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Com histórias como a de um homem gay soropositivo e a de uma pessoa trans não-binária, inspire-se no Dia do Orgulho LGBT para colorir o dia

Entre tantas diferenças, cada indivíduo tem o direito de sentir orgulho de ser quem é, e o Dia do Orgulho LGBT nos lembra exatamente disso. Hoje é dia de comemorar as diversas cores do arco-íris, comemorar que temos nossas particularidades, e isso é motivo de orgulho, sim, independentemente de origem, cor, classe e o que for.

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Para colorir o Dia do Orgulho LGBT, o iGay conversou com pessoas LGBT com histórias inspiradoras de superação
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Para colorir o Dia do Orgulho LGBT, o iGay conversou com pessoas LGBT com histórias inspiradoras de superação


Histórias inspiradoras , tanto de pessoas na mídia quanto de pessoas da vida real, também servem para nos lembrar que devemos sentir orgulho não só no dia de hoje, mas em todos os dias. O iGay  conversou com pessoas da comunidade que contaram suas histórias de aceitação e superação, para deixar o Dia do Orgulho LGBT ainda mais colorido e inspirador.

Confira sete histórias para colorir seu Dia do Orgulho LGBT:

1. Hugo Nasck, 24 anos, produtora de conteúdo

Hugo Nasck é uma youtuber que se identifica como não-binária e que prefere ser chamada por pronomes femininos
Arquivo pessoal
Hugo Nasck é uma youtuber que se identifica como não-binária e que prefere ser chamada por pronomes femininos


Hugo Nasck é uma das grandes inspirações para o Dia do Orgulho LGBT. Ela é uma produtora de conteúdo não-binária, ou seja, ela não se identifica com os gêneros masculino e feminino. Em entrevista, Hugo diz que o processo de assumir sua identidade de gênero foi bastante natural. “Quem eu sou enquanto uma pessoa não-binária é uma versão mais transparente de quem eu sempre fui”, comenta.

Durante sua infância e adolescência, não era disseminada informação sobre identidade de gênero. De acordo com Hugo, ela se sentia presa e não se identificava com o que conhecia da comunidade LGBTI+, que se resumia a apenas gays, lésbicas e travestis. Quando conheceu o orgulho LGBT e entrou para a militância, ela pôde adquirir conhecimento sobre as possibilidades de existir, ou seja, sobre as identidades de gênero.

“Foi aí que me deparei com a não-binaridade e me encontrei enquanto pessoa”, afirma. Ela conta que a descoberta ocorreu aos 16 anos de idade, mas demorou cinco anos para trazer a informação a público. Ela afirma que sua identidade sempre esteve no espectro da feminilidade, algo sempre muito evidente, assim, assumir sua identidade de gênero não foi uma surpresa para pessoas próximas a ela.

Hugo considera que sua identidade está dentro do espectro feminino. “Desta forma, eu exponho quem eu sou com coisas que muitas vezes são ditas únicas de mulher, mas tento mostrar que essas coisas são de pessoas, usa quem quer”, explica. Ela fala que as pessoas costumam enxergá-la como uma mulher cisgênero, e ela tem o receio de que alguém reaja de forma agressiva à sua verdadeira identidade de gênero.

De acordo com ela, seu canal no YouTube, que foi criado em 2011, recebe muitas críticas, ofensas e ódio gratuito. “É bizarro ver pessoas me ofendendo de todas as formas diferentes, mas isso não tem mais efeito algum em mim”, comenta.

Sobre seu orgulho LGBT, ela diz que se expressa com orgulho e sendo verdadeira à sua real identidade. “Não permito que a sociedade ou qualquer opinião alheia molde minha opinião sobre quem eu sou. Sou quem eu sou e se isso lhe causa incômodo, o problema é seu e não meu”, finaliza.

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2. Jéssica*, 18 anos, estudante

Apesar de não ter se assumido para os pais, Jéssica, uma mulher bissexual, sente orgulho de ser quem é
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Apesar de não ter se assumido para os pais, Jéssica, uma mulher bissexual, sente orgulho de ser quem é


Jéssica é um exemplo de que, mesmo que você não seja assumido para todos ao seu redor, você pode sentir orgulho LGBT e ser quem é. A estudante é bissexual contou sua sexualidade para amigos e alguns familiares, mas ainda não revelou para os pais. Mesmo assim, não deixa de sentir orgulho de ser quem é.

A jovem se descobriu bissexual com 16 anos, quando beijou uma menina pela primeira vez em uma festa de carnaval. “Já tinha pensado nisso antes, mas nunca tinha concretizado nada”, diz ela sobre a primeira experiência com uma pessoa do mesmo sexo.

Ela conta que, a partir de então, foi um processo muito natural e tranquilo de aceitação, dentro de si mesma e principalmente com os seus amigos. Seu círculo de amizades era o “grupo LGBT”, e eles sempre se apoiaram muito no estilo de vida de cada um, expressando o orgulho LGBT.

Até hoje, ela revelou sua sexualidade para primos e irmãos, que também reagiram tranquilamente ao fato. Em relação aos pais, Jéssica diz que pretende esperar para ter estabilidade financeira para finalmente contar, pois não tem ideia de como seria a reação dos dois ao saber que a filha é bissexual, já que ambos são muito religiosos.

Além de tal responsabilidade, a estudante sempre se impôs e exigiu respeito nas maiores e menores situações do cotidiano, seja pelo fato de ser mulher, negra ou LGBT. “Eu tenho orgulho de ser bissexual porque é quem eu sou, eu nasci assim e isso não vai mudar, não importa o que as pessoas digam”, pontua.

Jéssica acrescenta também que o movimento e o orgulho LGBT têm um grande impacto em sua vida. “Sinto que fazer parte desse movimento me fortalece não só como mulher, mas também como ser humano e me faz entender e aceitar tudo aquilo que é diferente”, finaliza.

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3. Mário Daniel Fernandes, 33 anos, hoteleiro

Mário Daniel Fernandes é produtor de conteúdo no canal
Arquivo pessoal
Mário Daniel Fernandes é produtor de conteúdo no canal "Prosa Positiva", no qual trata sobre ser LGBT e soropositivo


Aos 33 anos de idade, Daniel Fernandes é hoteleiro, mas também trabalha em seu canal no YouTube “Prosa Positiva”, no qual fala sobre o fato de ser gay e soropositivo. Ele tem uma jornada inspiradora para a comunidade quando se trata de orgulho LGBT.

Fernandes nasceu no Maranhão, mas mora atualmente em Recife. Ele conta que desde pequeno sabia que não era heterossexual, o interesse por pessoas do mesmo surgiu logo, aos seis anos de idade. “Na época, final dos anos 90, ser gay era ter uma vida dupla, ainda mais por ter sido criado na Igreja Adventista, mas eu não me sentia culpado e não tinha medo de ser quem eu era”, diz.

Ele chegou a ter “namoradinhas” no início da adolescência, aos 14 anos, mas precisou se assumir para a família por pressão do círculo de amigos. O hoteleiro estava com medo da reação da mãe, mas ela, apesar de não ter apoiado totalmente, teve postura protetora e ajudou-o a encarar o preconceito para não deixar de ser quem é. Infelizmente, o restante da família tem preconceito até hoje, quase 20 depois de ter assumido a sexualidade.

Até os 17 anos, ele ainda frequentava a igreja, e poucas pessoas sabiam sobre sua sexualidade. “Me sentia sufocado”, desabafa Fernandes. Aos 18 anos, foi morar sozinho em outra cidade e, desde então, pôde ser quem é sem sentir insegurança. “Consegui meu espaço e o respeito entre as pessoas que conheci no decorrer desses anos. Algumas pessoas se afastaram, muitas chegaram”, diz.

Em agosto de 2011, ele descobriu ser uma pessoa vivendo com o vírus HIV. Fernandes conta que não existiam tantas pessoas assumindo suas sorologias como existem hoje e que também não se tratava tanto sobre isso na mídia. “A falta de medicamento e a falta de informação sobre o assunto agravavam ainda mais a situação”, acrescenta.

“A descoberta não me fez sofrer. Claro que a gente fica em choque, mas eu soube lidar bem com a situação”, conta. Antes da descoberta, ele comenta que tinha assistido a série “Queer as Folk”, na qual são apresentados personagens soropositivos que vivem com o vírus e também se relacionam com outras pessoas que não possuem o HIV.

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“Saindo do consultório, não quis pensar em quem e quando foi que aconteceu a infecção, mas sim o que eu faria em diante para me ajudar e ajudar outras pessoas também”, afirma. Ele contou para pessoas com quem havia tido contato mais íntimo recentemente e também para família e amigos, à medida do tempo. A última pessoa para quem contou foi a mãe, que teve a mesma reação de quando o filho se assumiu.

“Ser gay não é fácil. Ser gay e soropositivo é mais complicado ainda”, afirma. Felizmente, o produtor de conteúdo diz que conseguiu aceitar a sua sorologia e vê-la da melhor forma possível. Assim, sentiu a necessidade de criar um canal de comunicação que ajudasse a todos, e assim surgiu o “Prosa Positiva”.

“Me orgulho da pessoa que sou. Tenho orgulho das minhas conquistas, aprendo com as derrotas. Sei que ainda há muito o que aprender”, diz. De acordo com Fernandes, é preciso ter amor próprio e se cuidar, ou seja, manter sempre atualizado o exame de HIV e das demais IST’s (infecções sexualmente transmissíveis).

4. Marcos Nicolau, 48 anos, bancário

Marcos Nicolau, bissexual, sempre foi muito tímido e religioso e, por isso, sofreu para assumir sua sexualidade
Arquivo pessoal
Marcos Nicolau, bissexual, sempre foi muito tímido e religioso e, por isso, sofreu para assumir sua sexualidade


Aos 48 anos, Marcos Nicolau é um homem bissexual com uma história inspiradora para o mês do orgulho LGBT. Ele conta que só foi experimentar e descobrir sua atração por homens dos 30 para os 40 anos de idade. Antes disso, ele era casado com uma mulher, com a qual teve um relacionamento de 15 anos e duas filhas.

“Sempre fui muito reservado, tímido, estudioso e religioso. Até quis ser padre antes de casar”, conta. O bancário revela que, após dez anos de casamento, sofreu um sequestro junto da família por causa de seu trabalho na época, o que disparou um gatilho dentro dele. Suas prioridades pessoais foram afetadas com o episódio, e ele passou a colocar em primeiro lugar suas filhas e ele mesmo.

Assim, teve sua primeira experiência com outro homem aos 36, fato que acabou gerando culpa para ele. “Isso foi uma bomba para mim. Muita culpa cristã, preocupação em magoar minhas filhas e esposa. Não queria fazer ninguém sofrer”, diz. Nicolau começou a ler a respeito e procurar pessoas para conversar na internet para entender o que estava acontecendo.

Dois anos depois, ele conheceu um rapaz e acabou se envolvendo com ele. Os dois estavam em relacionamentos com outras mulheres. Nicolau escolheu não pedir a separação, pois a filha estava em época de vestibular, mas a esposa acabou descobrindo e revelando para as famílias, o que causou um grande caos.

Ele conta que a esposa queria manter o casamento, mas acabou o afastando ainda mais, e Nicolau decidiu sair de casa. Por outro lado, sua família o apoiou desde o primeiro momento, e eles até se aproximaram mais. Ele ainda evitava ter vida social agitada no começo pois queria preservar as filhas.

O namorado dele escolheu terminar o relacionamento com a outra mulher para ficar com Nicolau, e, depois de um tempo, o casal decidiu se mudar para Belo Horizonte, para fugir do estresse da cidade em que estavam. Eles se mudaram ainda para outras cidades, escolheram se casar no civil e acabaram em São Paulo capital

Com o tempo, o relacionamento ficou estagnado, e o casal escolheu se divorciar, amigavelmente. Logo em seguida, ele começou a namorar outra mulher e precisou sair de outro armário: o da bissexualidade. As pessoas ao seu redor se chocaram e não entenderam em um primeiro momento, mas aceitaram bem.

Atualmente, Nicolau diz que está livre, leve e solto. “Vejo o fato de ser LGBT com ‘B’ maiúsculo como uma vantagem, jamais como um defeito ou algo que me pesa”, comenta. Ele conta que vai todo ano na Parada do Orgulho LGBT, comparece a palestras e também participa de um coletivo de pessoas bissexuais.

“Meu orgulho LGBT é poder amar quem eu quiser, sem medo, sem vergonha, sem culpa. Não ligo para o que vão pensar de mim. Não tenho medo de perder amizades, oportunidades profissionais pois não me coloco numa situação de depender da aprovação de ninguém. Sou respeitado e amado por quem importa pra mim”, afirma.

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5. Nicholas Freitas, 22 anos, estudante

Nicholas é um homem transgênero e incentiva as pessoas a se expressarem e não se deixarem abalar com o preconceito
Arquivo pessoal
Nicholas é um homem transgênero e incentiva as pessoas a se expressarem e não se deixarem abalar com o preconceito


Entre as histórias inspiradoras do Dia do Orgulho LGBT, está a de Nicholas Freitas, um homem transgênero. “No início, me descobri como mulher lésbica”, diz Freitas. Aos 16 anos, ele começou a se abrir para o mundo LGBT e ter contato com pessoas diferentes. Assim, ele começou a se abrir também para um outro estilo de vida, principalmente em se tratando de roupas.

Segundo seu depoimento, Freitas achou durante um tempo que essa realmente era sua identidade, uma mulher lésbica “masculinizada”. No entanto, ele já tinha pensamentos sobre realizar uma cirurgia para retirar os seios e ter um nome diferente do atribuído em nascença.

Foi então que, nos primeiros meses de 2018, sua namorada começou a falar que não enxergava Freitas como uma menina, e, assim, ele foi se abrindo e descobrindo que é, de fato, um homem transgênero. O estudante lembra que, em determinado momento, a namorada até mesmo o chamou por um pronome masculino, e ele achou tranquilo.

“Antes de viver como trans, eu já tinha o nome Nicholas em mente. Então fui testando com ela [a namorada], vi que era isso mesmo e fui passando para meus amigos”, diz o jovem sobre o processo de ser chamado pelo nome com o qual se identifica. Desde então, ele diz que tem sido libertador e que têm aparecido pessoas boas em seu caminho.

Sobre as pessoas à sua volta, ele conta que tinha medo da reação, mas teve paciência para explicar a situação, e a maioria aceitou bem. Até mesmo seus avós tiveram uma reação tranquila, já que, de acordo com o jovem, eles já viam o neto como um menino. Apenas sua mãe não teve a melhor reação: “Ela tolera, mas não tenta entender”.

Atualmente, Freitas está envolvido em grupos trans, já que considera ótimo ter essa “conexão com iguais”. “O movimento trans é muito bonito, mas o ‘T’ da sigla LGBT é muito apagado, até mesmo dentro do meio”, afirma.

“É libertador ser quem eu sou”, comenta. “Desde que me assumi trans, comecei a me liberar mais para ser eu mesmo. Por isso, me orgulho de ser quem sou”, diz.

O estudante fala que muita gente o parabeniza por não ter medo de se expressar e que isso faz ele perceber o quão difícil é ser trans. “Você tem que dar a cara à tapa”, acrescenta. A mensagem que ele deixa para os LGBT que estão sofrendo com orientação sexual ou identidade de gênero é: “Não se abale e se expresse, porque muitas pessoas boas vão aparecer no seu caminho”.

