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Antes de oficializar a união, Daniel e Vincent sofreram preconceito no trabalho por assumir o relacionamento homossexual como militares

Daniel Hall, de 30 anos, e Vincent Franchino, de 26,  são Capitães do Exército dos Estados Unidos, e trabalham como pilotos de helicóptero. Entretanto, eles vêm chamando atenção para além do trabalho, porque se tornaram o primeiro casal homossexual em atividade a oficializar a união na Capela dos Cadetes da Academia Militar de West Point, em Nova York. 

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O casal é o primeiro a realizar uma cerimônia para oficializar a união entre homossexuais na capela da academia militar
Reprodução/Instagram
O casal é o primeiro a realizar uma cerimônia para oficializar a união entre homossexuais na capela da academia militar


O casal se conheceu na academia militar e, por isso, escolheu o local para realizar a cerimônia, que aconteceu no dia 13 deste mês. Ambos usaram o uniforme azul oficial do Exército americano, saíram da capela embaixo de um arco feito com espadas e usaram a espada oficial de Daniel para cortar o bolo.


Amor e preconceito

Os dois se conheceram quando ainda estavam na Academia de West Point, em 2009. Vincent era aluno do primeiro ano e Daniel estava no último. Na época, havia uma política em vigor entre os militares americanos chamada "Don't ask, don't tell" (DADT), ou "Não pergunte, não fale", em português.

A política foi implantada em 1993 e impedia que qualquer homossexual que estivesse ativamente no serviço militar falasse abertamente sobre a orientação sexual ou qualquer relacionamento entre pessoas do mesmo gênero.  O projeto foi revogado em setembro de 2011 e no mês de fevereiro do ano seguinte, o casal teve seu primeiro encontro depois de serem apresentados por amigos em comum. 

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Em entrevista ao "The New York Times", o casal afirma que aqueles foram tempos difíceis.  "Embora nos sentíssemos atraídos um pelo outro, não podíamos fazer ou dizer nada sobre isso", conta Capitão Hall. "É realmente frustrante quando duas pessoas têm sentimentos um pelo outro, mas não têm permissão para agir. Estávamos servindo sob uma política que dizia a todos — soldados perfeitamente capazes, marinheiros, aviadores e fuzileiros — para mentir sobre nós mesmos."

Mas mesmo depois do fim da política, eles sofreram  preconceito dentro do trabalho por causa do relacionamento, além de terem sido alocados em diferentes países. "Tivemos muitas curvas no meio do caminho", diz Capitão Franchino. "Nós passamos por tudo, desde pessoas constrangidas até nos xingando enquanto andamos de mãos dadas na rua"

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Atualmente, a situação é outra, principalmente depois que eles finalmente conseguiram oficializar a união, superaram o abuso verbal e aceitaram que, algumas vezes, não poderão ficar juntos por causa da profissão. "Acabamos nos acostumando a ficar separados às vezes", afirma Capitão Franchino, que passou o último ano servindo ao Exército na Europa. "Faz parte de quem nós somos, parte do que fazemos, então nós simplesmente aceitamos isso."

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