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De acordo com estudantes, escola chamou a atenção de meninos por andarem abraçados. Revoltados, colegas fizeram manifestação com cartazes

Os alunos da Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio fizeram um protesto, na semana passada, depois de um casal gay ser chamado atenção por andar abraçado na unidade de ensino de Itabira, em Minas Gerais. A manifestação, segundo a organizadora, aconteceu na hora do intervalo, na quinta-feira (30), em frente à sala da diretora do colégio.

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Os alunos se organizaram pelo grupo do WhatsApp assim que souberam que o casal gay foi parar na direção
Reprodução/Twitter
Os alunos se organizaram pelo grupo do WhatsApp assim que souberam que o casal gay foi parar na direção


Em conversa com o iGay, a aluna afirmou que o que revoltou a turma é que vários casais héteros se abraçam e até “exageram nos carinhos” dentro da escola, mas apenas o casal gay precisou comparecer na direção para assinar um documento que pedia, segundo a entrevistada, para os jovens não passarem dos limites dentro do ambiente escolar.

“Fiquei muito brava e comentei no grupo do WhatsApp da sala”, diz ela, que está no terceiro ano do ensino médio e prefere não se identificar. “Temos entre 17 e 18 anos e queremos manter a imagem do grupo como um só, unido, porque não daria para citar o nome de todos e não queremos desvalorizar ninguém”, completa.

A adolescente conta, ainda, que tudo começou quando teve a ideia de reunir vários colegas para ficarem abraçados por 20 minutos na frente da direção em forma de protesto . A maioria topou e ainda contribuiu segurando cartazes com frases defendendo o amor entre pessoas do mesmo sexo. A manifestação também foi marcada pela canção “Toda Forma de Amor”, do Lulu Santos, e foi registrado em fotos que viralizaram nas redes sociais.

“Nunca imaginamos essa repercussão. Na quarta-feira (29), vimos um post que expressava exatamente o que estava acontecendo e eu contei o caso da minha escola, então o 'cara' que escreveu o texto disse que ia ajudar a divulgar”, conta a aluna, referindo-se ao tweet do influenciador Luan, mais conhecido como @indieafraid, que acabou compartilhando as fotos dos manifestantes com seus 27 mil seguidores.

Antes disso, coincidentemente, o rapaz havia feito um post sobre as escolas agirem naturalmente quando casais héteros se beijam “a ponto de transar”, mas afirmarem que é uma falta de respeito quando dois jovens do mesmo sexo estão juntos.

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“Tinha um monte de gente falando que isso no meu tweet não acontece de verdade, que eu estava exagerando, e outras coisas do gênero. Aí, hoje, eu descobri que aconteceu exatamente o que eu falei em uma escola da minha cidade”, escreveu ele, que logo recebeu vários comentários de pessoas que disseram já ter sentido a homofobia na pele.

Casal gay recebeu pedido de desculpas

Para mostrar para a escola que toda forma de amor vale a pena, alunos se abraçaram e defenderam o casal gay
Reprodução/Twitter
Para mostrar para a escola que toda forma de amor vale a pena, alunos se abraçaram e defenderam o casal gay


De acordo com os alunos que protestaram para proteger os colegas que andavam abraçados, a manifestação obteve sucesso. No dia seguinte, a direção da escola convidou o casal gay para conversar e pediu desculpas pela maneira como conduziu o papo no dia anterior.

“Os meninos também pediram para rever a ata e requisitaram uma mudança, dizendo que não passaram dos limites”, conta a aluna, afirmando que eles foram atendidos prontamente. Segundo ela, é importante que fique claro que todos os participantes do protesto entendem que existem normas que devem ser seguidas na escola, mas o que incomodou e motivou a manifestação foi a diferença no tratamento com os homossexuais.

O resultado da manifestação, inclusive, aproximou a turma e o casal gay ficou muito emocionado quando soube que realmente pode contar com os amigos da escola. “Eles amaram, até choraram porque viram que não estavam sozinhos. Essa história comoveu muito a gente”, afirma a jovem, quese preocupava em preservar a imagem de um dos meninos com tudo isso.

Os alunos levaram bandeiras e cartazes para protestar a favor do casal gay, que estava andando de braços cruzados
Reprodução/Twitter
Os alunos levaram bandeiras e cartazes para protestar a favor do casal gay, que estava andando de braços cruzados


“Um deles não é assumido para a família, então ficamos com receio de expor. Mas a maioria dos pais incentivaram o protesto e até os que ainda têm um pouco de ‘mente fechada’ também reconheceram que a escola estava errada”, argumenta ela.

Os jovens afirmam, ainda, que alguns veículos de comunicação se aproveitaram da repercussão do caso para publicar textos sensacionalistas, que não representam a turma de manifestantes. Em defesa do casal gay, eles garantem que estão entrando em contato para esclarecer o que realmente aconteceu e já estão solicitando as mudanças.

A organizadora do protesto também revelou ao iGay que está satisfeita com a posição do colégio, que pediu desculpas após o ato. Segundo ela, os estudantes não têm a intenção de prejudicar os funcionários da unidade escolar, pois todo mundo merece uma segunda chance.

A reportagem, porém, não teve resposta da Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio. Procurada, a secretaria da unidade escolar diz não saber da polêmica e se recusa a passar a ligação para a coordenação e direção do colégio. Ao BuzzFeed, no entanto, a diretora  afirmou, em nota, que "o procedimento da escola é o mesmo com todos os casais".

"Nós permitimos que eles andem abraçados e de mãos dadas, mas namoros, beijos e trocas de carícias dentro da escola não são permitidos. No caso deste casal homossexual, nós os orientamos e eles pediram que as famílias não fossem comunicadas", afirmou.

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 Sobre a manifestação a favor do casal gay , a escola garante que aconteceu de maneira ordeira, na hora do recreio, e que os alunos não foram impedidos de expor o que pensam.

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