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"Maior Parada do mundo" acontecerá neste domingo (3) em São Paulo e, com tema político, promete engajar o público na festa que promove diversidade

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é considerada a maior do mundo desde quando apareceu em 2004 no livro Guinness de recordes. E mesmo tendo sido retirada do livro após mudanças nas regras dos recordes, a Parada LGBT continuou com a fama e ainda é um dos eventos mais importantes para a comunidade se manifestar e se expressar, como revela Todd Tomorrow, ativista LGBT de Direitos Humanos.

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A Parada LGBT 2018 de São Paulo promete tratar sobre eleições, em um ambiente cada vez mais diverso e inclusivo
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A Parada LGBT 2018 de São Paulo promete tratar sobre eleições, em um ambiente cada vez mais diverso e inclusivo


Em 2018, o tema da Parada LGBT de São Paulo, que acontecerá neste domingo (3), são as eleições que vão ocorrer no segundo semestre do ano. Tomorrow, que já foi candidato a vereador e deputado estadual, afirma que o tema se faz necessário no cenário atual diante da hostilidade que enfrentamos. “Nós, LGBTs, somos frequentemente difamados por figuras tenebrosas da política”, pontua.

Também em entrevista ao iGay , Heitor Werneck, diretor artístico da Parada, reforça a urgência de se tratar sobre política diante de tanta “intolerância sexual e retrocesso”. “Não temos leis, não temos políticos que briguem por nós, não tem LGBT na Câmara”, declara, e desabafa: “As empresas também precisam ser mais inclusivas”.

O diretor acredita que a Parada funciona, sim, para politizar a comunidade e contribuir para a representatividade. Em 2017, o tema do evento foi o estado laico, o que contribui, de acordo Werneck, para aumentar a discussão acerca do assunto. Neste ano, ele afirma já enxergar resultados com uma maior quantidade de LGBTs, principalmente de novas gerações, se engajando e participando da política.

“Só da Parada ter colocado este tema já trará reflexão para milhares de pessoas”, acrescenta Tomorrow. “Eu acredito que isso seja um avanço tremendo. Agora, as pré-candidaturas precisam trabalhar para conseguir esses votos. Não basta ser LGBT para merecer. Tem de estar engajado nas lutas contra as opressões.”

Assim, o ativista propõe um engajamento cada vez maior para que a comunidade consiga ocupar seu espaço. “Precisamos organizar a resistência também nos espaços institucionais. Contar apenas com 'aliados' já não é suficiente. Nós queremos nossas cadeiras nos parlamentos”, diz.

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A programação da Parada LGBT 2018

A Avenida Paulista enche de cor no dia da Parada, e em 2018 não será diferente, com grande variedade de grupos e trios
Divulgação
A Avenida Paulista enche de cor no dia da Parada, e em 2018 não será diferente, com grande variedade de grupos e trios


No intuito de diversificar o espaço, a Parada promete trazer uma ampla representatividade em suas alas e trios elétricos, de acordo com o diretor artístico do evento. Grupos diversos estarão presentes, como ciganos, indígenas e pessoas com deficiência, representando o próprio grupo e também o movimento, também com representantes de cada letra da sigla, conta Werneck.

Ele afirma que a mensagem, com toda essa organização para abranger o maior número possível de grupos em prol da diversidade, é a de falar “vote em quem representa você”. De acordo com o diretor, em cima dos carros ocorrerão performances de grupos teatrais, lembrando sobre o voto, e também serão levadas faixas com frases políticas.

A 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT, com o slogan “Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz”, terá sua concentração às 10h na Avenida Paulista, e o início da marcha às 12h, com a saída do primeiro trio. O trajeto dos trios será entre a Paulista e a Rua da Consolação, com a chegada do último trio à Consolação às 18h. Ao final da Parada, no Vale do Anhangabaú, acontecerá a partir das 19h o show de encerramento com os artistas Banana Split, Fíakra e Jade Baraldo, além de diversos outros artistas.

A madrinha deste ano é Fernanda Lima, e a apresentadora oficial é a Drag Queen Tchaka. O movimento é organizado pela ONG APOGLBT SP (Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo). As atrações principais serão Pabllo Vittar, Preta Gil, Mulher Pepita, Lia Clark e April Carrión nos trios da Uber. Uma grande novidade do ano será uma ala dedicada a BDSM e fetiche, revela Werneck.

Confira a ordem dos trios:

  1. Abertura – ONG APOGLBT SP 
  2. Famílias LGBT/ Mães pela Diversidade – ONG APOGLBT SP
  3. Coordenação de Políticas para LGBT – Prefeitura SP
  4. AHF/Secretarias Saúde 
  5. Casa Florescer – Prefeitura SP
  6. Centro de Cidadania LGBTI –Prefeitura SP
  7. Identidade TransTTs – ONG APOGLBT SP
  8. Transcidadania – Prefeitura SP
  9. Juventude LGBT – ONG APOGLBT SP
  10. Lésbica &Bi - ONG APOGLBT SP
  11. SMDHC – Prefeitura SP
  12. Gays&BI – ONG APOGLBT-SP
  13. Museu da Diversidade – ONG APOGLBT-SP
  14. Trio SKOL 
  15. Artistas da Noite – ONG APOGLBT-SP
  16. Trio UBER I 
  17. Trio UBER II 
  18. Trio da Paz/Encerramento – ONG APOGLBT-SP

A Parada LGBT “virou festa”?

Muitas pessoas questionam se a Parada se tornou
AgNews
Muitas pessoas questionam se a Parada se tornou "uma festa", perdendo seu propósito de manifestação, mas o ativista afirma que não é o caso, já que "fervo" e "luta" se complementam, e Werneck diz que "festa também é manifestação"


Uma das grandes questões que circundam a Parada nos últimos anos é o fato de que ela teria “virado apenas uma festa”, perdendo o intuito de ser uma manifestação dos princípios da comunidade LGBT. No entanto, o próprio diretor artístico do evento afirma que “festa também é uma forma de se manifestar”, ou seja, o simples fato de a comunidade LGBT festejar já é uma forma de se afirmar na sociedade.

O ativista Tomorrow também compartilha do posicionamento e analisa que “aqueles que são contrários à nossa própria existência costumam tentar desqualificar nossas expressões, afirmando que ali deixara de ser um espaço de luta para ser um de festa”. “Na verdade, temos uma convivência entre o ‘fervo’ e a ‘luta’, que se complementam muito bem. Aquele é um espaço muito caro pra gente”, acrescenta.

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Quando se trata de comunidade LGBT de São Paulo, ele declara que a Parada LGBT é muito importante, tanto economicamente, quanto no nível simbólico, já que fortalece politicamente a comunidade local. “As Paradas do Orgulho LGBT sempre serão necessárias para que o mundo entenda que, mesmo sendo um lugar hostil para pessoas como nós, ainda existiremos.”

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