Tamanho do texto

Em seu Facebook, o ativista LGBT publicou uma carta em que explica os motivos do pedido de aposentadoria compulsória por ser homossexual

Como forma de protesto, o ativista LGBT Toni Reis fez um requerimento ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para pedir sua aposentadoria compulsória. A ação é uma forma de resposta à decisão em caráter liminar do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal,  que determina que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) não pode proibir terapias de “reversão sexual” para curar a homossexualidade.

Leia também: Tratamentos de "cura gay" são autorizadas por juiz do Distrito Federal

O ativista LGBT publicou em seu Facebook uma carta em que explica o pedido de aposentadoria
Reprodução/Facebook/Toni Reis
O ativista LGBT publicou em seu Facebook uma carta em que explica o pedido de aposentadoria

Em seu Facebook, Toni Reis, diretor do Grupo Dignidade - organização que luta por direitos LGBT -, compartilhou o documento na íntegra em que pede pela aposentadoria. Para começar, ele explica que a decisão do juiz contraria a Resolução 001/1999 do Conselho Federal de Psicologia e que promove o “curandeirismo e o charlatanismo, uma vez que a decisão infere que as pessoas homossexuais são doentes e passíveis de tratamento, liberando assim a ‘cura gay’”.

“Entende-se que a partir dessa decisão, em torno de 20 milhões de pessoas brasileiras que são homossexuais (segundo estimativas científicas baseadas no estudo de Kinsey, 1948) tornam-se inválidas e, portanto, elegíveis para receber aposentadoria por invalidez”, escreveu. “Reconheço que o pagamento desse benefício imprevisto possa quebrar a Previdência Social uma vez por todas, mas sugiro que o déficit incorrido seja recuperado por meio da taxação da renda das igrejas que promovem a ‘cura gay ’.”

Leia também: Estudante gay faz protesto contra homofobia durante formatura no ITA

Além disso, Toni também sugere o valor mensal da aposentadoria no valor de 24 salários mínimos, com “isenção de todo e qualquer imposto por motivo de crença (ou melhor, doença), e com direito a passaporte diplomático para poder empregar o tempo ocioso em viagens ao exterior, buscando a cura em centros avançados, e também divulgando a boa nova brasileira relativa à cura do ‘homossexualismo’”.

“Sendo uma dessas pessoas inválidas, devido à minha condição homossexual que é de notório saber, venho por meio deste requerer minha aposentadoria compulsória, com direito a acompanhante especializado, retroativa até o início das primeiras manifestações da minha homossexualidade , por volta do ano de 1970”.

Repercussão da "cura gay"

A decisão do juiz está dando o que falar nas redes sociais e famosos foram ao Instagram comentar sobre o assunto. "A gente está aqui tentando procurar um remédio, alguma coisa para ver se cura a gente da homossexualidade, da bissexualidade. Como é que cura um ser humano de amar o outro?", questionou a cantora Preta Gil, assumidamente bissexual.

Leia também: Famosos usam a Internet para se posicionar contra a "cura gay"

Cantora e defensora dos direitos LGBT, Daniela Mercury está casada há mais de quatro anos com a jornalista Malu Verçosa. A artista postou uma foto do casal com a legenda: “Dá para perceber de 'cara' que estamos doentes. Doentes de amor, doentes de respeito mútuo, doentes por nossa família. Somos doentes de felicidade! Nos respeitem!".