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Militância LGBT internacional prova que a sua importância para promover mudanças e respeito aos direitos humanos ao redor de todo o mundo

Grande parcela da comunidade LGBT ainda acredita que o ativismo e os movimentos sociais não são capazes de causar mudanças na sociedade. Enquanto muita gente encara as paradas da diversidade como verdadeiros carnavais, os ativistas LGBT são responsáveis por levantar questões importantes a respeito dos direitos humanos, aproveitando os holofotes dos grandes eventos.

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Ativistas LGBT em Londres protestam contra Brunei com cartazes
Zephrographica/Flickr
Ativistas LGBTs foram às ruas de Londres pedir boicote às empresas do sultão de Brunei

Um bom exemplo recente da eficácia dos ativistas LGBT é que um mês após anunciar a pena de morte para relações entre pessoas do mesmo sexo, o sultão de Brunei (nação do sudeste asiático), Hassanal Bolkiah, voltou atrás na decisão. Claro que não foi o seu "bom senso", mas provavelmente a pressão internacional da ONU e outras entidades em prol dos direitos humanos.

No domingo (5), o líder de Brunei disse que a pena de apedrejamento a homossexuais não seria mais aplicada no país, mas que ficaria ligado às práticas da comunidade LGBT. Artistas como Ellen DeGeneres, George Clooney e Elthon John começaram a pedir o boicote às empresas e hotéis do sultão na Europa e nos EUA.

Além disso, multinacionais proibiram seus funcionários de se hospedarem nas propriedades do grandão de Brunei. Agências de turismo também ameaçaram parar de vender o país como destino. Olha aí, o que uma bela mexida no bolso não faz, não é? 

Em sua conta no Twitter, o jornalista britânico Tom Knight - da  Gay Times  - destacou que "o poder do ativismo pode ajudar a criar mudança, mas que a luta não acaba. Essas leis precisam ser revogadas, não apenas deixarem de ser cumpridas".

Se isso se aplicasse no Brasil...

Mãe e filho observam manifestantes gays em rua de Milão
Onelulu.foto/Flickr
Aberta à diversidade, Itália receberá o maior evento de turismo LGBT do mundo em 2020

Enquanto o líder asiático voltou atrás após a pressão, o mesmo parece estar longe de acontecer em terras brasileiras. E olhe que sei que meus amigos militantes e ativistas aí do país continuam no pé do presidente Jair Bolsonaro . Será que vale lembrar daquelas declarações absurdas de "o Brasil não pode virar um paraíso gay" ou que os turistas podem chegar no país "atrás das mulheres"?

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As consequências que essas declarações podem causar na economia do país só poderão ser percebidas daqui a alguns meses. Mas entidades ligadas ao turismo estão desesperadas e fizeram questão de reforçar alguns números: turistas LGBT gastam US$ 218 bilhões anuais (dados da WTM London). O Brasil era o segundo país que mais arrecadava com esse tipo de turismo (US$ 26,8 bilhões/ano), atrás apenas dos EUA.

Será que essa mexida nos cofres não fará Bolsonaro repensar no que fala? Agências de viagens, hotéis, bares, restaurantes, boates, todos podem deixar de lucrar depois das opiniões absurdas do presidente virem à tona mundialmente. Só lembrando que o Brasil ainda é o pais que mais mata a população LGBT no mundo: foram 420 casos só em 2018.

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Enquanto o presidente brasileiro nega, tem países que querem, sim, o título de "paraíso gay". Com o lema "Milão ama você", a cidade italiana sediará a Convenção Anual de T urismo LGBTQ+ , em maio de 2020. “Nosso objetivo é fazer de Milão uma força no que diz respeito ao crescimento dos fluxos de turismo LGBTQ+”, explicou Alessio Virgili, um dos representantes do trade turístico local.

Segundo o governo italiano, o evento é importante para o negócio, claro, mas também do ponto de vista dos direitos humanos e a colaboração entre instituições e particulares é fundamental para promover a recepção sem discriminação. O encontro vai reunir centenas de influenciadores, operadores de viagens e outros profissionais do ramo. 

Queen sensata

Drag queen Pabllo Vittar canta em show
Mídia Ninja/Flickr
Pabllo Vittar está escalada para as maiores paradas dos EUA e Canadá e ironiza Bolsonaro

Como maior representante da comunidade LGBT brasileira da atualidade, a drag queen  Pabllo Vittar , claro, não ficou calada após as declarações de Bolsonaro. Em entrevista à BBC, antes de show que fez em Londres, a cantora debochou do presidente: "Ele disse que não quer que o Brasil vire um paraíso gay, mas, baby, ele chegou atrasado, porque o Brasil é paraíso gay muito antes de eu nascer."

Em tour internacional, antes de passar na Inglaterra, Pabllo lotou casas com shows na Argentina, México, Chile e Portugal, além da participação no show do DJ Diplo no festival Coachella (EUA). Mas a grande cartada de Pabllo deve acontecer mesmo em junho, quando ela é atração confirmada nas principais paradas da diversidade dos Estados Unidos e Canadá. E já prometeu que vai levantar a bola do turismo LGBT no Brasil, sim!

No dia 29 de junho, Pabllo será a principal atração da Pride Island, em Nova York, na programação da World Pride (a Parada da Diversidade Mundial), em comemoração aos 50 anos do movimento de StoneWall. Ela ainda estará nas prides de Los Angeles, Miami, São Francisco, Chicago e Boston (EUA), além de Toronto (Canadá).

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CURTINHAS

Casal gay animado

casal gay negro da série She-ra
NETFLIX/Reprodução
Remake da animação She-Ra ganhou casal negro homoafetivo

A Netflix deu um tapa na cara dos opressores novamente. Na segunda temporada do remake da animação clássica She-Ra, o personagem do arqueiro Bow é apresentado como filho de um casal homoafetivo. O mais bacana é que eles não são apresentados de uma maneira a ser discutida, mas sim totalmente natural, um reflexo das famílias modernas.

Cerveja

A marca Bud Light vai disponibilizar, durante o mês de junho, em bares dos Estados Unidos uma garrafa arco-íris para celebrar o mês do orgulho LGBT. Para cada caixa de garrafas de cerveja vendidas, a Bud vai doar US$ 1 para a GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation), ONG que monitora meios de comunicação social na sua luta contra o preconceito à comunidade LGBT .  

Homofobia no esporte

Jogadores de polo aquático se beijam na piscina
Reprodução/L’Equipe
Revista do jornal francês L’Equipe fala da homofobia no esporte

O jogador brasileiro de vôlei Michael dos Santos é um dos entrevistados da última edição da revista do jornal francês  L'Équipe , que traz um especial sobre homofobia no esporte, com o título "Beijem quem vocês quiserem".

A capa estampa uma foto de dois atletas de polo aquático se beijando, personagens do filme  Les Crevettes Pailletées , que estreia nos cinemas franceses nesta semana. Michael lembra que foi ofendido por torcedores durante a semifinal da Superliga em 2011. 

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