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Com tratamento hormonal, americana se tornou a primeira mulher trans a amamentar. Quando o bebê nasceu, ela produzia 200 mililitros de leite ao dia

Amamentar é agora uma realidade para mulheres transgênero. Segunda informações do "Transgender Health," diário científico, uma americana, que não quis se identificar, foi a primeira mulher trans a amamentar, mesmo sem realizar cirurgia de redesignação de gênero. A mãe passou por um tratamento com hormônios em Nova York.

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Após tratamento com hormônios, americana é a primeira mulher transgênero no mundo a amamentar uma criança
Creative Commons/Flickr
Após tratamento com hormônios, americana é a primeira mulher transgênero no mundo a amamentar uma criança


Quem estava grávida, na verdade, era a parceira da mulher, que não desejava amamentar. Antes do nascimento, o casal foi ao centro de especialização em saúde trans nova-iorquino Mt Sinai's Center for Transgender Medicine and Surgery para obter ajuda e um tratamento. Quando a criança nasceu, a mulher transgênero produzia leite suficiente para seis semanas.

O tratamento

A edição de janeiro do diário científico estudou e detalhou como foi o tratamento. Segundo a publicação, ela em questão não passou pela cirurgia de aumento de seios nem pela vaginoplastia, que ajudam o ato de amamentar.

A mulher decidiu iniciar uma terapia independentemente em 2011, no centro Mt Sinai’s. Ela tomava espironolactona, que é um supressor de testosterona; estradiol, um hormônio semelhante aos produzidos pelos ovários, e progesterona micronizada, relacionado ao equilíbrio do ciclo ovariano e à gravidez.

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Para conseguir amamentar de fato, ela começou a tomar domperidona, além de usar bombas para retirar leite dos seios. O medicamento é normalmente utilizado para procedimentos gastrointestinais e para a indução da produção de lactose. Ao passar do tempo, começando três meses antes do nascimento, as doses foram aumentando e a produção de leite também, até conseguir 200 mililitros por dia.

As doses de domperidona foram obtidas do Canadá, já que a droga ainda é ilegal nos Estados Unidos. O fármaco não é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), agência do Departamento de Saúde, devido a relatos de pessoas que injetaram o medicamento e tiveram problemas cardíacos. 

O caso evidenciou a possibilidade de poder ter filhos e amamentar somente pelo tratamento mais “caseiro”, que é o regime hormonal. O médico Tamar Reisman, do Mt Sinai’s, afirma que a domperidona foi apenas complementar às bombas de leite e ao regime já seguido anteriormente.

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Médicos do centro afirmaram que o bebê alimentado pela mulher transgênero é saudável e está se desenvolvendo na mesma proporção que outros bebês.

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