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Este ano foi muito importante para conquistas a favor do movimento LGBT, como a legalização do casamento homoafetivo; veja lista completa

Com muitas discussões sobre questões relacionadas a inclusão e diversidade, 2017 foi um ano muito importante para conquistas de pessoas LGBT. Países legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um personagem transgênero foi um dos destaques de uma novela exibida em horário nobre e até uma cidade brasileira foi eleita a mais amigável para pessoas LGBT.

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2017 foi um ano muito importante para conquistas de pessoas LGBT
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2017 foi um ano muito importante para conquistas de pessoas LGBT

Veja as conquistas das pessoas LGBT em 2017

1. São Paulo LGBT

Esta foi uma conquista muito importante para os brasileiros. Em outubro, São Paulo foi considerada a melhor cidade da América Latina para pessoas LGBT visitarem ou morarem. A pesquisa, feita pelo site “Nestpick”, analisou 100 cidades ao redor do mundo para descobrir quais são os lugares mais inclusivos, e a capital paulista ficou em 35º lugar, enquanto o Rio de Janeiro apareceu em 41º. Buenos Aires, na Argentina, ficou na 43ª posição.

2. Legalização do casamento gay

A Austrália foi um dos países que teve destaque mundial durante o processo da legalização do casamento gay. Em dezembro, o Parlamento australiano  aprovou o projeto de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país. O texto teve apenas quatro votos contrários e foi liberado por ampla maioria - assim como havia ocorrido no Senado na semana anterior, em que foram 43 votos a favor, 12 contra e várias abstenções e ausências.  Com a aprovação no Parlamento, a Austrália tornou-se o 27º país do mundo a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo como um direito.

Antes da Austrália, países como Finlândia, Malta, Alemanha e Áustria também legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo neste ano. Viva o amor!

3. Adoção

Para o movimento a favor da diversidade, é muito importante que casais do mesmo sexo consigam adotar crianças, formar uma família e ser reconhecidos como tal e, em 2017, foram dados alguns passos importantes nesse sentido.

Em março, o Tribunal de Florença, na Itália, reconheceu a adoção de duas crianças por um casal gay pela primeira vez. Os pais são italianos, mas vivem no Reino Unido, local de origem dos filhos. Além de reconhecer a adoção, a corte também garantiu cidadania italiana às crianças.

Um dos países que teve um aumento em casos de adoções por casais homoafetivos foi a Escócia, do Reino Unido. Números divulgados pela “National Records Scotland” mostram que os números das adoções dobraram desde 2013 e, somente neste ano, aconteceram 97 adoções até agosto.

4. Mulher transgênero na política americana

Pela primeira vez nos Estados Unidos, uma mulher transgênero foi eleita para um cargo legislativo. Com 54% dos votos, a democrata Danica Roem foi escolhida representante da Assembleia Legislativa do estado da Virgínia - cargo semelhante ao de deputado estadual no Brasil. Seu adversário Bob Marshall não se referia a Danica como mulher transgênero e, sim, como homem, seguindo a identidade biológica da ex-jornalista.

Danica fez uma ampla campanha em todo o país e obteve cerca de US$ 500 mil em doações de seus apoiadores. Ela ainda disse que dedicava a sua vitória "a cada pessoa que já foi apontada, julgada ou estigmatizada".

5. Transgênero no horário nobre

A novela “A Força do Querer”, exibida no horário nobre da Rede Globo, foi muito importante para falar sobre indivíduos transgêneros e promover a discussão sobre o assunto em todo o país. A personagem Ivana, interpretada pela atriz Carol Duarte, passou por conflitos emocionais por não se identificar com seu gênero e com os aspectos femininos de seu corpo, além de não poder contar com o apoio da mãe ou da família. Em meados da trama, ela se assume como homens trans. 

A atriz Carol Duarte interpretou um personagem que passa pela transição de gênero em 'A Força do Querer'
Divulgação/TV Globo
A atriz Carol Duarte interpretou um personagem que passa pela transição de gênero em 'A Força do Querer'

Para Dante Olivier, um homem trans que já contou sua história aqui no iGay, é muito importante falar sobre esse assunto em uma novela com alcance nacional. “As pessoas têm imagens estereotipadas de indivíduos transgêneros e essa é uma grande oportunidade de desconstruir isso”, afirmou no papo.

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6. Apoio dos famosos

Muitos famosos foram importantes na luta contra a LGBTfobia durante o ano de 2017. Quando o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, autorizou, em caráter liminar, que psicólogos usassem seu conhecimento para "curar a homossexualidade", diversos famosos como Anitta, Pabllo Vittar, Preta Gil e Fernanda Gentil foram ao Instagram protestar contra a decisão.

Além dos artistas brasileiros, as cantoras internacionais Demi Lovato e Tove Lo também foram até às redes sociais se pronunciar contra a decisão do juiz. Em seu perfil no Facebook, Demi escreveu, em inglês: “Pensando em você hoje, Brasil. Espero que logo corrijam essa decisão errada”. E acrescentou em português as seguintes hashtags #respeito #amor. Tove Lo usou o Instagram para escrever: “Amor não é doença. É a cura. Para todos os meus fãs gays no Brasil, não pensem por um segundo que vocês precisam de qualquer tipo de ‘cura’ por causa de quem vocês amam.”

Outros apoiaram tanto o amor entre pessoas do mesmo sexo que até ajudaram em pedidos de casamento entre casais homoafetivos. Em junho deste ano, a cantora Kelly Clarkson chamou dois fãs a seu camarim e ajudou um deles a surpreender o namorado e pedi-lo em casamento. Katy Perry seguiu o exemplo e, em outubro, convidou duas fãs para o palco para um pedido de casamento que emocionou toda a plateia que estava assistindo ao show durante o National Coming Out Day (Dia de se assumir, em tradução livre).

7. Rock in Rio mais colorido

Maria Cecilia Romera e Marina de Assis se casaram no primeiro dia de Rock in Rio
Reprodução/Facebook/Marina de Assis
Maria Cecilia Romera e Marina de Assis se casaram no primeiro dia de Rock in Rio

Um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock in Rio 2017 apresentou artistas como Guns N’ Roses, Fergie, Maroon 5, Red Hot Chili Peppers, Aerosmith, Justin Timberlake e Bon Jovi. Mas, além da música, o evento também teve destaque pelos momentos que foram importantes para a representatividade LGBT, como os casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados na capela do festival.

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8. Nome social

Nome social é o nome pelo qual pessoas transexuais e travestis preferem ser chamadas em seu cotidiano, independentemente de seu nome oficialmente registrado que não reflete sua identidade de gênero. Em 2016, a ex-presidente Dilma Rousseff, assinou um decreto autorizando que travestis e transexuais adotassem o nome social em órgãos do Poder Público federal, possibilitando o uso do nome social em crachás e formulários.

E as mudanças continuaram em 2017. Em abril deste ano, travestis e transexuais conquistaram o direito de ter o nome social em cartões de contas bancárias, instrumentos de pagamentos, em canais de relacionamento e em correspondências de instituições financeiras.

Além disso, desde novembro, travestis e transsexuais do Rio de Janeiro já podem fazer a solicitação da Carteira de Identidade Social no Estado. "A Carteira de Identidade Social é uma grande vitória para o movimento LGBT do Rio de Janeiro. O documento, além de reconhecer a identidade social de travestis e transsexuais, evitará diversos constrangimentos aos quais elas estão submetidas diariamente ao serem chamadas por nomes de um gênero ao qual elas não se identificam", diz o secretário de Direitos Humanos Átila Alexandre Nunes.

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