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O contexto político atual faz com que o Brasil fique atrás de países da América Latina, como Chile e Argentina, no ranking de turismo LGBT

Uma vez morando aqui na Ásia há alguns anos e dedicando boa parte do meu tempo aos trabalhos com a comunidade LGBT local, confesso que fiquei um pouco desligado dos acontecimentos no Brasil nos últimos meses. Mas numa rápida pesquisa, levei um susto ao constatar que o atual presidente segue falando absurdos sobre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

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 Bandeiras de arco-íris penduradas em prédios durante uma manifestação
Reprodução
Turismo LGBT é o que mais cresce no mundo, segundo pesquisas de portais especializados

Boa parte dos meus amigos que trabalham com ONGs e entidades em defesa dos direitos humanos tem comentado comigo como está o cenário atual do país para os LGBTs . Muitos dos meus seguidores nas redes sociais me pedem dicas de como morar fora do país. Então, não acredito que o cenário seja dos melhores.

Quer dizer, já não estava mil maravilhas para a economia nacional... E Jair Bolsonaro  recentemente ainda foi falar que "o Brasil não pode ser reconhecido como um país de turismo e de mundo gay" . Mal sabe ele que o  turismo LGBT é o que mais cresce no mundo, registrando números muito maiores que o dito "turismo convencional".

É o mundo todo atrás do famoso " pink money " - a maioria dos LGBTs não possui as mesmas despesas com família que os casais heterossexuais têm, sobrando para eles o maior poder de consumo - e Bolsonaro querendo colocar o Brasil ainda mais para trás nesse mercado, com aquele velho discurso de "uma nação de família".

Pesquisas recentes de portais de turismo apontaram pela sexta vez o Uruguai - com suas políticas inclusivas a casais de mesmo sexo - como o destino mais convidativo para LGBTs na América Latina. O Brasil (com a ascensão do presidente machista, racista e homofóbico), só vem caindo mais posições no ranking, ficando atrás de nações como o Chile, Argentina e Peru.

E olhe que, também trabalhando como guia turístico aqui em Bangkok, convivo com muitos europeus, asiáticos e americanos que chegam para mim aflitos e perguntam: "É seguro mesmo visitar o Brasil depois que este novo presidente assumiu?". Acho que tem tanta coisa mais problemática rolando no país para Bolsonaro ficar atirando pedra nos LGBTs.

Como "pai de família" que ele sempre afirma ser, poderia estar mais preocupado com o desemprego, o crescimento da inflação, no número de miseráveis... Posso garantir que meus amigos estão gastando o tempo deles com outras coisas ao invés de estarem tentando transformar o país numa "nação gay". Não precisa ficar noiado em tirar palavras como “lacrou” e outras gírias LGBT do dicionário de publicidade estatal (como se fosse fazer diferença).

Há poucos dias, Pedro Pulzatto Peruzzo - que é advogado e professor do Programa de Pós-Graduação em  Direitos Humanos  e Desenvolvimento Social da PUC Campinas - publicou uma carta aberta ao presidente falando tudo que todo ativista gostaria de dizer. Nela, ele pede para que Bolsonaro pare de “incitar ódio” aos gays, que assim sobra tempo para o Brasil:

"(...) Como indivíduo, o senhor pensa o que o senhor quiser pensar. Mas na condição de Chefe de Estado, o senhor tem o dever de respeitar as instituições e, nesse aspecto, andou muito mal, andou fora da lei ao dizer que não podemos ser um 'país do mundo gay por termos famílias'. O senhor acertou ao usar 'famílias', no plural, mas errou ao recusar, na condição de Chefe de Estado, espaço no mundo às famílias LGBT+.

(...) O STF já reconheceu o direito à família aos casais homoafetivos, razão pela qual perder tempo incitando picuinha, ódio e alimentando desejos estranhos em relação a essa comunidade é algo que o senhor deveria retirar da pauta do governo para que lhe sobrasse mais tempo para fazer pelo Brasil

(...) Todo brasileiro, LGBT+ ou não, paga muito caro pelos tributos que sustentam o senhor e sua família em altos cargos de gestão e, mais do que isso, pelos tributos que sustentam as milionárias emendas parlamentares que o senhor e seus ministros andam prometendo pagar para quem se aliar aos senhores na reforma da Previdência.

Por isso, Senhor Presidente, trabalhe institucionalmente e só! Trabalhe com respeito às instituições democráticas da nossa República Federativa, pois é isso que o povo espera de um Presidente eleito nas urnas".  (Pedro Pulzatto Peruzzo)

SÓ APLAUSOS A ESSE CIDADÃO!

Enquanto isso, na Áustria...

Rivais no mundo digital, as atendentes artificiais da Amazon e da Apple – Alexa e Siri – acabaram se casando numa campanha de turismo de Viena, como forma de celebração da EuroPride (em junho) na capital austríaca, que quer se firmar como um dos principais destinos LGBT do mundo. A cerimônia de troca de votos foi realizada no Castelo de Belvedere. Confiram o vídeo fofo: 


Enquanto isso, no Vaticano...

Numa conversa que teve com o comediante Stephen K. Amos (do canal britânico BBC), o papa Francisco fez questão de afirmar que pessoas que rejeitam os homossexuais não têm coração humano. “Todos somos seres humanos, temos dignidade. Se uma pessoa tem uma tendência ou outra, isso não lhe tira a dignidade como pessoa. As pessoas que decidem rejeitar o outro por um adjetivo não têm coração humano”, falou o pontífice.

Enquanto isso, nos EUA...

Governadores de estados norte-americanos se negaram a demitir soldados transexuais de suas tropas, contrariando um pedido do presidente Donald Trump (parceirão de Bolsonaro) em 2017. Os líderes de Nevada, Oregon, Washington e Novo México se juntaram à Califórnia e decidiram manter os LGBTs em suas tropas, já que nos EUA cada estado tem sua autonomia na Guarda Nacional.

Enquanto isso, na Rede Globo...

A dona do pedaço, nova novela das 21h, que estreia em maio, vai trazer os viris galãs Malvino Salvador e Caio Castro num romance gay secreto. A ideia do autor Walcyr Carrasco é denunciar a hipocrisia social que obriga LGBTs a se passarem por héteros para preservar a própria vida. A trama também terá a atriz trans Glamour Garcia como um rapaz que reaparece para a família como travesti. A temática contesta a heteronormatividade e, claro, deve desagradar a Bolsonaro e à maioria de seus apoiadores. Boicote à vista?

Enquanto isso, no mundo pop...

drag brasileira Pabllo Vittar estará na capa de maio da Gay Times, a mais importante publicação LGBT+ do mundo. "Pabllo é uma anomalia maravilhosa. Seu país de origem, o Brasil, tem a maior taxa de homicídios registrados de pessoas LGBTQ no mundo”, diz a revista inglesa, lembrando ainda das declarações de cunho homofóbico do presidente Bolsonaro.

capa da gay times com pabllo vittar
Reprodução/Instagram
Drag brasileira estampa capa da maior publicação gay do mundo

Valeu, galera! Qualquer sugestão ou opinião, podem mandar um e-mail para o  lgbtudoig@gmail.com . Nos stories do meu Instagram ( @dioguinhocarvalho ), vocês acompanham um pouco da noite LGBT na Ásia.