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A rede social Weibo, versão chinesa do Twitter, tinha decidido "purificar" a plataforma de conteúdo gay, e os usuários, junto do governo, manifestaram-se contra a atitude, o que resultou na reavaliação da decisão pela empresa

A rede social Weibo , versão chinesa do Twitter, anunciou na última sexta-feira (13) novos termos de condições para “purificar” a plataforma e proibiu alguns tipos de conteúdos, como o conteúdo LGBT , o que causou polêmica. Após pressão popular e posicionamento do governo chinês, o site voltou atrás nesta segunda-feira (16) e reverteu a proibição, de acordo com a agência “Reuters”.

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O Weibo teve que voltar atrás na decisão de proibir conteúdo gay após manifestação de internautas e do governo
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O Weibo teve que voltar atrás na decisão de proibir conteúdo gay após manifestação de internautas e do governo


O conteúdo que havia sido proibido variava entre pornografia, vídeos de temática gay ou de violência e desenhos com ilustrações de relacionamentos gays. Em resposta, a comunidade LGBT caiu em cima da decisão, usando hashtags e registrando queixas contra a atitude da rede social.

Esse descontentamento surge do medo da crescente censura no país, que tende a banir todo o conteúdo LGBT como “sujo”. Assim, os usuários pretendem se esforçar para que a internet seja um espaço de tolerância para a comunidade no país, como têm se manifestado nas redes sociais.

Demonstrando apoio à comunidade, a hashtag “Eu sou gay” subiu para uma das vistas na Weibo. Ela foi vista cerca de 300 milhões de vezes na rede social antes de ser censurada no último sábado (14).

Ainda não ficou claro se a atitude foi resultado de censura direta do governo ou se foi uma iniciativa da companhia. A empresa afirmou que a campanha da nova política tinha o objetivo de assegurar que a rede social esteja de acordo com o novo regulamento online lançado em junho de 2017, que consta que relações homoafetivas são “anormais”.

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Situação da comunidade LGBT na China

Na China, a comunidade LGBT tem as redes sociais como principal campo de batalha, de acordo com Xiao Tie, presidente do Beijing LGBT Center. Assim, podem defender abertamente seu ponto de vista e, por exemplo, até argumentar contra celebridades conservadoras, que afirmam que os melhores casais são os héteros.

“O problema da política [do site] é que coloca conteúdo LGBT no mesmo nível que pornografia”, acrescenta a presidente do centro. Ela acredita que o governo não é anti-LGBT, mas que as autoridades não têm ideia de como lidar com a situação.

“O maior problema é a cultura da censura restrita”, acrescenta. “As redes sociais costumavam ser um espaço livre, mas as coisas começaram a mudar nos últimos anos.”

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Um grande exemplo disso é a escritora Hao Kegui, que se assumiu lésbica em uma carta publicada nas redes sociais. “Minha preocupação é que, como a China é muito grande e os lugares que ficam fora das grande cidades ainda são bem conservadores, existe uma boa parcela da comunidade gay que aprende sobre sua sexualidade nas redes sociais”, diz à “Reuters”.

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