Tamanho do texto

Pela primeira vez, pesquisa fez apanhado de denúncias da comunidade LGBT pelo Disque 100. Coluna ainda fala sobre Tinder, Mês do Orgulho e mais

Que os dados seriam alarmantes a gente já sabia. O problema é se eles continuarem só servindo para conservadores e opressores dizerem que "os gays têm mania de perseguição". Pela primeira vez, o  Atlas da Violência  incluiu dados sobre a  LGBTfobia  na pesquisa e mostrou que o número de homicídios de LGBTs denunciados no Brasil cresceu de 5 (2011) para 193 (2017).

arte da bandeira LGBT sangrando
Wellington Matos/Flickr
Disque Denúncia registrou 193 homicídios de LGBTs em 2017

Leia também: Jovem agredido até quase morrer precisa de doações para tratamento

O mais bizarro é que claro que esses números ainda estão bem longe da realidade, uma vez que a pesquisa foi feita por meio de registros de denúncias do  Disque 100  - serviço do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - junto a informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Claro que muitos casos não chegaram a ser denunciados, por vergonha ou medo.

Só para pegar um caso mais recente - que não entrou nesses números porque aconteceu na semana passada -, a tatuadora  Joyce Cristina Vargas da Silva , de 31 anos, foi encontrada morta no Rio de Janeiro, após ficar desaparecida por quatro dias. A suspeita é que ela tenha sido vítima de lesbofobia, após ter sido abordada de maneira violenta por um homem num bar da cidade.

Mas "machismo é coisa da cabeça de feministas", não é?

E não são apenas as mortes. Casos de lesões corporais denunciados contra LGBTs subiram de 318 (2016) para 423 (2017). Mais de 90% dessa violência foi registrada em áreas urbanas.

Qual seria a melhor maneira para combater esses números? Políticas públicas que foquem na educação da população, no respeito à diversidade. Mas como seria possível se até o principal líder do país trata essa realidade como brincadeira. Ao contrário: a cada semana são mais cortes na cultura, na educação, nos esportes...

Por isso, pessoal, vamos continuar botando pressão no poder público. O Supremo Tribunal Federal ( STF ), tem que finalizar, sim, a votação que  criminaliza a homofobia . O julgamento que deveria ter acontecido na última quarta-feira foi adiado para 13 de junho pelo presidente da casa, Dias Toffoli, depois de reunião com o presidente Bolsonaro.

A LGBTfobia é uma realidade registrada em números por pesquisas e na pele e na mente por milhões de brasileiros, que sofrem apenas por serem quem são. Quantas mais mortes devem acontecer para vocês abrirem os olhos?

Novo Tinder

garota segura placa de pansexual
Edi Pieri/Flickr
Pansexuais ganharam vez na nova atualização do aplicativo Tinder


Propositalmente lançada no mês do Orgulho LGBTQI+, a nova versão do aplicativo de relacionamentos  Tinder  vai contar com nove opções de orientação na atualização do perfil do usuário: além de heterossexual, gay, lésbica e bissexual, figuram também assexual, demissexual, pansexual, queer e ‘questioning’.

A atualização foi pensada juntamente com a Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD), ONG que monitora a representatividade LGBT na mídia. A nova função não tem data para chegar no Brasil (e nem na Tailândia, no meu caso), mas já está liberada no Reino Unido, EUA, Canadá, Irlanda, Índia, Austrália e Nova Zelândia.

Polícia colorida 

Conhecida como a capital dos LGBTs nos Estados Unidos,  São Francisco  vai ficar ainda mais colorida durante o Mês do Orgulho. É que a polícia da cidade ganhou uniformes com as cores do arco-íris . Ainda será vendido um brasão colorido da entidade, cuja venda arrecadada será doada para ONGs LGBTs. Lembrando que a Parada de São Francisco é no dia 29 de junho e terá Pabllo Vittar entre as atrações.

