fotos e menções a ele não fossem retiradas do site do evento. Tudo foi logo excluído.

Drags colecionáveis

drags seguram lata na nova edição da SkolBeats
Divulgação/Skol
Aretuza, Lia, Rita e Ikaro foram convidadas para a versão brasileira da campanha

Quem também entrou na onda do Mês do Orgulho foi a Skol, com uma versão limitada das latinhas de Skol Beats, a Queen . Em cada uma delas, termos associados ao poder de uma super drag queen. Para ilustrar as versões nacionais, foram convidadas as cantoras Lia Clarck (Talento) e Aretuza Lovi (Carisma) e as apresentadoras Ikaro Kadoshi (Singularidade) e Rita Von Hunty (Coragem).

Barradas no banheiro

É triste que pessoas trans  no Brasil ainda precisem enfrentar situações vexatórias em atos simples como ir ao banheiro. Na semana passada, Tháylla Castanha e Giselle Rodrigues foram impedidas por seguranças do ItaúPower Shopping, em Contagem (MG). Um dos guardas disse que elas deveriam esperar "que inventassem um banheiro de viado". A agressão foi registrada em vídeo pelas vítimas.

Nas imagens, os seguranças pedem que elas mostrem os documentos e que "respeitem as mães de família". As vítimas postaram o vídeo na internet e prestaram boletim de ocorrência na delegacia. A assessoria do shoppinglamentou o ocorrido, afirmou que "acolhe a diversidade e liberdade individual" e que reforçará o treinamento com seus funcionários para o respeito à diversidade.

Aliada

Ex-integrante do grupo gospel Diante do Trono, a cantora  Clara Tannure  mudou completamente de estilo musical e recentemente lançou uma faixa praticamente dedicada ao público LGBTQ+. No clipe da canção Chora boy, uma das cenas mostra um beijo gay, o que acabou chocando alguns de seus seguidores mais conservadores. Assista: