Tamanho do texto

André Pomba é colunista do iGay e escreve sobre cultura e o mundo LGBT. Nesta semana, ele fala do impacto do fechamento da Alôca e da Flexx Club

Nessa semana, o fechamento de duas casas noturnas, a Flexx e a Alôca, pegou de surpresa o público LGBT e trouxe à tona uma discussão sobre o que está acontecendo na cena GLS/LGBT e uma suposta crise.

Leia também: Revolta de Stonewall de 28 de junho de 1969 – a origem do Dia do Orgulho LGBT

Flexx Club fazia parte das casas noturnas de São Paulo. Encerrada parceria com Eazy Club, agora terá somente festas itinerantes
Divulgação
Flexx Club fazia parte das casas noturnas de São Paulo. Encerrada parceria com Eazy Club, agora terá somente festas itinerantes


A Flexx , uma das casas noturnas que fechou, encerrou sua parceria de quase 10 anos com o Eazy Club na Barra Funda e promete se manter na ativa com festas itinerantes. A primeira já tem data e local: será a super festa de 10 anos no Via Matarazzo com show de Pablo Vittar no dia 28 de julho, sexta.

O caso da Alôca é mais complexo. A casa que existia há 22 anos no mesmo castelo underground na Frei Caneca e que foi a pioneira casa na região do Baixo Augusta , há cerca de um ano passava por uma grave crise financeira e administrativa, que acabou gerando problemas com alvará e foi lacrada pela prefeitura justamente no dia 8 de julho (Aloca abriu em 8 de julho de 1995). Eu que trabalhei por 19 anos como DJ residente e promoter da casa, espero realmente que ela possa sanar seus graves problemas e voltar a se reposicionar com o destaque que realmente merece por sua história.

Alôca foi fechada pela prefeitura no dia em que completaria 22 anos
Divulgação
Alôca foi fechada pela prefeitura no dia em que completaria 22 anos



Nesse sentido, a Balada Tunnel continua sendo a casa noturna GLS que está a mais tempo na ativa: são simplesmente 25 anos. Em seguida, vem a Blue Space que com seus 21 anos se notabiliza pelos seus shows de drag queens muito bem produzidos e elogiados.

Motivos da crise

Mas voltando à crise, muitos tem teorizado que a febre dos aplicativos de pegação, tipo GrindR, Scruff e Hornet e a facilidade com que se oferece e se consegue sexo e até mesmo aditivos ilegais, é que tem provocado de certa forma o esvaziamento de casas noturnas GLS/LGBT. Mas eu não embarco nessa teoria. Aliás, a utilização desses aplicativos dentro das festas e baladas tem facilitado muitos encontros. Eu como DJ e promoter , toco regularmente em vários bares, casas noturnas e festas e posso dizer que grande parte delas nunca esteve tão lotada e fervida.

Existe também uma tendência da realização de festas conhecidas como " label party " que ocorrem de forma itinerante em vários espaços na cidade. Posso citar a "Queermesse" (quermesse gay) organizado pelos coletivos Domingo Ela Não Vai e Pardiero, que lotou e esgotou ingressos no Sambarylove no Bixiga neste sábado 8 de julho.

No mesmo sábado, tive a oportunidade de tocar na festa Ursound, para ursos e admiradores que como sempre estava igualmente lotada no Cambridge Hotel. Finalizando, fechei o sábado na festa Priscilla, que aconteceu no Espaço 555 (nova casa de eventos de André Almada da The Week). A Priscilla se notabiliza por trazer as principais drags do programa Ru Pauls Drag Race e nessa edição com ingressos esgotados, trouxe novamente Alaska, que teve seus hits cantados a plenos pulmões por um público empolgadíssimo. De comum nessas três festas é que foram realizadas em espaços locados, o que difere do habitual em uma casa noturna, que normalmente tem uma programação fixa, com público fiel que vai atrás justamente da música, dos DJs e demais atrações como drag queens.

Então, muito antes de ser uma crise setorizada, a crise econômica pelo que passa o Brasil tem, sim, diminuído o faturamento e margem de lucros das casas noturnas paulistanas. A noite sempre foi dinâmica, volúvel, infiel e aberta às novidades. E por mais que a noite GLS/LGBT tenha suas especificidades, também não é imune às puladas de cerca que vão se tornando cada vez mais constantes. Para saber mais sobre música e e cultura, clique aqui e acompanhe a coluna do Pomba no iGay

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.