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A nota da associação diz que a novela “A Força do Querer” está "complicando ainda mais o trabalho que temos desenvolvido ao longo de anos"

A novela da Rede Globo “A Força do Querer” está levando a questão de pessoas trans e travestis para todo o Brasil com as personagens Ivana e Nonato, respectivamente. Apesar de aumentar a discussão sobre assunto, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontou erros que a trama tem cometido ao retratar as personagens.

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Reprodução/Globo
Em "A Força do Querer", Ivana representa um homem trans e Nonato, uma travesti

“A novela em tela tem prestado um relevante serviço quando aborda a questão da transmasculinidade vivida pela personagem Ivan/Ivana e tem prestado grande serviço de informação acerca da temática”, diz a nota. Mas, apesar disso, a associação acredita que a personagem vivida por Carol Duarte em “ A Força do Querer ” tem deixado a desejar quando se trata de representar corretamente um transgênero .

A representação das travestis

Para a associação, a novela tem errado também ao retratar travestis . “A novela se perde numa profusão de diálogos e conceitos que não ajudam em nada essa população e acaba complicando ainda mais o trabalho que temos desenvolvido ao longo de anos, que é o de tirar o estigma que esse termo representa. O conceito tão mau empregado no Aurélio e que nos elimina enquanto identidades políticas, do campo das feminilidades”.

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Eles explicam que travestis e mulheres transexuais têm identidade de gênero feminina, enquanto homens transexuais têm identidade de gênero masculina. “Ou sejam não se reconhecem pertencentes ao gênero atribuído no nascimento”. Além disso, travestis não representam algo que elas não sejam. “Especialmente quando é associada com a identidade gay, o que também não é correto, pois gay é uma identidade masculina”.

“Travestis vivenciam sua Travestilidade socialmente, diariamente, 24 horas por dia, não nos ‘vestimos’ à noite para vivenciar uma interpretação do feminino, somos parte do feminino", diz outro trecho. 

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Veja a nota na íntegra abaixo:


A associação explica termos como travesti, transgênero e transexual para ajudar a corrigir os erros de "A Força do Querer". “Nesse sentido queremos contribuir para que a novela de fato possa ser um canal de entretenimento e também educativo diante dessa complexidade que são as identidades de pessoas trans, população tão vulnerável devido a exclusão provocada pela transfobia.”

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