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De acordo com o arcebispo, a Igreja não classifica fiéis por sua sexualidade

O tema sexualidade entrou na agenda do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, reunião que acontece no Vaticano desde quarta-feira (3) e vai até o final de outubro. Porém ficou claro que o termo LGBT ainda enfrenta resistência para ser aceito e utilizado pela Igreja Católica .

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Diante do discurso do arcebispo Charles Chaput, o termo LGBT ainda enfrenta uma certa resistência da Igreja Católica
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Diante do discurso do arcebispo Charles Chaput, o termo LGBT ainda enfrenta uma certa resistência da Igreja Católica


O arcebispo da Filadélfia, monsenhor Charles Chaput, discursou na assembleia episcopal entre membros da Igreja e afirmou que o termo LGBT não deveria ser usado pela Santa Sé, jurisdição eclesiástica da Igreja Católica em Roma. A autoridade religiosa ainda criticou a inclusão do termo no “instrumentum laboris”, um texto preparatório do Sínodo que examina a relação dos jovens com a Igreja.

De acordo com ele, o uso de termos como LGBT sugere que esses grupos são “reais e autônomos”, mas, na verdade, "a Igreja não classifica as pessoas desse modo”. Ou seja, a classificação dos fiéis por sua respectiva sexualidade não seria feita.

“Não existe católico LGBT, católico transgênero ou católico heterossexual, como se nossas tendências sexuais definissem quem somos, como se essas designações descrevessem comunidades distintas. Isso nunca foi verdade na vida da Igreja", define Chaput.

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A primeira vez que o termo LGBT foi utilizado pela Igreja

O termo LGBT foi utilizado pela primeira vez no
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O termo LGBT foi utilizado pela primeira vez no "instrumentum laboris", citando a relação dos jovens com a Igreja


O Vaticano fez menção à comunidade LGBT em um documento oficial publicado no mês de junho. Trata-se justamente do “instrumentum laboris”, que cita que “alguns jovens LGBT” desejam se beneficiar de uma maior proximidade e experimentar uma maior atenção por parte da Igreja. O texto ainda pede que os bispos enfrentem de maneira concreta temas controversos como a homossexualidade e as temáticas de gênero.

O uso do termo chamou atenção porque marca uma mudança significativa na atitude do Vaticano em relação aos católicos da comunidade LGBT, que antes eram descritos como pessoas com “inclinações homossexuais” ou apenas “homossexuais”.

Grancis DeBernardo, diretor executivo do “New Ways Ministry”, um ministério que defende a igualdade para os católicos gays, comemorou a medida, mas deixou claro que ainda é pouco para resolver as desigualdades dentro da igreja.

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"A utilização do termo LGBT indica que os oficiais da Igreja estão começando a entender que eles simplesmente têm de tratar as pessoas da comunidade com respeito, referindo-se a elas com termos mais precisos", informa o ativista em um comunicado.

*Com informações da ANSA

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