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Personagem Adinéia, de "O Outro Lado do Paraíso", ainda não se decidiu se aceita ou não a orientação sexual do filho, Samuel, mas uma mãe da vida real mostra que a busca pelo conhecimento é o caminho que deve ser seguido

Na novela " O Outro Lado do Paraíso" , da Rede Globo, a personagem Adinéia descobriu que seu filho, Samuel, é LGBT ainda no começo da trama. Ele tentava disfarçar a orientação sexual com um casamento de fachada, mas tudo foi descoberto posteriormente. Adinéia se viu tendo de lidar com a sexualidade do filho mesmo não apoiando de fato a decisão de Samuel se unir a outro homem.

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Adinéia até deixou que seu filho LGBT levasse para a casa o seu parceiro, mas, no fundo, ainda não conseguiu aceitar
TV Globo/ Divulgação
Adinéia até deixou que seu filho LGBT levasse para a casa o seu parceiro, mas, no fundo, ainda não conseguiu aceitar

Ela o fez porque ama o filho, mas ao longo dos capítulos o público pôde perceber que Adinéia também tenta, em vários momentos, afastar o filho do namorado por não aceitar que ele esteja em um relacionamento LGBT .

Fora das telas também pode ser complicado se assumir para a família. Casos como o de Adinéia ainda são comuns, isso é um fato. Mas também há mães que provam o contrário, como Maju Giorgi, uma mãe de filho gay da vida real. 

O susto também foi inevitável na hora em que ficou sabendo da sexualidade de André, que se assumiu na adolescência. Além disso, teve medo das coisas que seu filho teria de passar, como encarar a homofobia. Entretanto, a acolhida imediata foi sincera no caso de Maju. 

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Ela só pensava em abraçar o filho quando ele se revelou gay, então decidiu sair da zona de conforto e realmente passou a estudar sobre sexualidade. A imersão foi tanta que ela chegou na militância LGBT. Maju se uniu com outras mães que conheceu pela internet e fundou o “Mães pela Diversidade”, comunidade que busca dar apoio a mães de filhos LGBT.

Ela acompanhou de perto o verdadeiro preconceito contra pessoas que não são hétero ou cisgênero, entendeu melhor sobre o assunto e, hoje, seu objetivo, junto com o coletivo, é “gritar em qualquer espaço que puder, gritar e gritar muito,” a favor da igualdade, como diz.

Ficção vs. realidade

Em “O Outro Lado do Paraíso”, o parceiro de Samuel afirma não entender por que Adinéia sofre para aceitar o filho, já que ,“no fundo, toda mãe sabe quando o filho é gay”. Maju discorda dessa afirmação. 

Ela conta que até já sabia da sexualidade do filho desde quando ele era pequeno, assim como boa parte das mães com quem conversa. No entanto, segundo a militante, existem mães que escondem a realidade em seu subconsciente, afirmando não saber. Como mães, elas sentem a dor da realidade pelo filho e acabam evitando isso.

E até mesmo por isso ela acha que a novela está sendo importante para mostrar, pelo menos em partes, a realidade de muitas mães e filhos gays. Outro ponto positivo é que homens gays podem se sentir representados ao ver um personagem com a mesma orientação sexual, algo que nem sempre acontece. O mesmo pode ser sentido pelas mães. 

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Segundo Maju, “o LGBT não identifica semelhantes em seu ambiente, e as mães também não”. Sendo assim, todos acabam sofrendo. Da mesma forma que a novela pode ajudar neste aspecto, explica a militante, a função do "Mães pela Diversidade " é de identificar o igual e naturalizar a situação. “Pode vir para o ‘Mães’, vai arranjar muitas amigas”, completa Maju.

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