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André Pomba é colunista do iGay e por aqui vai falar sobre música e cultura. Para começar, ele conta sua experiência na Parada SP e faz um convite

A 21ª Parada do Orgulho LGBT acontece neste domingo (18) a partir das 10 horas na Avenida Paulista. Sob o tema “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico”, é considerada a maior parada LGBT do mundo. Excetuando a primeira (pois não estava no Brasil), fui a todas as Paradas de São Paulo. Com a desse domingo serão 20 no meu currículo de militante. Em algumas edições, participei mais ativamente, seja como DJ, ou mesmo atuando na produção do evento. Em outras, como mero e feliz participante. Vendo a alegria, o orgulho de centenas de milhares de pessoas, é inegável dizer que as paradas nem de longe esgotaram sua razão de ser e de se justificarem. 

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Público na Parada LGBT
Divulgação
Público na Parada LGBT


Mas afinal é Parada Gay ou Parada LGBT ? Na maior parte do mundo, o termo “ gay ” é considerado abrangente e englobaria todo o universo que permeia a diversidade sexual . Porém de forma a não invisibilizar os demais segmentos, o ideal é usar o termo LGBT - que hoje, inclusive, já é considerado incompleto, com várias outras letrinhas buscando se agregar à terminologia mais usada anteriormente (mas sobre isso falo em outra coluna). Por isso mesmo, durante essa semana outras marchas são convocadas (vide destaques). 

Aos críticos, lembro que as grandes paradas em quase todo o mundo são eventos divertidos, coloridos, meio carnavalescos, em que os LGBTs protestam a sua maneira própria, com alegria, sem esquecer de reivindicar direitos, mas principalmente nos dando visibilidade. Por isso o nome é “Parada do Orgulho”. Temos orgulho de ser quem somos e protestamos a nossa maneira. E por isso esses eventos atraem tanta gente, ao passo que atos e protestos específicos menores tem um poder político definido, são mais militantes, mas admitamos, de impacto mais restrito. 

Pra quem lembra da repressão nas primeiras paradas em 97/98 que quase não saíram até chegar ao status que temos hoje de apoio público financeiro, tendo a própria polícia garantindo nosso direito de manifestação, foi uma grande evolução que não justifica tanta porrada que as paradas levam de parte do movimento LGBT. Políticos e governantes marcam presença, o que demostra o empoderamento que as paradas atingiram com o passar dos anos. E a mensagem política é clara: ocupamos as ruas e não voltaremos mais para o armário.

Também ouço dizer que “só tem gente feia, por isso não vou mais”. Por “gente feia”, leia-se “pobre”. Esse odioso preconceito de classe social é tão violento e injustificável quanto a homofobia , a transfobia, o machismo, o racismo e o fundamentalismo. Enquanto algumas pessoas não entenderem que o conceito de diversidade não é só a diversidade que as interessam, mas, sim, toda transversalidade que só as diferenças podem agregar, continuaremos girando em círculos, cercados pela roda do conservadorismo. 

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É importante também que se frise que quando uma travesti ou transexual exibe com orgulho seus peitos em uma Parada é um ato político de expor sua identidade de gênero. Considero tão emblemático quanto os atos de feministas queimando seus sutiãs na década de 60. Engraçado é que a justiça as considera “homens”, mas então homens não podem tirar a camisa e mostrar o peito desnudo? E se formos ampliar o debate, por que mulheres não podem também mostrar os peitos? Aonde está a igualdade? 

Esse tipo de exposição mais sexual acontece nos carnavais com homens e mulheres e a sociedade não se escandaliza e nem rotula os héteros como frívolos, excêntricos e promíscuos. Qualquer evento público que mobilize tanta gente vai ter problemas de segurança, lixo ou atos libidinosos! Não, diferente do que a baixa autoestima de muitos LGBTs possa gritar nessa hora, esses problemas não têm nenhuma ligação com orientação sexual

Muitos também reclamam da participação crescente de heterossexuais, mas como vamos exercitar o convívio e o respeito se nos fecharmos num gueto? Ver famílias curtindo, aplaudindo, trazendo crianças, exercitando o respeito à diversidade é a principal mostra de aceitação que a comunidade LGBT pode ter. 


Boa semana da parada a tod@s! 

Destaques da Semana da Parada: 

– Dia 15 de Junho 

17ª Feira Cultural LGBT – Das 10h às 22h no Vale do Anhangabaú. https://www.facebook.com/events/1113142945497908 

- Dia 16 de junho 

1ª Marcha do Orgulho Trans – a confirmar

– Dia 16 Junho 

17ª edição do Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade - A partir das 19h na Academia Paulista de Letras. https://www.facebook.com/events/1691770107789673

 – Dia 17 de Junho

1º Jogos da Diversidade de São Paulo - Complexo Desportivo do Ibirapuera – a partir das 8 horas. https://www.facebook.com/events/795764203913327 

– Dia 17 de Junho

15ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo – Concentração às 14h na Praça Roosevelt. https://www.facebook.com/events/1248990375137151/

– Dia 18 Junho 

21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e Show de Encerramento – Concentração às 10h Avenida Paulista. https://www.facebook.com/events/105978123240834

Para saber mais sobre a Parada LGBT e todo esse universo da diversidade de gêneros, clique aqui e acompanhe a Coluna do Pomba no iGay

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