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Artista Linn da Quebrada está ganhando destaque por desconstruir padrões de gêneros e empoderar minorias com suas músicas

Com mais de 300 mil visualizações em seu hit “Enviadescer”, a cantora trans Linn da Quebrada já se tornou um exemplo de artistas que desconstroem gêneros e atuam no empoderamento de minorias. Em suas músicas, a auto-estima funciona como uma arma contra opressões. Como ela mesma diz, “um poder é um poder”.

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Linn da Quebrada faz sucesso com suas músicas de empoderamento
Vivi Bacco
Linn da Quebrada faz sucesso com suas músicas de empoderamento

Por causa de sua origem religiosa, Linn da Quebrada passou muito tempo sem conseguir se encontrar em seu próprio corpo e sem entender o que se passava com ela. “Só me libertei na adolescência, após trabalhar num salão de beleza e passar a me vestir e me maquiar como queria. Aquele foi o primeiro passo dado para meu entendimento enquanto corpo e possibilidades - de ser quem eu era e do que eu poderia fazer e transmitir a partir daí”.

Como forma de falar sobre todos os seus pensamentos, Linn decidiu se tornar uma cantora para “mandar a real”. “Eu posso falar de mim, da minha experiência, de pessoas próximas a mim. Falo de um lugar de onde eu me reconheço: da quebrada, para a quebrada, com a quebrada”. 

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​De acordo com a artista , “enviadescer” significa ​”se permitir, se transformar, possibilitar a seu corpo tudo aquilo que você pode fazer com ele, sobre ele e dele”. Em seu outro sucesso “ Bixa Preta ”, Linn fala sobre empoderamento e como sua pele preta - que ela considera ser seu manto de coragem - impulsiona o movimento. “A letra fala disso, de um fortalecimento, um papo bem reto para todas as manas e monas das quebradas que já viveram e ouviram ofensas simplesmente por serem quem são”, explica.

“A gente sai na rua e as pessoas acham que estão no direito de nos oprimir, mas não estão. Por isso nossa auto-estima importa. Além de nos fazer bem, de fazer a gente se voltar para nós mesmas, ela é também uma arma contra essas opressões”.

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Desconstrução de gênero

Além de Linn, outros artistas que desconstroem gêneros estão tendo destaque, como Pablo Vittar, Glória Groove e Liniker. “Acho que chegamos em um momento onde a representatividade tem tido cada vez mais espaço e eco nas pessoas”, afirma Linn. “Principalmente nas pessoas que nunca se viram ou se encontraram em tudo aquilo que é imposto e colocado como bonito e interessante”.

“Eu sou uma voz a mais vinda de um grupo que tem muito a dizer e a (des)construir e tem muita gente fechando com a gente nessa”, afirma Linn da Quebrada.

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