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Trabalhos de alunos foram destruídos e mensagens homofóbicas, em apoio à ditadura e ao candidato Jair Bolsonaro, foram espalhadas pela sala de aula

É com dor e tristeza que os alunos da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) lembram a última vez que entraram na sala 308, mais conhecida como sala da criatividade, no prédio quatro da instituição de ensino. Na segunda-feira (24), o espaço foi atacado por vândalos, que destruíram trabalhos expostos e espalharam mensagens que pregam a LGBTfobia, exaltam a ditadura militar e demonstram apoio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro.

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Chocados com o ato de vandalismo, alunos afirmaram que vão lutar contra a LGBTfobia e qualquer tipo de preconceito
Arquivo pessoal
Chocados com o ato de vandalismo, alunos afirmaram que vão lutar contra a LGBTfobia e qualquer tipo de preconceito


“Nós achávamos que aquele era um espaço de expressão e acolhimento. Eu me senti invadida, parei de me sentir segura dentro da faculdade porque as pessoas que fizeram isso estudam comigo, me veem todos os dias. Isso me deixou com medo de estar ali”, conta a estudante de animação Gabriela Eifler, de 19 anos. Segundo ela, os criminosos demonstraram LGBTfobia ao escreverem em uma bandeira gay as frases “falta de surra” e “tapa na cara das puta [sic]”.

“A gente chegou para ter aula e nos deparamos com essa situação. A professora chegou depois, toda feliz, e o clima estava tenso. Ela começou a ler os nossos trabalhos e até chorou. A segurança logo foi acionada para sabermos quem foi. Enquanto isso acontecia, todo mundo da sala tirava fotos e redigia um texto para a história ser compartilhada”, afirma.

A faculdade, segundo a aluna, demorou a se posicionar. Com isso, os estudantes criaram um coletivo LGBT, contaram com o apoio de outros grupos para divulgar o ocorrido e ainda organizaram um ato, dentro da própria FAAP , com a presença de mais de 100 alunos para cobrar retorno da instituição.

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Movimento contra a LGBTfobia foi confundido com ato político, já que vândalos espalharam mensagens com o conteúdo
Arquivo pessoal
Movimento contra a LGBTfobia foi confundido com ato político, já que vândalos espalharam mensagens com o conteúdo


“Reunimos cartazes e repudiamos o acontecimento. Vários estudantes disseram que era importante a instituição se pronunciar porque não foi só um ato de vandalismo , mas de intolerância também”, diz Gabriela. O que os estudantes mais querem, segundo a jovem, é respeito e segurança dentro da unidade. Para ela, muitos tentam enfraquecer o movimento afirmando que se trata de um ato político, mas isso não tem relação alguma.

“Não fizemos apologia a qualquer politico ou candidato. O ato dos alunos foi para declarar repúdio e para a FAAP perceber que nós não vamos nos calar porque isso só aconteceu por uma sucessão de erros que não foram percebidos anteriormente. Vários alunos disseram que já se sentiram mal por serem ridicularizados e discriminados dentro da faculdade”, dispara.

Faculdade repudia LGBTfobia

Em ato com mais de 100 alunos, estudantes exigiram posicionamento da instituição e afirmaram que são contra a LGBTfobia
Arquivo pessoal
Em ato com mais de 100 alunos, estudantes exigiram posicionamento da instituição e afirmaram que são contra a LGBTfobia


Procurada pelo iGay, a FAAP informou, em nota, que repudia qualquer tipo de desrespeito, violência e discriminação. “O fato ocorrido se restringe a uma divergência entre os alunos, que são capazes e estimulados a debater entre eles”, garante a direção.

Em relação à violação do espaço da sala de aula, a unidade afirma que “já foram tomadas as providências cabíveis para garantir a manutenção desse ambiente que estimula a criatividade, a autonomia e a livre expressão de seus alunos” e reitera, ainda, que tem promovido o debate político recebendo candidatos para sabatina com estudantes e convidados.

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Contra a LGBTfobia e qualquer outro tipo de preconceito, a FAAP afirma que que estimula o pensamento crítico e o respeito às formas de agir. “Somos um polo educacional com 17 cursos de diversas áreas de conhecimento. Recebemos, também, por semestre, mais de 400 alunos estrangeiros de culturas diferentes”, diz a nota.

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