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Para a ministra da Defesa, Marise Payne, os membros trans do exército devem receber um tratamento médico adequado financiado pelo Estado

A ministra da Defesa da Austrália, Marise Payne, está tendo que responder o motivo pelo qual a Australian Defence Force (ADF, força de defesa australiana, em tradução livre) tratou 27 funcionários trans nos últimos cinco anos, com um custo de 1 milhão de dólares australianos, cerca de R$ 2,5 milhões. Para a ministra, a disforia de gênero é uma questão de saúde e deve ser tratada como tal. As informações são do jornal britânico "The Guardian".

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Para as ministras, os indivíduos trans da defesa devem receber o tratamento adequado
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Para as ministras, os indivíduos trans da defesa devem receber o tratamento adequado

Payne disse que, segundo o regulamentos da entidade, todos os membros da defesa têm o direito à cuidados relacionados à saúde - o Medicare - que, para ela, inclui pessoas trans. "Então, se um membro do ADF for diagnosticado ou tratado por causa da disforia de gênero, a defesa financiará os procedimentos médicos ou suporte conforme prescrito pelo médico assistente”, explicou a ministra.

Sem concordar com a ministra, a senadora Pauline Hanson afirmou que a mudança de sexo e a cirurgia nos seios são "uma escolha pessoal e não ajudarão de modo algum a defender e proteger o país". Mas, para Payne, as cirurgias nos transgêneros não são apenas uma questão estética e devem estar disponíveis para os militares como qualquer outro tratamento de saúde.

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Ao ser perguntada se o dinheiro poderia ser melhor gasto com as pessoas da defesa que sofreram algum acidente durante o trabalho, Payne respondeu que era injusto tentar comparar uma condição de saúde a uma circunstância pessoal. "De modo algum o engajamento da defesa com a disforia do gênero diminui o compromisso em relação ao apoio mais forte possível aos homens e mulheres que prestaram um serviço ao país".

Mulher trans e capitã do exército

Bridget Clinch, uma mulher transgênero e ex-capitã do exército, é a favor do financiamento para o tratamento da disforia de gênero. Ela entrou na justiça para que a força de defesa entendesse que a disforia de gênero não era um motivo para a demissão.

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Ela disse que os militares aceitaram, a partir de uma "análise pragmática e de custo-benefício", que lidar com as implicações psicológicas e de saúde da disforia de gênero era um caminho melhor para manter os soldados trans que já estavam passando pelo treinamento há anos. "De certa forma, não fazer o tratamento reduz a capacidade [da defesa] porque joga fora pessoas qualificadas", disse ela.

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