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Rian tinha receio de não ser aceito pelos pais após se assumir duas vezes: primeiro como bissexual e depois como transgênero

Para Rian Hiney, de 17 anos, não foi fácil contar aos pais que era bissexual e transgênero. Portador de uma condição desconhecida semelhante à paralisia cerebral quadriplégica que o deixa em uma cadeira de rodas, o jovem não queria ser uma decepção aos pais, que também precisavam cuidar dele por causa da deficiência.

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Rian precisou se assumir duas vezes: primeiro como bissexual e depois como transgênero
Reprodução/The Independent
Rian precisou se assumir duas vezes: primeiro como bissexual e depois como transgênero

Apesar de ter crescido sendo tratado como uma menina, Rian nunca se sentiu “feminina” e, aos 15 anos, ele se assumiu bissexual. "Primeiro eu falei para as minhas irmãs e meus amigos. Não foi um enorme choque e eles lidaram bem”, conta Rian para o “The Independent”. “Eu não acho que eu realmente me assumi como bissexual para os meus pais, eu simplesmente falei sobre trazer uma garota, um garoto ou quem quer que fosse em casa. Eles tiveram dificuldade no início, mas  aceitaram”.

Entretanto, mesmo tendo assumido sua sexualidade, alguma coisa não parecia certa para Rian.  "Quando eu ouvi pela primeira vez a palavra 'transgênero', inicialmente pensei nos estereótipos ofensivos e desatualizados de 'cross-dressers''", diz ele. "Não havia nenhum modelo para eu procurar". Rian entrou em depressão, e sua irmã percebeu que ele não estava bem. Com o apoio dela, ele conseguiu falar sobre como não se identificava com o gênero que havia sido atribuído a ele em seu nascimento, e que queria ser chamado de Rian.

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O que o assustou foi como seus pais - que eram responsáveis ​​por seus cuidados - reagiriam à revelação. "Eu não queria me sentir como uma decepção para a minha mãe para o meu pai, um típico homem conservador. Fiquei muito apreensivo". No final foi melhor do que Rian esperava. O pai aceitou e a mãe também - mas não gostou do nome que o filho escolheu para ser chamado.

Aceitação 

Ainda assim, a jornada de Rian à aceitação estava longe de terminar. Ele rapidamente aprendeu que, mesmo tendo certeza de que era bissexual, outras pessoas tinham dificuldade em entender como uma pessoa deficiente sentia atração sexual. E quando ele se assumiu como trans, o preconceito que ele já enfrentava foi agravado pela curiosidade sobre sua sexualidade. Além disso, Rian descobriu que, embora as comunidades de pessoas com deficiência e de pessoas LGBT sejam amplamente progressistas e abertas, nem sempre ele se sentiria aceito.

"Ambas as comunidades enfrentam regularmente a falta de noção dos outros. Pessoas sendo condescendentes, tentando ensiná-lo sobre gênero e/ou deficiência, pessoas que tratam sua identidade como um fardo, e ambas as comunidades ainda estão lutando por seus direitos ", diz Rian. "Nossas identidades sexuais estão constantemente sob crítica. Dentro da comunidade trans, muitas vezes somos excessivamente sexualizados. As pessoas não vêem nada de errado ao fazer perguntas invasivas sobre nossos órgãos genitais”.

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"Por outro lado, as pessoas não pensam quem tem uma deficiência e, em particular, os usuários de cadeiras de rodas, têm o direito de ter alguma intimidade. Uma pessoa na escola me perguntou como eu posso ser bissexual se eu nem posso fazer sexo”, explica Rian. “As pessoas trans são hipersexualizadas e as pessoas com deficiência são desexualizadas. É por isso que as pessoas lutam para me colocar em uma caixa".

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