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No Brasil, conjunto de palavras utilizadas pela comunidade LGBT é chamado de pajubá e contém expressões como aqué e alibã

A comunidade LGBT tem a sua própria maneira de agir e se comunicar. No Brasil, o dicionário LGBT é conhecido como pajubá e contém muitas palavras que são desconhecidas para grande parte da população. Para ajudar outras pessoas a entenderem o significado de algumas expressões, o aplicativo Babbel fez uma lista de quais são as palavras mais utilizadas da comunidade LGBT em países como Brasil, Turquia, África do Sul e Indonésia.

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O pajubá é o conjunto de palavras utilizadas pela comunidade LGBT
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O pajubá é o conjunto de palavras utilizadas pela comunidade LGBT

Originada na língua africana, o pajubá é amplamente utilizado por religiões afro-brasileiras como candomblé e umbanda, que são relativamentes abertas a pessoas LGBT. Mas, devido a seu uso na mídia, cada vez mais as expressões têm se tornado conhecidas por pessoas de fora da comunidade LGBT. Inclusive, já existe um dicionário do pajubá chamado Aurélia, uma brincadeira com o nome do famoso dicionário Aurélio.

Erê, que significa criança, é uma das palavras que já são conhecidas por grande parte dos brasileiros. Outras palavras, como amapô/amapoa (mulher), okó (homem), aqué (dinheiro) e alibã (policial) ainda não são tão difundidas. Expressões como fazer a egípcia (virar a cara para fingir que não viu) e montar-se (arrumar-se) já são faladas por muitos brasileiros, LGBT ou não.

Uma forte característica é utilizar nomes femininos nas expressões. Dar a Elsa, por exemplo, significa roubar. Geralmente, esses nomes são inspirados em atrizes de novelas, cantoras e famosas.

E como seria esse "gaycionário" ao redor do mundo? Veja algumas curiosidades: 

Turquia - Lubunca

Lubunca é o modo que o dicionário LGBT é chamado na Turquia e, assim como no Brasil, tem se difundido cada vez mais fora da comunidade gay. Ele é baseado em línguas minoritárias faladas no país, como grego, curdo e búlgaro. Apesar disso, a maioria das palavras vem do romani, idioma falado por uma das comunidades mais marginalizadas dentro e fora da Turquia, os roma (ciganos). Como a comunidade LGBT também é marginalizada, foi algo natural a apropriação dos termos. Algumas das palavras usadas são Nakka trika: (homem sem barba/pêlo), paparon (polícia) e emrah (amigo heterossexual)

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África do Sul - gayle e isiNgqumo

O país é exemplo na questão de apoio a comunidade LGBT e foi o primeiro no continente africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apesar de serem 11 línguas oficiais faladas no país, só existem dois tipos de gírias LGBT, que são reflexo das divisões raciais históricas do país.

Existente desde a década de 1950, o gayle é falado principalmente pelos brancos. Ele é fortemente baseado na língua inglesa e no afrikaans, incorporando diversos termos vindos de gírias queer estadunidenses. Assim como no Brasil, a maioria das palavras é feminina. Monica, por exemplo, vem de money (dinheiro); Priscilla, de policeman (policial); Jessica, de jewellery (joias) e Barbara (homem heterossexual). Já o termo gail, que originou gayle, significa bate-papo.

Com seu modo próprio de comunicação, a comunidade negra sul-africana se baseia no isiNgqumo, que significa decisões. Ele é inspirado por algumas línguas nguni, um grupo dentro das línguas bantu. Algumas das palavras utilizadas são gweni/dali/dol (querido), izimvakazi (roupas) e isidudula (carro).

Uma diferença em relação ao gayle é que ele ainda não foi muito estudado e documentado. Isso demonstra as tensões raciais presentes na história do país e que são refletidas entre as relações de pessoas queers.

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Indonésia - bahasa gay

Apesar de a Indonésia ter centenas de línguas, lá só existe um tipo de pajubá, chamado de bahasa gay. Para formar as palavras, uma das características é adicionar -ong no final das palavras. Banci, que significa “mulher trans”, se torna bancong. Outra maneira de formar palavras é adicionar -in- entre as sílabas. Banci, para continuar usando o mesmo exemplo, se torna Binancin. Outras expressões utilizadas são BBC (de nada), Polonia (querer) e samarinda (ir para casa).

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