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“A ideia é mostrar o lado de cada um com empatia, em vez de demonizar um ou outro comportamento", diz Diego, diretor da série "Homem de Verdade"

A série “Homem de Verdade”, dirigida por Diego Monteiro, aborda, em 15 capítulos de um minuto cada, a questão da masculinidade , tanto para o homem hétero quanto para o gay e o transgênero. Ela foi ao ar no início do mês de maio no Instagram, podendo ser assistida em qualquer aparelho celular.

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Gabriel Lodi, ator que é e interpreta um homem transgênero na série, afirma que
Reprodução/Instagram/homemdeverdade_serie
Gabriel Lodi, ator que é e interpreta um homem transgênero na série, afirma que "Homem de Verdade" é interessante também para mostrar a pais e mães a realidade da masculinidade e os pontos de vista de homens diferentes sobre isso


A trama apresenta quatro personagens: um casal, constituído por uma mulher e um homem cisgênero heterossexual, um homem transgênero e um homossexual. Com comentários ofensivos, o homem cisgênero hétero tem dificuldades para entender as realidades dos outros dois, que pertencem à comunidade LGBT.

Ao longo dos episódios, são trazidos à tona alguns flashbacks do homem cis hétero em sua infância, sendo orientado a “não chorar” e outros aspectos associados à masculinidade para ser “homem de verdade”. Assim, desde sua criação, ele acredita em tais preconceitos de uma forma naturalizada, reproduzindo esse conhecimento com frases do tipo “nunca vi mulher virar homem”.

O objetivo da série é mostrar, de uma forma leve, os pontos de vistas de homens diferentes, até mesmo do hétero que cresceu com tais ideias na cabeça, afirma o diretor em entrevista ao iGay . “A ideia é esclarecer e mostrar o lado de cada um com empatia, em vez de demonizar um ou outro comportamento. Procuramos questionar a forma como a sociedade ainda vê e se relaciona com este assunto, tão presente na nossa vida”, declara.

Sem desmerecer a militância, ele conta que sua ideia era fazer com que o espectador testemunhasse esse cenário “de uma forma educativa, sem se sentir acuado”. “Como o ator Gabriel Lodi [que interpreta e é um homem trans] me disse, o interessante é que dá para mostrar para pai e mãe”, acrescenta.

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Com um grande número de visualizações, comentários e seguidores no perfil do Instagram, Monteiro demonstra ânimo e motivação para uma segunda temporada. Nela, “as possibilidades são infinitas”, mas ele diz que, ultimamente, tem problematizado a questão dos homens bissexuais, que, muitas vezes, são deslegitimados por sua sexualidade e sofrem preconceito mesmo entre LGBTs.

“Vivemos um momento de grande questionamento no Brasil”, diz. É nesse contexto, que o diretor pretender se aproximar do “brasileiro médio” e apresentar a realidade por meio de histórias, acreditando assim que, ao lado da militância, é possível alcançar mais conquistas para a comunidade LGBT.

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A relação do diretor com a causa LGBT


Monteiro revela que se identifica como pansexual, ou seja, alguém que se interessa por todos os gêneros, e que apoia bastante a causa. De acordo com ele, sua vida sempre foi em uma bolha muito agradável, tanto no âmbito familiar quanto no mundo do audiovisual com o qual ele trabalha. Ao tomar conhecimento dos preconceitos que pessoas transgênero  enfrentam, ele começou a pesquisar e se envolver cada vez mais com a causa.

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