Capitão Orgulho

ator Chris Evans, o Capitão América
Wolla/Reprodução
Chris Evans usou as redes sociais para criticar uma possível "Parada do Orgulho Hétero"

Nosso eterno Capitão América,  Chris Evans , usou suas redes sociais mais uma vez para defender a comunidade LGBT e criticar a possibilidade de existir uma “ Parada do Orgulho Hétero ”, em Boston, nos EUA. “Ao invés de ir direto para a raiva (o que é, na verdade, apenas medo do que você não entende) tire um momento para pesquisar por empatia e crescimento”, escreveu o ator, que tem um irmão assumidamente gay.

Trump e os trans

Depois do close certo - quando parabenizou, em suas redes sociais, a comunidade LGBT por suas conquistas -, o presidente norte-americano  Donald Trump  voltou a ser o ogro de sempre ao dizer que a decisão de proibir a entrada de pessoas trans nas Forças Armadas  dos EUA é porque "elas usam muitos remédios”.

Para completar o close errado, Trump ainda sugeriu as pessoas trans entram no exército apenas para conseguirem a cirurgia de redesignação sexual gratuitamente, por meio do governo, o que custaria cerca de US$ 250 mil. Segundo o Pentágono, cerca de 9 mil militares nos Estados Unidos se identificam como trans.

 Intolerância

Quem também bolou uma campanha do Mês do Orgulho para ajudar a comunidade LGBT - no caso, a UN Free & Equal, a campanha da ONU para a igualdade de direitos - foi a H&M. O problema foi que, em terras portuguesas, a marca tem sofrido boicote e ataques nas redes sociais por parte de clientes mais conservadores e ligados a instituições religiosas.

Fazendo história na OAB 

Murilo Gonçalves, primeiro homem transgênero advogado licenciado pela OAB
Divulgação/OAB Ceará
Murilo Gonçalves é o primeiro homem transgênero advogado licenciado pela OAB

O cearense  Murilo Gonçalves  entrou para a história da  OAB  no Brasil, ao se tornar o primeiro homem transgênero advogado licenciado pela Ordem dos Advogados do Brasil, isso com seu nome no masculino e identidade de gênero respeitados no documento. Ele já exercia a profissão desde 2013, mas só recentemente passou pela transição de gênero e solicitou seus novos documentos.

O presidente da entidade, Erinaldo Dantas, elogiou o empenho de Murilo: “Estamos sendo aquilo que todos devem ser. Infelizmente, ainda há uma cultura de não respeitar aquilo que é diferente da gente. (...) É preciso respeitar a diversidade e entender que, com ela, temos a oportunidade de aprender mais e crescer enquanto seres humanos”.

 Assistência gratuita

Falando em direito, uma nova plataforma online foi lançada com o intuito de dar assistência jurídica e psicológica gratuita a LGBTs, a Aliança Plural . O novo serviço está convocando profissionais voluntários, que devem ser verificados junto a OAB e ao Conselho Nacional de Psicologia. É só acessar o https://aliancaplural. wordpress.com/.

 Expo gratuita

ilustração do cartunista Laerte
Divulgação/Laerte
Ilustrações de Laerte estão na mostra que entra em cartaz em São Paulo

Está em São Paulo? Aproveita para dar um pulinho na estação República do metrô e conferir a exposição gratuita Devassos no Paraíso: o Brasil mostra sua cara, que vai ficar em cartaz do dia 8 a 18 de junho, no Museu da Diversidade Sexual. Ilustrações de Laerte Coutinho e Paulo Von Poser celebram os 50 anos da revolta de Stonewall e ilustram conquistas de movimentos LGBTs no Brasil.

 Trans no comando

Quem também está com programação especial pelo Mês do Orgulho é o Canal Brasil, que estreia no dia 11 de junho (terça) o programa  TransMissão , a ser comandado pelas cantoras trans Linn da Quebrada e Jup do Bairro. A atração vai falar de maneira mais descontraída sobre questões de gênero e raça com convidados como Fernando Haddad, a cartunista Laerte e a chef Paola Carosella.

Linn e Jup protagonizaram um especial do canal no ano passado. Confira: