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No método de Recepção do Óvulo da Parceira, uma das mães fornece o óvulo que é fecundado por doador anônimo e implantado no útero da outra mãe

Agora existe uma forma de duas mulheres em um casal contribuírem ativamente para a geração de seus filhos, o ROPA (Recepção do Óvulo da Parceira), em que uma das mães fornece o óvulo que é fertilizado e depois implantado no útero da parceira, para que ela leve a gestação adiante. As espanholas Verónica Sánchez e Jana Victoria viralizaram nas redes ao compartilharem sua experiência com esse método de reprodução assistida, que acabou gerando o filho de ambas, Alex.

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No Instagram, além de reprodução assistida, Verónica (dir) fala sobre maternidade lésbica
Reprodução
No Instagram, além de reprodução assistida, Verónica (dir) fala sobre maternidade lésbica


Para falar sobre o método de reprodução assistida , também chamado de “maternidade dupla”, Verónica criou o blog e conta “Oh! Mami blue”, no Instagram, pois nem ela nem sua esposa sequer o conheciam antes de elas mesmas começarem a explorar opções para formar uma família. "Queremos que outras mulheres pudessem ler sobre o assunto contado em primeira pessoa”.

Ao jornal espanhol “El País”, ela contou que, na Espanha, o método custa por volta de 10 mil euros (aproximadamente R$ 44 mil), “se você tem sorte e consegue de primeira. Nós tivemos essa sorte. Começamos o tratamento em setembro de 2015 e em novembro já estávamos grávidas. Não teve muita discussão sobre quem faria o que. Eu queria muito experimentar a gravidez e, para ela, não era tão importante carregar nosso filho, então ela doou o óvulo”.

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No caso da ROPA, como não há um homem na relação, a clínica que realiza o procedimento escolhe o esperma de um doador, sempre anônimo, que tem traços físicos similares aos das mães, para que a criança se pareça com elas.

“Dá um pouco de medo que na Espanha não ofereçam informações mínimas sobre o doador. Acabamos realizando o procedimento em uma clínica dinamarquesa, onde o processo nos pareceu mais humano. O doador continuava anônimo, mas nos entregaram uma carta a mão escrita por ele, uma gravação para que escutássemos sua voz, e informações como as doenças que existem na família dele, se ele tem irmãos e coisas assim”, revela.

Militando no Instagram: falando sobre reprodução assistida e maternidade lésbica


A conta Oh! Mami Blue já tem153 mil seguidores e Verónica, que a administra, se aproveita do espaço para falar de maternidade lésbica .

“O Instagram está cheio de hashtags sobre maternidade, mas quase nenhum se refere a famílias de pais homoafetivos. Criamos uma rede por meio da hashtag ‘#2mamás’ [duas mamães]. O que não se vê, não existe. Então é mais do que só compartilhar fotos bonitas. É uma luta importante”, defende. Segundo ela, seu objetivo é “visibilizar, normalizar e naturalizar” casais e mães lésbicas.

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Além disso, Verónica busca, por meio de sua experiência, ajudar outras mulheres que querem engravidar com reprodução assistida por ROPA. Hoje, seu filho, Alex, tem pouco mais de dois anos.

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