Tamanho do texto

Desde sua infância, a jornalista considerava normal conviver com o pai e o parceiro dele: "É a sociedade que alimenta o preconceito e a intolerância”

“As pessoas perguntam constantemente como meu pai se assumiu gay para mim. Eu quero responder: bem, ele realizou uma festa enorme para todo o bairro e fez um bolo que ele cortou para revelar camadas do arco-íris”, relata a jornalista Sophie para o site “Metro.co.uk”. Mas, na verdade, ela diz que seu pai não precisou fazer uma declaração para que os outros soubessem que ele é gay.

Leia também: 5 pais que deram uma lição ao aceitar na família os filhos LGBT

A jornalista conta que desde a infância já convivia com o pai e o parceiro dele
Reprodução/Facebook/Sophie Mei Lan Hale
A jornalista conta que desde a infância já convivia com o pai e o parceiro dele

“Infelizmente, essa é a jornalista em mim que quer criar uma história da jornada de ‘se assumir’ do meu pai. Quando, de fato, não havia festa, nenhum bolo e nenhuma declaração pública”, afirma Sophie. A filha conta que a sexualidade do pai nunca foi uma questão, e o preconceito das pessoas era o verdadeiro problema.

Infância e família

“Eu tinha apenas três anos e minha irmã cinco quando meus pais se separaram e meu pai começou a viver com um homem. A beleza das crianças pequenas é que elas nascem com mentes abertas”, diz Sophie. “As crianças podem até fazer perguntas, mas elas simplesmente aceitam o que é colocado na frente delas. É a sociedade que alimenta o preconceito e a intolerância”.

Leia também: Quais são as opções disponíveis para os casais LGBT terem filhos?

Ela conta que se adaptou a viver com duas famílias diferentes, em duas casas, mas que ainda tinha de lidar com o preconceito dos outros. “Quando comecei a escola, comecei a ‘filtrar’ nossa vida íntima. De alguma forma, eu sabia que meu mundo não era o padrão aceitável. O parceiro do meu pai se tornou nosso inquilino. Eu sabia que não podia falar abertamente sobre o parceiro do meu pai por medo de repercussões.”

Quando os pais de uma amiga da escola de Sophie descobriram que o "inquilino" era o parceiro de seu pai, ela foi proibida de ir brincar em sua casa. “Mesmo em uma idade tão jovem, percebi que o que era normal para mim não era tolerado fora da minha casa”, relata Sophie. “Mas o parceiro do meu pai era parte da nossa família, tivemos a sorte de ter adquirido um pai extra”.

Leia também: 73% dos LGBT brasileiros já testemunharam homofobia no trabalho; veja

“Lembro-me de terem pedido para eu participar de um livro sobre crianças com pais homossexuais e me perguntaram o que havia de único em nossa família. A minha resposta? O parceiro do meu pai brinca conosco e nos chama de porcas. Ele é engraçado”, finaliza a jornalista.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.