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6. Saulo Tafarelo, 19 anos, estudante

Saulo já sofreu por causa de padrões estéticos e por causa do fato de ser gay e afeminado, mas se orgulha de ser quem é
Arquivo pessoal
Saulo já sofreu por causa de padrões estéticos e por causa do fato de ser gay e afeminado, mas se orgulha de ser quem é


“Você sabe, você apenas sabe”, diz Saulo Tafarelo sobre o fato de ser gay. Diante desse fato, viu que existia um choque de valores entre sua sexualidade e o preconceito reproduzido pela sociedade, ainda mais por morar no interior, em Jundiaí. Na época, ele também sofria com padrões estéticos e com o amor ao próprio corpo. O estudante diz que tinha medo de se assumir e de perder as pessoas à sua volta, o que fez com que ele se resguardasse.

Percebendo essa mudança de comportamento, seus pais decidiram colocá-lo para ter acompanhamento com uma psicanalista. De acordo com o estudante, conversar com um profissional foi essencial para fazê-lo perceber várias questões sobre sua vida, chegando no Ensino Médio com um completo entendimento de sua dinâmica sexual. “Deixei de me negar, me assumi, e as coisas começaram a caminhar muito bem”, diz.

Ele se assumiu para as amigas, e, segundo o jovem, o medo se transformou em alegria. Mas, quando se assumiu para os pais, foi bem difícil em um primeiro momento. “Foi como se fosse o fim do mundo”, conta. Com o tempo, os pais dele foram buscando se informar cada vez mais para lidar com a situação.

“Para ser quem sou hoje, foram anos de luta e derrubada de estigmas dentro de mim mesmo, e até hoje estou em constante transformação”, afirma Tafarelo. “Sou uma pessoa comum, apenas tenho uma causa a defender”, diz a respeito de sua participação no movimento e orgulho LGBT atualmente.

Ele acrescenta que se expressa através da escolha das roupas, da fala e até das pessoas que o cercam. “Preciso me festejar, preciso me celebrar. Tenho gestos afeminados, não me encaixo na heteronormatividade, e só temos a celebrar, criar empatia e amar”, comenta.

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7. Ana Karoline Silano, 20 anos, jornalista freelancer

Ana sente orgulho de ser quem é, pois, quando entendeu sua sexualidade, entendeu outros aspectos de sua vida
Arquivo pessoal
Ana sente orgulho de ser quem é, pois, quando entendeu sua sexualidade, entendeu outros aspectos de sua vida


Para Ana Karoline Silano, foi um processo demorado para ela se identificar, assumir sua bissexualidade e sentir orgulho de quem é. A jornalista conta que teve a primeira experiência com uma menina aos 15 anos, e, durante muito tempo, não entendia por que sentia atração por meninas e, ao mesmo tempo, por meninos. “A bissexualidade não era uma sexualidade clara para mim até então, só com a internet que entendi quem eu era para me aceitar”, afirma.

De acordo com a jovem, após ter mais informações e reconhecer a própria sexualidade, ela se aceitou no momento em que disse em voz alta. Para se assumir, Ana falou abertamente sobre isso com os amigos, que deram um retorno positivo, porém com carga de preconceito, com alguns ofendendo até certo ponto e até convidando-a para sexo a três.

“Na época, não entendia que era preconceito, porque era um preconceito que eu tinha dentro de mim mesma. Fui entendendo a bissexualidade e percebendo que os comentários eram completamente bifóbicos”, revela. Ela só foi se assumir para a mãe aos 19 anos, que, surpreendentemente, teve uma reação positiva.

Ser LGBT, para a jornalista, afeta consideravelmente a forma de ver o mundo. “É ver o mundo com outros olhos, reparar nos olhares, reparar no receio de casais LGBTs e como casais heterossexuais não têm o mesmo comportamento”, afirma.

“Sinto muito orgulho de ser quem eu sou. Quando você esconde uma parte de você, você esconde muitas outras. Quando você entende e aceita quem você é, você entende e aceita muito além da sexualidade, muito além da pessoas que você gosta ou fica. Por isso, aceitar e entender quem sou é motivo de muito orgulho LGBT e realização para mim”, explica.

*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada

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