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O Conselho afirma que identidades de gênero fazem parte das possibilidades da existência humana e não devem ser compreendidas como transtornos

Na segunda-feira (29), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) aprovou a regulamentação que proíbe psicólogos de usarem seu conhecimento para tratamentos de "reorientação sexual", popularmente conhecidos como "cura gay", em pessoas transexuais e travestis

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O Conselho afirma que  identidade de gênero se refere à experiência individual e, por isso, a
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O Conselho afirma que identidade de gênero se refere à experiência individual e, por isso, a "cura" é inviável


O documento proíbe o profissional de "propor, realizar ou colaborar com qualquer evento ou serviço, nas esferas público e privadas, que visem conversão, reversão, readequação ou reorientação de identidade de gênero", ou seja, nenhum método que insinue a " cura " para a transexualidade ou travestilidade.

A decisão também prevê que eles atuem de acordo com os princípios éticos e conhecimentos da profissão para ajudar a eliminar o preconceito, além de não exercerem ou serem coniventes com qualquer ação que favoreça a discriminação, incluindo pronunciamentos que legitimem ou reforcem o preconceito através de meios de comunicação ou na internet. 

O Conselho considera que a identidade de gênero “refere-se à experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo e outras expressões de gênero”.

Além disso, a entidade também lembra que expressões e identidades de gênero não devem ser compreendidas como psicopatologias, transtornos mentais, desvios ou inadequações, porque fazem parte das possibilidades da existência humana. 

Cura gay

Em setembro, o debate sobre o tema voltou a ter força no Brasil depois que o juíz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, autorizou, em caráter liminar, que psicólogos usem seu conhecimento para tratamentos de “reversão sexual” . Entretanto, o Conselho Federal de Psicologia já proibia a prática há quase duas décadas e considerava "perigosa" a possibilidade desse tipo de tratamentos.

Em entrevista ao iGay , o psicólogo Klecius Borges afirma que não há embasamento científico que prove que seja possível mudar a orientação sexual de uma pessoa e não é ético que psicólogos ofereçam a "cura gay". “O que se pode alterar é o comportamento sexual, ou seja a prática da atividade sexual”, explica. Isso significa que a pessoa passa a se comportar de outra forma, diferente da qual ela se identifica para se encaixar, seja por causa da não-aceitação da família ou por questões religiosas. 

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