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Dois estudos recentes descobriram que o exame do cérebro de uma pessoa transgênero pode apresentar diferenças em relação a uma pessoa cisgênero

Um estudo , realizado pela neuroendocrinologista belga Julie Bakker, na University of Liège’s Laboratory of Neuroendocrinology, apontou que é possível saber se uma pessoa é transgênero pelo exame de seu cérebro , de acordo com informações do jornal britânico Telegraph. Publicada no começo do mês de maio deste ano, a pesquisa também mostra que as pessoas trans já nascem sendo trans.

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Ao que diz o estudo, pessoas transgênero podem ser identificadas pelo cérebro, até mesmo antes de nascerem
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Ao que diz o estudo, pessoas transgênero podem ser identificadas pelo cérebro, até mesmo antes de nascerem


Em seu estudo, intitulado “Estrutura e funcionamento do cérebro na disforia de gênero”, em tradução livre, Julie explica que foram realizados digitalizações (“scans”), cujos resultados corroboravam com aqueles indivíduos que relataram ter “disforia de gênero”, ou seja, que afirmaram ser transgênero .

“Nós descobrimos que as respostas do hipotálamo de garotas e garotos diagnosticados com disforia de gênero eram mais similares ao gênero com que eles se identificam do que ao sexo cunhado em nascença”, ela esclareceu. Ou seja, seria possível descobrir o gênero com o qual a pessoa de identifica de verdade examinando o cérebro dela, podendo descobrir também se ela é cis ou trans.

A profissional se demonstrou animada com as descobertas, que “dão apoio à hipótese de diferenciação entre cérebros cis e trans”. O estudo também descobriu que a massa cinzenta no cérebro pode revelar se o gênero do indivíduo: “a massa cinzenta de pessoas com disforia de gênero desviaram de volume”.

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Apesar de ainda ser preciso pesquisar mais sobre o assunto, Julie manifestou alegria. “Nós poderemos nos equipar para dar melhor apoio para pessoas trans, em vez de apenas mandar para um psiquiatra e esperar que tudo se resolva”.

Estudo da USP sobre a comunidade transgênero

No começo do ano, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo compararam os cérebros de adultos trans com de adultos cis e descobriram, em estudo publicado na Scientific Reports, que a ínsula, uma região do cérebro, tinha um volume distinto dependendo se fosse o cérebro de uma pessoa trans ou uma pessoa cis.

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Giancarlo Spizzirri, autor do estudo publicado em março, disse que o resultado os levou a acreditar que as pessoas são trans desde quando estão no útero. “Nós descobrimos que pessoas transgênero têm características que as aproximam do gênero com o qual elas se identificam”, afirma.

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