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“É difícil entender que nós engravidamos juntas? A gravidez não é só sobre gerar, a gravidez é sobre viver a gestação. Estamos nessa juntas”, afirma Mariana sobre a relação com a parceira, Érika, que está grávida de gêmeos

A foto do ensaio fotográfico de gravidez de um casal lésbico viralizou no Twitter. “A minha mulher, a mulher que eu amo, está grávida dos meus filhos, vocês têm noção de quanto amor estou sentindo?”, diz a legenda do tuíte de Mariana Oliveira, que acompanha uma foto dela com sua parceira Érika, que está grávida de gêmeos.

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Mariana e Érika Oliveira são um casal lésbico e causaram uma grande repercussão na semana passada ao publicarem no Twitter uma foto do ensaio de gravidez de Érika, recebendo comentários positivos e negativos de usuários na rede social
Reprodução/Twitter/Mariana Oliveira
Mariana e Érika Oliveira são um casal lésbico e causaram uma grande repercussão na semana passada ao publicarem no Twitter uma foto do ensaio de gravidez de Érika, recebendo comentários positivos e negativos de usuários na rede social


O tuíte com a imagem do casal lésbico gerou uma grande repercussão, alcançando mais de 13 mil retuítes, 88 mil curtidas e espalhando-se até por outras redes sociais. “Sofremos vários ataques de usuários tentando diminuir a nossa maternidade, principalmente a minha, por não ser a gestante”, conta Mariana em entrevista ao iGay .

“Ouvi coisas do tipo: ‘Quem é o pai?’, ‘Dedo não faz filho’, ‘Como os filhos são seus se é ela que está grávida?’, ‘As crianças vão ser bandidas porque vão crescer sem pai’, ‘Mulher não engravida outra’, ‘De quem é o óvulo?’, ‘Levou um chifre e está assumindo’, entre tantas outras coisas extremamente ofensivas”, revelou a mulher em uma publicação de desabafo em sua conta no Instagram.

“É difícil entender que nós engravidamos juntas? A gravidez não é só sobre gerar, a gravidez é sobre viver a gestação. Estamos nessa juntas”, afirma a mulher sobre os padrões impostos pela sociedade.


De acordo com Mariana, o preconceito não se restringe apenas ao ambiente digital e das redes sociais, e o casal lésbico já sofreu vários tipos de ataques homofóbicos. “Já chegaram a escrever uma carta a mão destilando ódio sobre nossa relação e a decisão de ter filhos.”

Diante de comentários ofensivos nas redes, a jovem afirma que ela e a companheira tentam lidar da melhor forma possível, na maioria das vezes ignorando, já que publicaram a foto na internet sem o objetivo de causar polêmica. “Compartilhamos a foto sem pretensão alguma, não sabíamos que tomaria a proporção que tomou. Só queríamos mostrar o quanto estamos felizes com essa realização.”

Felizmente, a publicação no Twitter também acabou recebendo comentários positivos, com diversos outros usuários da comunidade LGBT parabenizando-as e celebrando a conquista das duas. “Foi uma surpresa boa saber que inspiramos tantas outras pessoas com a nossa história de amor”, acrescenta Mariana.

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A história de amor e luta do casal lésbico

Com seis anos de relacionamento amoroso, o casal lésbico começou a morar junto com apenas três meses de relação, realizando o primeiro casamento homoafetivo da cidade de Rialma, e sempre conversou sobre terem filhos juntas
Reprodução/Instagram/Mariana Oliveira
Com seis anos de relacionamento amoroso, o casal lésbico começou a morar junto com apenas três meses de relação, realizando o primeiro casamento homoafetivo da cidade de Rialma, e sempre conversou sobre terem filhos juntas


Mariana e Érika se conheceram em 2005, através de amigos em comum. No início, mantinham apenas uma amizade, já que moravam em cidades diferentes. O relacionamento amoroso só foi acontecer oficialmente em 2012, quando a primeira foi morar na cidade da futura companheira e aproximou-se dela.

“Para nós, era importante oficializar a relação, já que morávamos juntas desde os três primeiros meses de namoro”, comenta Mariana. De acordo com a jovem, o casamento das duas aconteceu em setembro de 2014 e foi o primeiro homoafetivo da cidade de Rialma, um município no interior de Goiás.

Desde o início, o casal lésbico conversava sobre ter filhos. “Era um desejo de nós duas. Construir uma família sempre foi o nosso sonho”, conta. Elas consideraram realizar a adoção, mas deram preferência à inseminação por ser menos difícil e burocrática.


Segundo ela, a decisão de Érika de gerar os bebês foi tomada pelas duas, já que a companheira sempre teve o desejo de ficar grávida. “Tudo aconteceu naturalmente e no tempo certo. Fizemos muitas pesquisas na internet e soubemos de vários métodos de como realizar a inseminação”, conta.

Em 2015, elas se mudaram para Brasília e conheceram o projeto do SUS que atende casais inférteis: o CEPRA (Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida do Hospital Materno Infantil de Brasília). O centro oferece oferece serviços de reprodução humana, como fertilização in vitro e inseminação intrauterina, que também pode ser útil para mulheres em uma relação homoafetiva.

“Foi a nossa chance”, afirma. Assim, elas se inscreveram e, após três anos, foram chamadas para participar do programa. “Já estávamos preparadas e ansiosas, inclusive já havíamos comprado um par de sapatinhos para o bebê.”

“Assim, nós escolhemos o doador, vivenciamos um processo médico desgastante, com diversos exames e inúmeras madrugadas em claro, passando por todo o processo juntas. Cada fase do processo foi emocionante, desde a notícia de que fomos escolhidas até o primeiro exame de gravidez”, relata.

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Os bebês do casal lésbico

Reprodução/Instagram/Mariana Oliveira
"Nós vamos, sim, ter uma família, vamos criar nossos filhos, vamos criar crianças que irão mudar o mundo. Acreditamos muito nisso e esperamos inspirar mais pessoas da comunidade LGBT", afirma Mariana sobre os sonhos do casal lésbico


Nos preparativos para a chegada dos bebês, que já têm nomes escolhidos, Mariana conta que o casal lésbico está curtindo cada etapa da gestação com muito amor e carinho. “Acreditamos que os próprios bebês escolheram seus nomes porque, no início, queríamos nomes totalmente diferentes, mas, com o tempo, Louise e Noah foram escolhidos”, revela.

“Estamos cada dia mais animadas e ansiosas pela chegada desses dois pontinhos de luz”, afirma a jovem sobre os bebês que nascerão em outubro, “dois librianos”. De acordo com ela, tudo o que o casal lésbico quer é ser referência de amor para eles.

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“O amor homoafetivo é revolucionário, a maternidade ainda mais. Nós vamos, sim, ter uma família, vamos criar nossos filhos, vamos criar crianças que irão mudar o mundo. Acreditamos muito nisso e esperamos inspirar mais pessoas da comunidade LGBT a construir seus sonhos”, conclui sobre a história de amor do casal lésbico .

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