Tamanho do texto

Alba Palacios, primeira atleta trans a ser registrada na federação espanhola de futebol, marcou gol logo em sua partida de estreia pelo Las Rozas CF

As pessoas trans estão ocupando cada vez mais espaços no esporte. Assim como o caso de Tiffany Abreu, primeira jogadora trans registrada pela Confederação Brasileira de Vôlei na liga feminina, Alba Palacios, de 33 anos de idade, tornou-se neste mês a primeira atleta transgênero a ter seu registro na federação de futebol da Espanha .

Leia também: Tifanny Abreu é primeira trans da Superliga feminina; relembre o caso

A jogadora trans começou a realizar o tratamento hormonal aos 33 anos, apesar de jogar futebol desde os dez anos
Reprodução/Instagram
A jogadora trans começou a realizar o tratamento hormonal aos 33 anos, apesar de jogar futebol desde os dez anos


Jogando pelo Las Rozas CF, equipe feminina da terceira divisão do país, Alba entrou no time como titular e marcou gol logo em sua primeira partida com a camisa azul, de acordo com informações da emissora espanhola “TVE”. “Eu estava flutuando”, afirma a jogadora trans sobre estar seguindo a carreira e ter marcado o gol na partida. O caso de Alba é inédito na história do futebol espanhol.

Com a conquista, a atleta agradeceu à Comunidade de Madri e à Federação Espanhola de Futebol, que facilitaram a documentação para que ela pudesse ser oficialmente registrada no time. “Eles fizeram tudo isso acontecer e me deixaram jogar antes de completar dois anos do meu tratamento hormonal. Sou muito grata, do fundo do meu coração, por tudo o que fizeram por mim e pela comunidade trans”, relata Alba.

Em entrevista ao jornal “El País”, Nerea Alonso, porta-voz de futebol feminino da federação, afirma que a jogadora teve problemas com relação a seus documentos de identidade. Mas, para que a regularização acontecesse, a federação contou com duas leis aprovadas em 2016 — uma que defende a identidade de gênero e outra contra a LGBTfobia.

Leia também: "O preconceito vem de todos os lados", diz ativista sobre a homofobia no futebol

A história da jogadora trans de futebol

A jogadora trans está jogando no time Las Rozas CF, equipe feminina da terceira divisão, e representando a camisa azul
Reprodução/Instagram
A jogadora trans está jogando no time Las Rozas CF, equipe feminina da terceira divisão, e representando a camisa azul


De acordo com informações do jornal espanhol, Alba começou a jogar futebol aos dez anos de idade no clube Pozuelo de Alarcón, onde continuou até completar 24 anos. Aos 32 anos, ela começou a jogar no K-2, de Majadahonda, e também iniciou o tratamento hormonal. Mas, por causa do preconceito, manteve tudo em segredo, revelando apenas para o técnico do time.

“O futebol é um esporte muito machista. O único que sabia era meu treinador, e eu disse a ele porque, quando comecei o tratamento, sabia que meu desempenho ia mudar”, conta Alba.

Leia também: Futebol gay brasileiro marca presença pela 1° vez em campeonato mundial

David Herrero, treinador de Alba, afirma que deu muito apoio à jogadora trans . De acordo com ele, as competições são regidas pelo sexo e não por níveis de testosterona. “Há mulheres que produzem mais [testosterona] do que as outras. A testosterona de Alba caiu por conta do processo hormonal. Biologicamente, ela pode competir com mulheres porque é uma mulher”, completa ele.

    Leia tudo sobre: futebol
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.