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Homem transgênero finlandês causou polêmica por ainda ser fértil, pois a legislação finlandesa exige esterilidade para alterar sexo em registro legal

Um homem trans da Finlândia tornou-se o primeiro pai transgênero do país, após dar à luz a uma criança, e a notícia ganhou destaque na mídia local do país nesta quarta-feira (4). Apesar de preferir manter sua identidade e de sua família em anônimato, ele deu seu depoimento ao site finlandês “Lannen Media” e afirmou que o bebê nasceu há quinze dias, saudável – com aproximadamente 4 kg e 53 cm.

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Pai transgênero dá à luz na Finlândia e causa polêmica diante da legislação do país, que não permite um trans fértil
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Pai transgênero dá à luz na Finlândia e causa polêmica diante da legislação do país, que não permite um trans fértil


O homem transgênero  é gay e casado com outro homem. Prestes a completar a transição, ele decidiu cancelar a terapia hormonal e a cirurgia de redesignação de sexo para ter um filho com seu parceiro.

O nascimento da criança causou polêmica, pois é obrigatório ser estéril para realizar a transição de gênero na Filândia e só assim é possível alterar o sexo nos registros de identidade. Nos centros de saúde, as pessoas já trans são consideradas estéreis por passarem por uma longa terapia hormonal.

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Assim, o homem trans, teve seu gênero reconhecido legalmente em 2015, após passar por vários tratamentos com testosterona. Mas os medicamentos não o tornaram totalmente estéril e, após parar com a medicação e cancelar a terapia, ele conseguiu  voltar a ser fértil.

“Eu não quero que a sociedade diga para mim o que posso fazer com o meu corpo e com a minha vida. Nada pode me parar, eu sou um homem livre”, declarou o pai de primeira viagem em entrevista ao diário finlandês “Helsingin Sanomat” durante a gravidez. O bebê nasceu e o homem saiu de licença maternidade para cuidar do filho.

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Finlândia e direitos LGBT

Os direitos LGBT na Finlândia estão entre os mais otimistas no mundo. De acordo com a International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (ILGA), associação internacional pelos direitos da comunidade, a legislação do país é a mais extensiva e mais desenvolvida das legislações europeias.

Em 2014, o país aprovou o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo e a adoção de casais homoafetivos, o que foi efetivado em primeiro de março de 2017.

No entanto, a Finlândia é o único país nórdico a exigir a esterilidade de seus cidadãos transgênero que querem alterar o gênero nos documentos de identidade, tornando-se alvo de críticas de organizações a favor dos direitos humanos.

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