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No sexo gay, há a diferenciação de papéis sexuais e a divergência das preferências pelo prazer; Carla Cecarello explica como isso acontece

O sexo é uma parte importante do relacionamento. E no sexo gay é preciso entender alguns detalhes para que tudo ocorra bem entre você e seu parceiro. 

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No sexo gay, existem os papéis ativo, passivo, versátil e gouine; a psicóloga Carla Cecarello esclarece como ocorre
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No sexo gay, existem os papéis ativo, passivo, versátil e gouine; a psicóloga Carla Cecarello esclarece como ocorre


Para abordar a questão do sexo gay , o iGay conversou com a Carla Cecarello, sexóloga do site de sexo casual C-date, que esclareceu como ocorre a transa entre dois homens. Ela fundou a ABS (Associação Brasileira de Sexualidade), que tinha por objetivo a realização de pesquisas e trabalhos científicos, e fala com propriedade sobre a discussão.

Sexo com penetração - ativo x passivo

Para aqueles que curtem penetração, um homem é passivo (“bottom”), que sente prazer em ser penetrado, e outro é ativo (“top”), aquele que pratica a penetração. Há também a possibilidade de serem versáteis, não se restringindo a apenas uma das posições e sentindo prazer com os dois papéis. 

Na primeira vez de um casal, ou em alguma transa casual, é sempre um dilema quem vai desempenhar qual papel na hora H, já que não há conhecimento das opções do parceiro. De acordo com Carla, a relação “deve se configurar de forma espontânea”. Ela acredita que uma conversa precedendo o sexo pode resolver, porém ainda prefere a espontaneidade. “Pode ser que na hora rolem outras questões e outros comportamentos”, afirma. 

O senso comum costuma associar homens mais agressivos e autoritários com o título de ativo e mais sensíveis com o título de passivo. Carla afirma que isso não deve acontecer, pois o senso trabalha com estereótipos nem sempre reais.

A sexóloga aconselha o casal a conhecer um ao outro, pontuando até que aplicativos de namoro acabando servindo de catálogos e tirando o encanto sexual da hora H. Para o caso de dois passivos ou dois ativos se depararem na cama, ela sugere a utilização de brinquedos, a masturbação mútua e o sexo oral, práticas que podem ampliar o repertório sexual do casal. E, ainda mais, experimentar em papéis diferentes (por que não?). Assim, eles podem se moldar com o tempo pelo prazer dos dois.

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Já em uma transa com mais de duas pessoas, os papéis também se definem na hora, “deixando fluir a vontade do momento e não perdendo a fantasia”, segundo Carla.

Sexo sem penetração - gouine

Também vale tocar no assunto do sexo sem penetração. Os que não praticam ou não sentem prazer em praticar penetração são denominados gouines (ou “sides” em inglês). Eles preferem explorar os órgãos do sentido, com toque e carícias, que não são preliminares, segundo a sexóloga.

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Para Carla, vale o mesmo do sexo com penetração: uma conversa prévia pode resolver, mas, na hora, tudo pode mudar e vale a pena experimentar.

No Brasil

Quando perguntada sobre como tudo isso ocorre no Brasil, Carla é categórica: “O brasileiro é conservador, ainda mesmo em uma relação sexual”. Segundo ela, as pessoas estão ampliando o conhecimento nesse sentido, introduzindo práticas novas da Europa, por exemplo, que é o caso do gouinage da França.

Para ela, o sexo gay no Brasil não tem tantos representantes versáteis e os casais são restritos em seu papéis. E reforça que “lógico, existe a disponibilidade de experimentar pelo menos uma vez algo novo”.

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