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As ilhas Bermudas voltaram atrás e proibiram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A lei que efetivava a união ficou em vigor durante nove meses

As ilhas Bermudas, que fazem parte do território britânico, revogaram na quarta-feira (7) a lei que legaliza o casamento gay. É a primeira vez na história que um território volta atrás e proíbe a união entre pessoas do mesmo sexo. As informações são do jornal "The New York Times". 

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A lei que legalizava o casamento gay foi revogada nas ilhas Bermudas
Reprodução/Pinterest/salveanoiva.com
A lei que legalizava o casamento gay foi revogada nas ilhas Bermudas


O decreto foi legitimado com a assinatura do governador, John Rankin, ao referendo feito em 2016 por uma parcela da população contra o casamento gay . Em julho de 2017, o partido conservador (Progressive Labor Party) passou a predominar no Parlamento, o que resultou na aprovação do referendo meses depois, em dezembro.

A medida foi denominada Domestic Partnership Act (ato da parceria doméstica, em inglês). Ou seja, casamentos LGBT estão banidos, mas os casais que á havia feito a união ainda podem ser reconhecidos como parceiros domésticos. No período que a lei ficou em vigor, apenas oito casamentos homoafetivos foram realizados no país. 

A decisão destoa do Reino Unido. Lá, a união entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2014, em todo o território exceto na Irlanda do Norte. Segundo o jornal americano, a primeira-ministra britânica, Theresa May, declarou que a Inglaterra está “seriamente decepcionada” após a lei ser revogada nas Bermudas.

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Repercussão da revogação da lei nas ilhas Bermudas

O assunto dividiu opiniões no território e na comunidade internacional. Defensores dos direitos humanos ao redor do mundo condenaram a reversão. O diretor do grupo Human Rights Campaign, Ty Cobb, alegou à "NBC" que a decisão “sequestra a reputação de Bermudas em nível internacional, assim como sua economia”. O grupo local Rainbow Alliance of Bermuda afirmou que a nova lei é uma versão diminuída dos direitos e faz com que haja “casamentos de segunda classe”, representando uma decadência dos direitos da comunidade LGTB.

Winston e Greg Godwin-DeRoche, casal gay responsável por efetuar o projeto de lei a favor da união, relataram sua mágoa em um post no Instagram: “É um dia triste para Bermudas, é um dia triste para os direitos humanos”.

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Na quinta-feira (8), a hashtag “#BoycottBermuda” (boicotar Bermudas, em uma tradução para o português) foi usada por usuários do Twitter para mostrar indignação.

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Uma pesquisa feita pela Pew Reasearch Center revelou que 26 países, majoritariamente europeus, reconhecem o casamento gay. A última adição da lista foi a Austrália, em dezembro de 2017.

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