Tamanho do texto

O casal gay está junto há dez anos em um relacionamento estável e queria ter filhos por meio de uma barriga de aluguel, mas o pedido acabou negado

Um casal gay que vive na África do Sul, identificado apenas como CJD e HN, entrou na justiça para conseguir o direito de ter um filho por meio de uma barriga de aluguel. Mas a juíza Ronel Tolmay, da Suprema Corte do Norte de Gauteng, rejeitou a candidatura do casal, que está junto há dez anos, uma vez que a HN não é assumidamente homossexual. As informações são do “Mamba Online”.

Leia também: Quais são as opções disponíveis para os casais LGBT terem filhos?

O casal gay queria ter filhos por meio de uma barriga de aluguel
shutterstock
O casal gay queria ter filhos por meio de uma barriga de aluguel

HN, um médico especialista, teria dito ao tribunal que ele não queria que sua orientação sexual se tornasse pública pois isso poderia prejudicar sua carreira. Isso levou a juíza a sugerir que ele não ser assumido poderia afetar negativamente o filho do casal gay, pois HN poderia não querer reconhecer a criança em público. Tolmay disse: "Posso ver uma criança pequena correndo com entusiasmo para o pai em público o chamando de papai. O pai fingiria não ser o pai? Como isso afetaria a criança?"

Ela continuou: "Ninguém pode julgar uma pessoa gay que, por causa do preconceito das pessoas, reluta em revelar sua orientação sexual. No entanto, o tribunal deve sempre colocar os direitos da criança em primeiro lugar”. A juíza afirmou que, se ele decidir assumir publicamente que é homossexual no futuro, ele pode entrar em contato com o tribunal e pode obter o direito de ser pai. 

Outro motivo para recusar a candidatura do casal é o fato de os dois homens viverem em casas separadas, embora passem a maior parte do tempo juntos.

Leia também: Instagram dedicado a fotos de pais gays com filhos faz sucesso

Contraposição

Johan Meyer, gerente de saúde em uma clínica para pessoas LGBT, no entanto, expressou sua preocupação com o julgamento, comentando que o casal parecia ter sido analisado em padrões mais altos do que pessoas heterossexuais. Embora tenha admitido que ele não leu a decisão completa, seguindo os relatórios da mídia, "soa ser baseado em premissas absurdas, ou cenários", disse ele.

Ele observou que, embora o casal não viva junto, eles estão em um relacionamento estável há 10 anos. "Isso é mais estável do que a maioria dos relacionamentos", argumentou Meyer. "O juiz reconheceu esse fato, mas pareceu ter desconsiderado o significado disso".

Ele disse que muitos pais heterossexuais solteiros ou divorciados não moram juntos e que as crianças freqüentemente vivem entre duas casas. "Uma pessoa heterossexual poderia ter uma criança, simplesmente fazendo sexo com alguém que nem conhecem, sem que ninguém tenha tido uma opinião sobre isso", continuou Meyer.

Leia também: 5 pais que deram uma lição ao aceitar na família os filhos LGBT

"Escolher barriga de aluguel para ter um filho é muito caro. Isso certamente é algo que mostra o compromisso do casal gay em ter um filho e algo que eles pensaram bastante ". Meyer, além disso, descartou o hipotético cenário criado por Tolmay de HN se recusando a reconhecer seu filho em público. "Não consigo ver onde esse cenário que a juíza mencionou se desenrolaria. Com base em tudo o que sabemos, parece improvável que o parceiro - que está no armário - se negaria a reconhecer seu filho".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.