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Data marcada para início dos casamentos gays no país poderia ser tarde para casal de lésbicas em que uma das mulheres tem câncer, mas deu-se um jeito

Neste mês, a Austrália finalmente legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Com isso, os casais homoafetivos deveriam esperar até 9 de janeiro para poderem se casar – um mês a partir da data da entrada em vigor da lei. Mas este dia poderia ser tarde demais para um casal da lésbicas, já que uma das mulheres está com câncer terminal e pode morrer a qualquer momento.

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Cas Willow, à esquerda, sofre com câncer de mama terminal e se casou com a parceira Heather Richards, à direita
Reprodução/Facebook/Heather Richards
Cas Willow, à esquerda, sofre com câncer de mama terminal e se casou com a parceira Heather Richards, à direita

Por conta disso, foi aberta uma exceção para que Cas Willow, de 53 anos, pudesse casar com sua parceira, Heather Richards, de 56. As duas mulheres, que estão juntas há 17 anos, realizaram o sonho nesta segunda-feira (18), quando oficializaram seus votos durante uma cerimônia emocionante no Peter MacCallum Cancer Centre, local em que Cas está recebendo tratamento para o  câncer de mama que acabou se espalhando por seu cérebro.

"Eu não posso acreditar que é real. É algo que eu pensei que nunca iria ver", disse Cas.
Sua parceira afirmou que estava muito feliz por elas duas finalmente poderem se chamar de "esposa e esposa". "Ela sempre esteve lá para mim, ela é minha parceira na vida, minha confidente, minha alma gêmea, o meu tudo", disse Heather em entrevista ao SBS News. "Ser capaz de dizer que ela é minha esposa e não apenas minha parceira torna a nossa relação completa".

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O casal relatou ter ficado encantado com o apoio e o amor que receberam da comunidade. E, ao invés dos presentes de casamento pela a casa, elas pediram que os convidados fizessem doações para a Peter MacCallum Cancer Foundation.

Casamento gay na Austrália

Com a aprovação dos senadores e do parlamento, a Austrália se tornou o 27º país do mundo a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo como um direito. Apresentada pelo senador Dean Smith, a lei muda a definição de matrimônio como uma união entre "homem e mulher" para "a união entre duas pessoas".

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O projeto ganhou força após um referendo nacional mostrar que a maioria da população concordava com a medida. Apesar de o voto não ser obrigatório, 79,3% dos australianos foram às urnas para dar sua opinião e o resultado mostrou que 61,6% dos eleitores consultados aprovam a igualdade de matrimônio e que 38,4% são contra.

Com a aprovação da lei, a mulher com câncer e sua parceira finalmente puderam realizar o sonho de se casar no país. 

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