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Pavel Stotsko e Yevgeny Voitsekhovsky conseguiram que o país aceitasse o casamento por uma brecha legal no "Código da Família", mas estão sendo ameaçados por policiais, políticos e outros moradores da região

O casamento de Pavel Stotsko e Yevgeny Voitsekhovsky foi reconhecido na Rússica por causa de uma brecha na legislação do país. Entretanto, o casal gay precisou fugir depois de sofrer ameaças de morte e ter a eletricidade e acesso à internet do apartamento onde viviam em Moscou cortados por policiais à paisana. 

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O casal gay teve que sair do país depois de receber ameaças de políticos e ter a eletricidade do apartamento cortada
Reprodução/Facebook
O casal gay teve que sair do país depois de receber ameaças de políticos e ter a eletricidade do apartamento cortada


O casamento homossexual não é legalizado na Rússia, mas o casal gay conseguiu o registro oficial de matrimônio porque se casaram na Dinamarca e, segundo a lei do país, os casamentos realizados no exterior são considerados legalmente legítimos se não contradizerem o Art. 14 do "Código da Família".

Esse artigo proíbe o casamento entre parentes próximos e pessoas já casadas, além de obrigar o "consentimento voluntário e mútuo" do homem e da mulher que decidem se casar, mas não menciona sobre a união entre pessoas do mesmo sexo. Assim, quando enviaram os passaportes para o escritório de registro de Moscou, Pavel e Yevgeny receberam os selos de casamento

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Eles publicaram uma foto dos selos nas redes sociais e acabaram provocando uma indignação na população russa, incluindo alguns políticos. O Ministério do Interior da Rússia anunciou que os passaportes seriam anulados e os funcionários que registraram a união, demitidos. O casal também está sendo processado por "ofensa criminal". 

No Facebook, Pavel escreveu uma publicação contando sobre as ameaças que ele e a família estão recebendo pela internet e pessoalmente. "Eles me mandaram 'cortar minha cabeça fora' e minha mãe está recebendo ligações de números desconhecidos falando para eu 'me acalmar' ou ela vai perder o emprego."

De acordo com Igor Kochetov, ativista pelos direitos da comunidade LGBT, o casal decidiu ir embora do país por causa do risco que correm na Rússia . "A polícia declarou abertamente que não pode protegê-los de ataques de pessoas ou organizações abertamente homofóbicas", diz em entrevista à mídia local. Além disso, ele afirma que o casal foi impedido de encontrar amigos e conhecidos e que a saída do apartamento em que viviam foi bloqueada.

Homofobia na Rússia

Mesmo que a homossexualidade não seja proibida na Rússia desde 1993, ainda há a proibição do casamento gay e, em 2013, também foi criada a lei que proíbe a promoção da homossexualidade. Com isso, não é permitido fazer marchas de orgulho LGBT ou vincular qualquer produto que lembre questões do movimento.

Assim, os casos de homofobia são recorrentes no país. No fim do ano passado, a Fare (Football Against Racism in Europe), organização que apoia a igualdade dentro dos estádios de futebol, lançou um  manual orientando pessoas LGBT sobre como elas devem se comportar no país que vai sediar a Copa do Mundo em 2018. O guia aconselha, por exemplo, que um casal gay seja cautelosos e não ande de mãos dadas nas ruas por correr risco de vida. 

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