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Projeto "Transcending Self" quer fazer com que as pessoas transgêneros do chamado terceiro gênero sejam conhecidas, a partir de fotos inspiradoras

Você conhece o terceiro gênero ? Trata-se de pessoas transgênero que não se identificam necessariamente com o sexo masculino ou o feminino e se identificam como não-binário, ou seja, o estado de ser neutro em seu papel social de gênero .  

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O projeto
Reprodução/Instagram/transcendingself
O projeto "Transcending Self" mostra a vida de pessoas transgênero do terceiro gênero, como Davi, que é gênero neutro


Em uma sociedade acostumada com a narrativa de homem ou mulher, já dá para imaginar que não é fácil para as pessoas transgênero  do terceiro gênero serem aceitas e reconhecidas legalmente pela sociedade. E foi por esse motivo que a fotógrafa nova-iorquina Annie Tritt criou o projeto “Transcending Self”, que conta como é a experiência destes indivíduos, principalmente os mais jovens.

A ideia de Annie, além de tentar entender como é o processo de reconhecimento e entendimento do próprio gênero, é afirmar a importância das narrativas de pessoas não-binárias na sociedade, usando fotografias inspiradoras. Falando sobre o projeto no site “Vox”, ela contou que os principais dilemas que as pessoas vivem surgem por não se identificarem com os “rótulos” binários de gênero.


Outra questão abordada é a falta de representatividade, e até mesmo de discussão, na mídia. As pessoas não-binárias não têm seu espaço e sofrem com a falta de empoderamento, acabando sem saber como se identificar em primeiro lugar e, depois, sem saber como conseguir reconhecimento.

Como a fotógrafa narra, para jovens que sofrem com sua identidade de gênero, ser reconhecido significa muito. E a partir de uma simples lei elas poderiam sair da condição de “ausência social” para oficialmente “existirem” na sociedade.

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Reconhecimento do terceiro gênero pelo mundo


A pergunta que surge é: como essas pessoas podem ser reconhecidas em documentos de identidade e passaportes? Os países que reconhecem o terceiro gênero utilizam diversos métodos, assinalando “indefinido” ou até um “X” na opção de gênero. E, felizmente, o número de lugares que aceitam a não-binaridade vêm crescendo, mesmo que de forma tímida.

Em 2018, por exemplo, entrou em vigor em todo o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, a opção de marcar um terceiro gênero. Oregon, em junho de 2017, foi o primeiro estado do país a realizar tal feito.

Ainda assim, pessoas não-binárias não são reconhecidas na maior parte do mundo. A Alemanha tornou-se o primeiro país europeu a reconhecer legalmente o terceiro gênero, no final de 2017. Os outros países que liberaram o reconhecimento nos últimos dez anos foram Austrália, Bangladesh, Canadá, Índia, Malta, Nepal, Nova Zelândia, Paquistão e Quênia.

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No Brasil, não é comum encontrar indivíduos que se identificam de tal forma e tão pouco leis para darem apoio a elas, afinal é o país que mais mata pessoas transgênero  do mundo. Até existe um projeto de lei que "dispõe sobre os registros públicos e dá outras providências a fim de disciplinar o registro civil do recém-nascido sob o estado de intersexo", mas ele aguarda reconhecimento na Câmara dos Deputados.

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